Convença o seu banco a dar-lhe crédito

Saiba como convencer o seu banco a dar-lhe crédito.

Nos tempos que correm conseguir aceder a um empréstimo, seja de que natureza for, não é uma tarefa fácil. A crise financeira que assolou o mundo desde a falência da Lehman Brothers e que se intensificou com o eclodir dos problemas da dívida soberana nos países periféricos europeus, colocou pressão sobre as instituições financeiras europeias e levou praticamente ao encerramento do mercado interbancário.

Sem acesso a liquidez, os bancos tiveram de restringir os níveis de concessão de crédito aos particulares e às empresas. Uma tendência que foi ainda reforçada devido a dois fatores: na sequência do pedido de ajuda externa, a Troika impôs ao sector financeiro metas de redução do rácio de transformação (que mede a relação entre créditos e depósitos de uma instituição). A banca teve então de baixar este rácio através da diminuição da concessão de crédito e do aumento da captação de depósitos. Ao mesmo tempo, as medidas de austeridade que foram sendo implementadas desde 2010, levaram a um aumento da taxa de desemprego e à perda do rendimento disponível, conduzindo ao disparar do número de famílias e empresas que deixaram de conseguir para os seus empréstimos.

Todos estes ingredientes juntos ajudam a explicar o facto da banca ser hoje mais cautelosa e criteriosa na altura de conceder um crédito, do que há cinco anos atrás. Mas o facto de ser difícil, não significa que seja impossível convencer o seu banco a dar-lhe crédito. Os números do Banco de Portugal mostram que as instituições financeira concederam em Setembro 492 milhões de novos empréstimos às famílias portuguesas. Apesar de se tratar de um número muito modesto quando comparado com a média mensal de novo crédito concedido verificada há dois anos atrás, mostra que algumas famílias continuam a conseguir ter acesso a financiamento.

Se pertence ao clube de pessoas que está à procura de crédito, o Saldo Positivo dá-lhe a conhecer seis características muito valorizadas pela banca na altura de decidir se dão a um cliente. Conheça-as.

1. Não tem histórico de créditos em incumprimento

Ter a “ficha limpa”, ou seja, ter um passado sem mácula de incumprimento ou de atraso de pagamento de prestações junto das instituições financeiras é importante para que o seu banco confie em si e lhe conceda um empréstimo.

2. Tem uma situação profissional estável

Se for ao balcão de um banco pedir um crédito, o funcionário daquela instituição irá, em primeiro lugar, perguntar como se chama. As perguntas seguintes serão: qual é o seu trabalho e qual é a sua situação profissional? Quanto mais estável for o seu emprego e quanto mais forte for o vínculo à sua entidade patronal, mais hipóteses terá de conseguir um empréstimo. Um facto que se explica pelo perfil de risco que cada cliente representa para uma instituição. Assim, à partida, uma pessoa que esteja desempregada representa um risco maior para o banco do que uma pessoa que esteja efetiva- ou seja, que tenha um contrato de trabalho sem termo. No entanto, é importante ressalvar que a análise ao perfil de risco de um cliente tem em conta um conjunto de vários fatores e não apenas um único.

3. Tem dinheiro para dar de entrada

A atribuição de financiamento a 100% é hoje uma raridade e que faz parte das práticas do passado. Hoje as instituições financeiras, um pouco por toda a Europa, exigem mais garantias na altura de concederem um crédito. Atualmente, por exemplo, as instituições financeiras concedem empréstimos à habitação com base num rácio LTV (loan to value) que no máximo atinge os 80%. Quer isto dizer que a banca empresta até 80% do valor do imóvel. Perante esta situação, e para conseguir convencer o seu banco a dar-lhe um crédito, é importante ter um determinado montante de capital disponível para dar de “entrada” ao banco.

4. A sua taxa de esforço com o novo crédito é baixa

Se tem muitos créditos a seu cargo e se a sua taxa de esforço já é elevada terá mais dificuldades em conseguir ter luz verde para aceder a um financiamento. Recorde-se que a taxa de esforço mede a relação entre os encargos de uma família com um empréstimo com seus rendimentos. Quanto mais alta for essa taxa, maior será o peso do créditos no orçamento de uma família. O ideal será se a sua taxa de esforço com o novo crédito se situe abaixo da fasquia dos 35%.

5. Tem envolvimento com o banco

É um bom cliente do seu banco? Tem vários produtos e serviços financeiros subscritos nessa instituição? Tem poupanças ali alocadas? Se a resposta a estas questões for positiva então acumulará mais alguns pontos quando fizer uma “operação de charme” junto da sua instituição financeira na altura de requisitar um empréstimo. Ao mesmo tempo, quanto maior for o seu envolvimento com o banco, mais hipóteses terá de receber um ‘spread’ um pouco mais simpático, face à média praticada.

6. Tem um fiador

Como forma de reforçar as garantias na concessão de um crédito é recorrente as instituições financeiras pedirem a existência de um fiador– uma prática comum, principalmente, no caso dos empréstimos à habitação. Desta forma, caso o cliente deixe de conseguir pagar o empréstimo, o fiador fica responsável pelo pagamento da dívida e o banco fica mais salvaguardado. Por isso mesmo, se tiver um familiar que aceite ser seu fiador poderá usar este facto como trunfo para conseguir convencer o seu banco a conceder-lhe o empréstimo que procura.

 

 

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