10 Ditados que incentivam a boa gestão das poupanças

Em altura de apertar o cinto, conheça alguns ditados que o Saldo Positivo foi resgatar, que podem ajudar a gerir o orçamento familiar .

ditaA língua portuguesa é rica em provérbios e numa altura em que a palavra de ordem é apertar o cinto, é tempo de ir buscar ao ‘armário da memória’ alguns ditados populares antigos, mas cheios de sabedoria. Muitos destes provérbios ouvimo-los da boca dos avós ou de pessoas mais antigas e podem ser confundidos com banalidades. Porém são fruto da aprendizagem que a humanidade tem vindo a desenvolver ao longo de milénios e têm servido para passar conhecimento de geração em geração. O Saldo Positivo reuniu alguns ditados populares que podem ajudar no processo da gestão das poupanças e do orçamento familiar.

 

1. Vintém poupado, vintém ganho

A tentação pode ser muita, porém nem todo o dinheiro que ganhamos deve ser gasto. O orçamento familiar tem despesas fixas, variáveis e os gastos mais “supérfluos”, como uma ida ao cinema ou comprar um par de sapatos, que são importantes para uma existência saudável. No entanto, a relevância da poupança para as famílias é enorme, uma vez que é através do aforro que é possível obter alguma riqueza e evitar o sobre-endividamento. Por exemplo, se desejar adquirir um automóvel, quanto maior for a entrada que der, menor será o valor crédito a pedir e, consequentemente, menor será a prestação mensal.

É ainda importante referir que quando se fala em poupar o dinheiro, não quer dizer que coloquemos o dinheiro debaixo do colchão, sob pena de dentro de alguns anos valer muito menos, devido à inflação.

 

2. Grão a grão enche a galinha o papo

Para muitos agregados familiares a palavra poupança causa algum desconforto, uma vez que nos últimos anos os rendimentos das famílias reduziram-se consideravelmente por via do desemprego e do aumento dos impostos. No entanto, poupar é uma ferramenta fundamental para comprar algo ou para manter o estilo de vida durante a reforma.

Se tomarmos o exemplo da poupança para a reforma, este mealheiro deve começar o quanto antes, para que o esforço mensal de poupança seja menor. Caso apenas comece a aforrar dez ou vinte anos antes da reforma, o valor mensal a poupar será muito maior do que se começar aforrar logo que inicie a sua vida profissional. Por isso, mesmo que não haja muita margem de manobra para constituir um mealheiro, deverá sempre colocar uns “pozinhos” de lado e, pouco a pouco, aumentar o bolo total da poupança.

Por exemplo, se colocar 30 euros de lado ao longo de 30 anos, aplicados num produto com uma taxa de juro bruta de 2%, no final desse período amealhou 13.514,60 euros depois dos impostos (10.800 euros acumulados e 2.714,60 euros de juros). Se quiser juntar esses 13.514 euros num prazo de 15 anos, aplicados num produto com o mesmo rendimento, teria de colocar de lado todos os meses 67,23 euros. Faça as contas no simulador de poupança do Todos Contam.

 

3. A grão gastador, o muito não basta; e a grão poupador, o pouco sobeja

Gastar menos do que ganha é uma regra básica da boa gestão das finanças pessoais. Parece uma ideia simples de colocar em prática, mas os números dizem-nos que há muitos portugueses que vivem de salário em salário, sem margem para poupança. De acordo com o inquérito à literacia financeira dos portugueses do Banco de Portugal, que remonta a 2010, um total de 48% dos portugueses não conseguia poupar.

Porém, nos últimos tempos, o conceito de viver com ‘frugalidade’ reentrou na rotina nacional, por força das circunstâncias económicas e também fruto da necessidade de viver bem com menos dinheiro. Levar um estilo de vida frugal ou minimalista significa dar valor aos bens materiais que já possui, não desperdiçar recursos, reutilizar objetos e procurar tirar melhor partido do que já tem. Desta forma, é possível gastar menos dinheiro no dia-a-dia, aproveitando esses recursos para poupar para um objetivo estabelecido. Pela blogosfera nacional surgiram alguns blogues que apelam à reutilização de roupas, de reaproveitamento de mobília através de técnicas de ‘bricolage’ ou não desperdiçar comida. Atualmente, o expoente máximo deste movimento é o “The Busy Woman and the Stripy Cat”, onde pode seguir o dia-a-dia de Rita Domingues e ler os seus conselhos de poupança.

O exemplo também vem de cima. Alguns dos bilionários mais famosos do mundo, cujas fortunas são cobiçadas por muitos, são conhecidos por terem um estilo de vida frugal, apesar de terem a conta bancária recheada de milhões. Por exemplo, Warren Buffet – guru do investimento e presidente da ‘holding’ financeira Berkshire Hathaway – é conhecido por viver numa casa simples e frequentemente andar de transportes públicos.

 

4. Mais vale tarde do que nunca

Qual é a melhor altura para começar a poupar? O quanto antes. Mas uma das regras de ouro das finanças pessoais saudáveis é que nunca é tarde para começar a poupar, o importante é fazê-lo. Se acha que já vai tarde demais para começar aforrar para a reforma, por exemplo, aqui ficam algumas dicas.

Em primeiro lugar, deve começar já. Se não sabe como, analise o orçamento familiar e foque-se em reduzir as despesas, por forma a conseguir encontrar uma margem para poupar. Uma vez tendo apurado um valor fixo mensal para colocar de lado, deverá procurar um produto de investimento que permita reforços mensais e que tenha uma taxa de juro acima da inflação. O nível de risco do ativo em que investe deverá ser proporcional à idade que tem. Por exemplo, se já tiver mais do que 50 anos não deve aplicar o dinheiro num produto de elevado risco, como as ações, sob pena de perder o capital investido e já não ter tempo para recuperar essa poupança. No entanto, também não deve ser demasiado conservador nas suas escolhas, para conseguir rentabilizar a sua poupança. O ideal é encontrar um meio-termo e, se necessário, consultar um especialista em investimentos ou o seu gestor de conta.

 

5. Pai rico, filho nobre, neto pobre

Este ditado podia ser substituído por outro igualmente conhecido: “A primeira geração constrói, a segunda usufrui e a terceira destrói“. É certo que todos gostaríamos de conseguir juntar uma quantia razoável de dinheiro que nos permita viver uma vida e deixar os filhos e gerações vindouras numa situação financeira confortável. No entanto, tão importante quanto alcançar alguma independência financeira é passar os valores da boa gestão do dinheiro aos descendentes.

Neste sentido, é importante que, desde pequenos, os filhos aprendam a importância de poupar e gerir as finanças. É preciso dar o exemplo, não ceder a todas as suas vontades, ensiná-las a viver com a mesada e a respeitá-la. Um exemplo positivo são os norte-americanos Trump. Apesar de já irem na terceira geração de fortuna, Donald Trump fez questão de incutir aos filhos os seus valores sobre o dinheiro e trabalho. Desta forma, ao contrário de outros herdeiros, desde cedo que os seus descendentes começaram a trabalhar e a criar riqueza. Sobre isto, o milionário afirmou: “Não ensinar os filhos sobre dinheiro é como não se preocupar se eles comem. Se entrarem no mundo sem conhecimento financeiro, será muito mais difícil. Assegure-se que lhes passa a sua forma de pensar sobre o dinheiro – como gere as despesas, como poupa, onde investe. Ensine-os que ter o dinheiro não é necessariamente sinal de ganância. É um elemento importante de sobrevivência”.

 

6. Quem não deve não teme

O excesso de dívidas é uma enorme fonte de ‘stress’ para a população. Para além das implicações legais, também pode causar originar mal dormidas, assim como perturbar a vida social e profissional. Estar sempre preocupado com o dinheiro, como vai pagar as contas ou se vai conseguir regularizar a dívida, pode até ser uma causa de depressão.

Para evitar esta situação, é importante que conheça a sua taxa de esforço, ou seja, a percentagem do rendimento familiar destinada a pagar as prestações de crédito. Se quer ter uma vida económica descansada os créditos não devem exceder 35% dos rendimentos. Mais do que isto, significa que uma parte relevante do dinheiro que o agregado ganha é canalizado para as dívidas e quanto maior esta for, maior o risco de ter dificuldades financeiras caso surja algum problema imprevisto, como o desemprego.

 

7. Quem suas dívidas paga, sua fortuna aumenta

Ter um orçamento familiar é uma ferramenta fundamental para estar sempre a par da sua situação financeira, nomeadamente, do dinheiro que entra todos os meses, das despesas que tem e dos créditos que paga, assim como para saber se a taxa de esforço não é muito elevada. Outro aspeto fundamental é alertar para a regularização das dívidas bancárias nas datas previstas.

As consequências de deixar de pagar uma dívida, ou de se atrasar a regularizá-la, podem ser prejudiciais para a sua situação financeira. A partir do momento em que salta o pagamento de uma prestação, na totalidade ou parcialmente, já entrou em incumprimento. Quando está com dificuldades em pagar as suas dívidas, não deverá deixar arrastar a situação. O ideal é que contacte imediatamente as entidades credoras para esclarecê-las sobre a situação e tentar estabelecer um acordo de pagamento. Caso contrário, corre o risco da dívida aumentar até chegar ao ponto de lhe serem penhorados os bens.

 

8. Mais vale um pássaro na mão, do que dois a voar

Antes de investir as suas poupanças deverá definir o seu perfil de investidor: conservador, agressivo ou moderado? Este perfil deve ser traçado tendo em conta alguns fatores, nomeadamente, qual a tolerância ao risco, assim como a idade.

Seja qual for a sua tolerância ao risco, há um aspeto que não pode descurar: Tão importante como poupar, é aplicar esse dinheiro num produto de aforro que traga algum retorno, pelo menos, acima da inflação esperada. Se prefere investir num produto com uma taxa de juro reduzida, mas que o deixe dormir à noite, sem medo de perder o dinheiro que custou a juntar, então tem um perfil conservador. Para estes casos, há inúmeros produtos nos quais poderá aplicar as suas poupanças, como os depósitos a prazo, fundos de investimento de tesouraria ou certificados do tesouro.

 

9. Quem não arrisca não petisca

Ainda no campo dos investimentos há uma máxima que não deve ser esquecida: O risco e o retorno andam de “mãos dadas”. Ou seja, quando se analisa a rentabilidade associada a uma aplicação financeira, não se pode dissociar o conceito de retorno à da ideia de risco. Os dois termos estão interligados: os investimentos que comportam um nível de risco mais elevado são também aqueles que têm potencial para gerar ganhos mais exuberantes. Pelo contrário, as aplicações mais conservadoras, com pouco risco, geram retornos mais modestos.

Numa lógica de investimento, antes de decidir o que vai fazer às suas poupanças deverá questionar-se: ‘Quanto pretendo ganhar?’, ‘Estou disposto a arriscar o meu dinheiro?’ e ‘Quando necessito do dinheiro de volta?’.

Não se esqueça de que as estratégias de investimento mais agressivas devem ser delineadas a longo prazo, porque o risco dilui à medida que o período da aplicação aumenta. Se tomarmos o exemplo das ações, é conveniente investir numa perspetiva de longo prazo, uma vez que o ciclo pode ter altos e baixos e se resgatar o dinheiro a curto prazo por necessidade, poderá dar-se o caso de registar menos-valias e perder dinheiro.

 

10. Não coloque os ovos todos no mesmo cesto

Mesmo que seja mais afoito nos investimentos e esteja disposto a arriscar um pouco, é importante que não aplique todo o seu dinheiro em produtos de elevado risco, exatamente porque tem maior possibilidade de o perder.

A isto é o que se chama o princípio da diversificação: para minimizar o risco, deverá repartir o seu dinheiro por vários produtos de investimento com risco variável. Para se salvaguardar de eventuais perdas, deverá considerar investir o dinheiro de acordo com a pirâmide do investimento, que defende que deve haver sempre uma parte da poupança investida em produtos absolutamente seguros, com garantia de capital, que possam compensar eventuais perdas pelo investimento em produtos mais arriscados.

De acordo com o Manual das Finanças Pessoais, de João Pessoa Jorge e Ricardo Ferreira, o investidor deve investir de acordo com o seu perfil: Se for conservador pode investir 70% em obrigações, 20% em ações e 10% em outros. Se for moderado, pode investir 50% em obrigações, 35% em ações e 15% em outros ativos financeiros. Já um perfil mais agressivo pode investir 20% em obrigações, 70% em ações e 10% em outros instrumentos.

 

Veja todos os artigos que fazem parte do Especial Mês da Poupança 2014:

– Saiba como algumas emoções podem arruinar as poupanças

– Como renovar a sua casa sem gastar muito dinheiro 

– Como calcular os juros das suas poupanças?

– Entrevista: “A poupança não deve ser uma medida de SOS”

– 10 Dicas para poupar… com as crianças

– Quatro bloggers, quatro conselhos de poupança

– Teste- Descubra se é uma pessoa poupada ou gastadora?

– Entrevista: “Não é possível o Estado continuar a tomar conta de nós”

– 10 Dicas para poupar… em casa

– Seis programas de televisão que ajudam a poupar

– Entrevista: “A crise obrigou-nos a ter comportamentos mais inteligentes”

– 10 Dicas para poupar… com os transportes

– 10 Ditados que incentivam a boa gestão das poupanças

– Teste: Saiba qual é o seu perfil de investidor

– Entrevista- “Para poupar é necessária uma evolução económica positiva”

– 10 Dicas para poupar… na empresa

 

Deixe um comentário

A Caixa de Comentários é moderada. O Saldo Positivo reserva-se o direito de não publicar os comentários que possam ser considerados ofensivos.

PUB