10 mitos financeiros

Os mitos financeiros podem revelar alguma falta de literacia financeira.

Para Fernando Pessoa o “mito é o nada que é tudo”, ou seja, mesmo que a história (mito) não seja a verdade, o mito tem potencial para provocar certos e determinados comportamentos. Nas finanças pessoais os mitos também existem e os números podem ajudar a percebê-los.

De acordo com o Inquérito à Literacia Financeira da População Portuguesa, realizado no ano passado pelo Banco de Portugal, a maior parte dos portugueses revela poucos hábitos de poupança e fraca literacia financeira. Essa falta de cultura financeira acentua também a necessidade de sensibilizar cada vez mais a população nacional para que se comece a poupar mais e a encarar da melhor maneira todas as questões financeiras. Segundo os resultados, 9 por cento da população não sabe como é formada a taxa Euribor e 17 por cento desconhece o que é o spread. Estes e outros factos acentuam ainda mais a existência de mitos financeiros, que povoam o imaginário do dinheiro e servem de arma a rumores e enganos.

Os mitos poderão influenciar a sua maneira de ver as coisas. Desvendá-los poderá ser uma tarefa difícil, mas com resultados positivos

Mitos

Uma maior educação financeira resultará, certamente, num melhor combate às dúvidas de foro económico, a tomadas de decisões mais conscientes ou simplesmente a uma melhor interpretação das suas dívidas. Saber como funcionam alguns produtos financeiros ou simplesmente perceber como se “cria o dinheiro”, poderão ser situações-chave para uma vida melhor. Assim, se a sua educação financeira for superior à média, irá perceber que algumas frases não são apenas mais do que mitos, que foram ficando ao longo dos tempos.

  • Mito 1 – Apenas quem tem dinheiro é que percebe de economia. Este é um dos mitos mais falados na gíria económica. Apesar de muitas das vezes “dinheiro criar dinheiro”, não é certo que apenas os milionário percebam de finanças. A educação financeira está acessível a qualquer um, já que ela desvenda os conceitos, as atitudes e as posturas adequadas à gestão financeira pessoal. Por exemplo, a grande maioria dos milionários mundiais não são da área económica e subiram na carreira através de decisões certas em momentos que fizeram a diferença no seu futuro. O exemplo mais recente é o caso de Mark Zuckerberg, o fundador da rede social Facebook.
  • Mito 2 – As instituições financeiras preferem que os clientes saibam pouco. Um melhor conhecimento do produto financeiro em questão levará a que haja mais pessoas a querer esse produto. Além disso, há ainda a vertente temporal, já que quanto mais o cliente souber do produto, menos tempo passará nos balcões da instituição financeira. Com conhecimento acima da média, o investidor poderá ter um maior leque de produtos que façam parte das suas escolhas.
  • Mito 3 – A matemática resolve todos os problemas financeiros. Apesar de ser muito importante para a economia, as finanças comportamentais também são essenciais para resolver alguns problemas financeiros. Na maior parte das vezes, apenas ligando a parte racional à parte matemática é que se consegue resolver o problema. Siga o exemplo da actual crise económica mundial, uma crise em que a matemática por si só não resolve o problema.
  • Mito 4 – É preciso ser economista para saber de economia. Existem muitas maneira de um leigo em economia se tornar um especialistas na área. A maneira mais simples é através da leitura de alguns livros que ajudam a entender este meio tão complexo. Seja autodidacta e aprenda por si. Siga o exemplo de Susana Albuquerque, uma advogada que é especialista em finanças pessoais para mulheres e autora do livro “Independência Financeira para as Mulheres”.
  • Mito 5 – O dinheiro traz felicidade. Este é talvez dos mitos mais usados por toda a população mundial. Dinheiro a mais na sua conta não traz necessariamente felicidade. Lembre-se: de certeza que existem milionários que são mais infelizes que você. Segundo a lista da revista Forbes para os países mais felizes do mundo, verificamos que a população residente na Escandinávia é a mais feliz do Planeta (Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia). No entanto, os maiores milionários no globo são de outras regiões, como os Estados Unidos, China ou Japão e na lista dos mais felizes estão países como Brasil, Panamá e Costa Rica.
  • Mito 6 – A educação financeira é recente. Apesar de ser um tema que nos últimos anos tem sido mais desenvolvido, a sua criação não é contemporânea. Existem fábulas antigas que já tratam desse tema, como é o caso da “galinha dos ovos de ouro” ou a “cigarra e a formiga”. Também os livros religiosos tratam do tema financeiro, como é o caso da Bíblia e do Alcorão.
  • Mito 7 – Poupar é difícil. Poderá achar que apenas quem tem rendimentos altos é que consegue poupar, mas isso não é verdade. Se não consegue poupar ao fim do mês, tente mudar a sua estratégia. Quando recebe o seu salário, faça logo a sua poupança no momento, porque assim será mais fácil conseguir poupar.
  • Mito 8 – A bolsa de valores é como os jogos de azar, só serve para perder dinheiro. Os jogos de azar pressupõem que o vencedor fica com o dinheiro do perdedor, ou seja, não cria qualquer valor. Já o mercado de acções faz com que o valor da economia aumente, tornando as empresas mais fortes, ajudando assim a criar uma melhor forma de vida para todos.
  • Mito 9  – Para ter altos rendimentos, tenho que se arriscar muito na bolsa. É certo que as acções são os títulos com melhor resultado histórico nos últimos 100 anos, mas nem por isso implica um risco desmesurado. Uma estratégia de longo prazo, com dinheiro que não precise para momentos de aperto poderá fazê-lo sonhar com os rendimentos que quer e dar-lhe umas horas mais bem dormidas à noite pouco preocupado com os movimentos constantes do dia-a-dia do mercado de acções. Siga os indicadores principais das empresas de forma mais assertiva e previna-se.
  • Mito 10 – O mercado accionista acompanha o crescimento da economia. O crescimento da bolsa de valores não anda de braço dado com o crescimento da economia. Vejamos o exemplo: o PIB americano em 1969 foi de 1 trilião de dólares e o índice Dow Jones estava nos 1000 pontos. Em 1982 o PIB cresceu para os 3,3 triliões e a bolsa estava nos 1000 pontos, tal como 13 anos antes.

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