Alerta burnout: o que fazer se o seu trabalho o leva à exaustão?

Lidar com períodos de ‘stress’ intenso no trabalho, por mais de seis meses, pode levá-lo a um estado de ‘burnout’. Saiba como reagir.

Alerta burnout: o que fazer quando o trabalho o leva à exaustão?Está constantemente irritado, com dificuldades de concentração, insónias e uma apatia generalizada? Dependendo do seu emprego e da duração destes sintomas, estes poderão ser sinais de burnout. Ou seja, que a exposição prolongada ao ‘stress’ profissional está a afetá-lo de forma física e psicológica.

A síndrome do burnout há muito que é reconhecida por especialistas. A primeira menção a este distúrbio psíquico de caráter depressivo surge em 1974, pelo psicoterapeuta norte-americano Herbert Freudenberger. Contudo, o problema é quando quem sofre de burnout não consegue identificar os sinais de alerta. Mais do que uma angústia passageira, resultado de um dia mau no trabalho, esta síndrome marca uma longa exposição ao ‘stress’ profissional. Se os sintomas continuarem a ser ignorados, o problema tem tendência a piorar: do burnout pode passar a um quadro de depressão, ansiedade ou hipertensão.

Cerca de 17,3% dos trabalhadores portugueses são afetados pela síndrome de burnout, segundo o Barómetro de Riscos Psicossociais, coordenado pelo presidente da Associação Portuguesa de Psicologia da Saúde Ocupacional, João Paulo Pereira. As estatísticas, apresentadas em 2016, revelam ainda que quase 50% dos profissionais estão expostos a situações ‘stress’ que poderão resultar em burnout.

A doença manifesta-se sobretudo em profissões de risco, de alta responsabilidade ou de contacto direto e regular com o público. Mas é preciso esclarecer que qualquer pessoa pode sofrer com ‘stress’ no ambiente de trabalho. “Somos todos diferentes e cada caso deve ser visto individualmente”, destaca Maria Palha, psicóloga clínica, especializada em gestão de recursos humanos.

Existem, no entanto, boas notícias. Mesmo que o ritmo e competitividade no local de trabalho estejam a minar a sua saúde, há técnicas que podem ajudar a combater o ‘stress’. Analise os sinais de alerta do seu corpo, reconheça os elementos diários que podem ser gatilhos de ansiedade (o relacionamento com algum colega, prazos para terminar um projeto, exposição a riscos físicos ou ruído ambiente, por exemplo) e organize estratégias de bem-estar. Afinal, a sua saúde está em primeiro lugar.

 

Identificar sinais de alerta

Para a psicóloga, existem três perguntas que deve começar por responder, de forma a avaliar o seu nível de ‘stress’ profissional:

1. Estado físico Sente alguma alteração, em termos fisiológicos, depois de um período de ‘stress’?

2. Relação com os outros Está mais conflituoso, irritadiço, sem vontade de interagir com as pessoas que o rodeiam?

3. Relação com o mundo Sente que perdeu concentração, criatividade e esperança num futuro melhor?

Se as respostas forem positivas, há que prestar atenção redobrada à sua saúde. “Fala-se em períodos de exposição máxima ao ‘stress’ de seis meses, até se dar a passagem para um estado de burnout”, explica Maria Palha. A especialista indica ainda que, sem uma intervenção adequada, “o burnout vai corroendo o sistema”, evoluindo “para as conhecidas depressões, ansiedades, doenças autoimunes, hipertensões, diabetes ou outros”.

 

Que sintomas caracterizam o burnout?

Ao Saldo Positivo, a psicóloga clínica, autora dos livros “Uma Caixa de Primeiros Socorros das Emoções”, aponta os sinais mais comuns de burnout:

– Alteração dos ritmos de sono (interrupções de sono, insónias ou sensação de acordar cansado);
– Alteração de apetite (aumento ou perda) e consequente alteração de peso;
– Dificuldades de memória e de concentração, hiperatividade;
– Irritabilidade e agressividade;
– Instabilidade emocional;
– Sensação de que “ninguém percebe e todos estão errados”, com consequente isolamento social;
– Sensação de que “estão todos contra mim”;
– Sentido de humor mais sarcástico e ‘corrosivo’ (sobretudo em temas relacionados com trabalho);
– Falta de esperança;
– Perda de interesse em atividades que anteriormente davam contentamento e prazer;
– Dores físicas (gastrites, dores de cabeça, dores de costas,…);

 

O que fazer em caso de burnout?

Caso se identifique com estes sintomas e sinais de alerta, é recomendável que procure a ajuda de um profissional. No entanto, pode também desenvolver um conjunto de técnicas para contrariar as situações de ‘stress’ no local de trabalho. O mais importante é começar a identificar fatores de ‘stress’ (‘stressores’) e sinais de alerta do seu organismo, para que a situação não se agrave.

A par do reconhecimento dos ‘stressores’, comece a prestar atenção redobrada à maneira como reage aos períodos de stress. Nestas alturas, dê prioridade a momentos “para cuidar de si próprio”, sugere Maria Palha. Ou seja, ocasiões de lazer, atividades com amigos ou mais tempo dedicado a ‘hobbies’ que o fazem sentir bem, por exemplo. Seja também disciplinado na forma como dome e come: cumpra “horários certos de descanso” e reforce hábitos de alimentação saudável. Leia também o artigo: “7 dicas para controlar os níveis de stress no trabalho”.

 

É possível ter uma carreira de sucesso sem sofrer com o ‘stress’?

O ‘stress’ é um elemento fundamental no seu ambiente de trabalho. Faz com que o corpo e mente reajam rapidamente, melhorando a produtividade e, por exemplo, ajudando-o naquela corrida contra o tempo, para cumprir o prazo de entrega de um projeto. A certos níveis, o ‘stress’ dá um contributo positivo à sua carreira. Um pouco como um músico no momento de atuar em palco, a resposta fisiológica do corpo a uma nova situação, mantêm-no em estado de alerta, concentrado para superar desafios.

É importante, no entanto, que controle níveis excessivos de ‘stress’. O sucesso da sua carreira depende deste ponto de equilíbrio: um mínimo de ‘stress’, desencadeador de respostas rápidas no ambiente profissional, sem exceder os limites. “É extremamente importante que se introduza uma disciplina de ‘detox’ desse ‘stress’”, considera Maria Palha, defensora da necessidade de formar “guardiões de saúde emocional” em empresas (elementos capazes de sinalizar estados de burnout e ansiedade nas suas equipas de recursos humanos). Quanto a si, esteja constantemente atento a mudanças físicas e comportamentais. O seu corpo será sempre o primeiro a avisá-lo, quando estiver a pôr a carreira e a saúde em risco.

 

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