Calcular passo a passo o salário líquido de 2014

Com a publicação das tabelas de retenção de IRS já pode fazer as contas e saber com exatidão qual será o valor do seu salário este ano.

 salário líquidoFazer contas à vida. Sempre que um novo ano estreia, a generalidade dos portugueses aguarda, com alguma ansiedade, pela chegada da folha de salário no final do mês de janeiro para perceber se os seus salários vão encolher ao longo dos próximos 12 meses. Recorde-se que janeiro marca a entrada em vigor do Orçamento do Estado para o ano transato e é também o mês em que são publicadas as tabelas de retenção, que definem a parcela do salário que o Estado retém todos os meses para efeitos de IRS. Só depois de serem conhecidas estas tabelas é que as empresas e os trabalhadores podem fazer contas à vida, ou melhor, contas aos seus salários. Saiba então como pode calcular o valor líquido do seu salário para 2014 e veja se os seus rendimentos mensais vão ou não sofrer alterações face ao ano passado.

 

Funcionários Públicos com cortes de salário

1. Corte salarial:

Se é funcionário público há diferenças importantes a salientar no salário líquido que vai receber em 2014. Recorde-se que uma das medidas inscritas no Orçamento do Estado para 2014 consiste num corte dos salários dos trabalhadores da administração pública acima dos 675 euros. Entre este patamar e os 2.000 euros é aplicada uma taxa progressiva que vai dos 2,5% até aos 12%. Para os salários superiores a 2.000 euros recai uma taxa de 12% sobre o valor total das remunerações. Para apurar o valor exato do corte a que estará sujeito basta seguir a seguinte fórmula:

2,5%+ [(12%-2,5%) * [(valor da remuneração-675 euros)/(2000 euros – 675 euros)]

Exemplo:

Um funcionário público que tenha um salário bruto de 1850 euros, quando aplicada a fórmula acima descrita irá sentir um corte de 10,9% no seu rendimento. O que traduzido em euros, significa menos 202 euros.

 

 

2. Tabelas de retenção:

Apurado o valor do salário após os cortes previstos para a Função Pública, os trabalhadores terão de aplicar a taxa inscrita nas tabelas de retenção de IRS, de acordo com a sua remuneração mensal. As taxas de retenção a vigorar para o ano de 2014 foram divulgadas esta semana e são iguais às tabelas aplicadas para os trabalhadores do setor privado. Importa ainda ressalvar que são as mesmas tabelas que já estavam em vigor desde novembro do ano passado- já que com o chumbo do Tribunal Constitucional à suspensão do pagamento do subsídio de férias dos funcionários públicos e pensionistas, o Executivo viu-se obrigado a repor este subsídio e alterar em novembro as tabelas de retenção a aplicar aos funcionários públicos e pensionistas. Em termos práticos, significa que o salário dos funcionários públicos terá como referência as tabelas de retenção publicadas em novembro. No entanto, há uma diferença: como os salários dos funcionários públicos encolheram entretanto este ano por via dos cortes impostos pelo Orçamento do Estado isto significa que é possível que alguns trabalhadores baixem de escalão. Ou seja: É possível que lhes seja aplicada uma taxa de retenção mais baixa. Consulte aqui as tabelas de retenção a vigorar em 2014 e veja qual é o seu escalão.

 

Exemplo: 

Pegando no exemplo anterior de um funcionário público, casado, único titular e sem dependentes, com um ordenado bruto de 1850 euros. Sem os cortes de salário este trabalhador estaria sujeito a uma taxa de retenção mensal de IRS no seu salário de 16% (ou seja 296 euros). No entanto, como este funcionário sofreu um corte de 202 euros no seu salário, a taxa de retenção a aplicar terá em conta uma remuneração mensal de 1.648 euros (1.850 euros-202 euros). E, neste caso, a taxa de retenção a aplicar em 2014 será mais baixa: 14%, o que corresponderá a 230 euros.

 

 

3. Contribuições para a segurança social e ADSE:

Os funcionários públicos à semelhança dos trabalhadores do setor privado descontam 11% do seu salário para a Segurança Social. No caso dos funcionários públicos que sejam alvo de um corte salarial, a percentagem de desconto incidirá sobre o salário após o corte. O mesmo procedimento é válido para os descontos que estes trabalhadores fazem para a ADSE. E neste campo há novidades à vista. Atualmente a taxa de desconto para este subsistema de saúde é de 2,5% mas o Governo já anunciou que vai agravar em 2014 esta taxa de desconto para os 3,5%. Por isso, o salário dos funcionários vai encolher também por este efeito.

 

Exemplo:

No caso de um funcionário com um ordenado bruto de 1.850 euros, após o corte salarial, o seu ordenado ilíquido será de 1.648 euros. É sobre este valor que serão feitos os descontos para a Segurança Social (o que representa um desconto de 181 euros) para a ADSE (o equivalente a 41 euros com a taxa de desconto atual e 57,68 euros, quando os descontos forem agravados)

 

 

4. Sobretaxa de IRS de 3,5%:

À semelhança do que aconteceu no ano passado também os rendimentos de todos os trabalhadores, sejam eles do setor privado ou da administração pública, terão de pagar uma contribuição extraordinária de 3,5%. Neste campo não há alterações a registar. Recorde-se que esta taxa é cobrada mensalmente e incide sobre os montantes auferidos que excedam o salário mínimo nacional (485 euros). Para ver qual será o valor da sobretaxa que recai sobre o salário de um funcionário público basta seguir o exemplo em baixo.

 

Exemplo: 

Pegando mais uma vez no exemplo de um funcionário público com um salário bruto de 1.850 euros.

Valor da sobretaxa = salário bruto (1.850 euros) – corte salarial (202 euros) – taxa de retenção de IRS (230 euros)– 11% da contribuição para a segurança social (181,28 euros) – 3,5% de desconto para a ADSE (57,68 euros)- salário mínimo nacional (485 euros)*3,5%

Valor da Sobretaxa= 24,22 euros

 

 

5. Duodécimos relativos ao subsídio de Natal:

À semelhança do que aconteceu no ano passado também este ano os funcionários públicos e os reformados vão obrigatoriamente receber o seu subsídio de Natal de forma parcelar, ao longo dos 12 meses do ano, em regime de duodécimos. Esta medida pretende atenuar um pouco os efeitos da perda de rendimento mensal por via dos impostos, do corte de salários e do aumento dos descontos para a ADSE. Para saber com exatidão qual será a parcela líquida do subsídio de Natal que irá receber todos os meses de 2014 terá de fazer a retenção de IRS do subsídio, retirar-lhe também os descontos para a segurança social e para a ADSE e ainda contabilizar a sobretaxa de IRS e dividi-lo por 12 meses.

 

Exemplo:

No caso de um funcionário público com um salário de 1.850 euros, após o corte salarial previsto para este ano, o valor do subsídio de Natal ilíquido é de 1.648 euros. Dividindo esta parcela por 12 meses dá um valor de 137,33 euros por mês. Para obter o valor líquido dos duodécimos que irá receber mensalmente terá ainda que retirar 19,17 euros referente à retenção mensal de IRS; 15,11 euros relativos aos descontos para a Segurança Social, 4,80 euros relativos para a ADSE e não se esqueça de contabilizar ainda a sobretaxa de IRS que, neste caso, se traduz num valor de 2,01 euros. Contas feitas, poderá contar com um valor líquido de duodécimos todos os meses na ordem dos 96,23 euros.

 

Contas finais:  

2013 2014 
Salário bruto:1.850 eurosSalário bruto:1.850 euros
Corte salarial (3,5%):64,75 euros*Corte salarial (10,9%):202 euros
Taxa de retenção de IRS a aplicar (15%):267 eurosTaxa de retenção de IRS a aplicar (14%):230 euros
Descontos para a Segurança Social (11%):196,4 eurosDescontos para a Segurança Social (11%):181,28 euros
Descontos para a ADSE (2,25%):40,20 eurosDescontos para a ADSE (3,5%):57,68 euros
Sobretaxa de IRS (3,5%):27,9 eurosSobretaxa de IRS (3,5%):24,22 euros
Duodécimos do subsídio de Natal (líquido):104,42 eurosDuodécimos do subsídio de Natal (líquido):96,23 euros
Salário líquido em 2013:1.358,2 eurosSalário líquido em 2014:1.251,5 euros

*Recorde-se que no ano passado os funcionários públicos também já estavam sujeitos a um corte salarial, mas em moldes diferentes da situação verificada este ano. Em 2013, os trabalhadores da administração pública com salários brutos superiores a 1.500 euros estavam sujeitos a um corte que ia dos 3,5% até aos 10%.

 

 Continue a ler este artigo na página seguinte

Continue a ler o artigo nas páginas seguintes: 1 2 | Ver artigo Completo

Uma resposta a “Calcular passo a passo o salário líquido de 2014”

  1. José Valente

    Excelente. Obrigado pela sua imensa competência e isenção. Tem sido muito difícil encontrar esta informação de forma clara e rigorosa. Todas as outras que encontrei, e muito procurei, são apenas esboços que induzem sempre, invariavelmente, em erro. Muito obrigado. Repito, muito obrigado.

    Responder

Deixe um comentário

A Caixa de Comentários é moderada. O Saldo Positivo reserva-se o direito de não publicar os comentários que possam ser considerados ofensivos.

PUB