Como investir em arte?

O mercado internacional de arte está a começar a dar sinais de recuperação. Saiba o que acontece em Portugal.

art1Depois de um ciclo de queda, que se iniciou em 2009, o ano de 2013 trouxe algum ânimo ao mercado de arte. A nível mundial, no ano passado o volume de transações aumentou 5% em relação a 2012, uma performance que foi acelerada no último trimestre do ano, altura em que foram vendidas sete das dez obras mais caras do ano, nomeadamente o “Three Studies of Lucian Freud”, o tríptico do pintor Francis Bacon que foi arrematado por 142 milhões de dólares (aproximadamente 103 milhões de euros), tornando-se na obra de arte vendida pelo preço mais elevado de sempre em leilão.

Em Portugal o mercado de arte não tem conseguido acompanhar esta recuperação, em muito devido à redução dos apoios públicos e privados à aquisição de obras de arte por parte de instituições. “Esta recessão teve reflexos no mercado, houve uma erosão (redução) geral dos preços em relação ao que se praticava há uns anos”, afirmou Pedro Alvim, responsável da Cabral Moncada Leilões, ao Saldo Positivo. Esta queda dos preços poderá ser atribuída não só à crise económica, mas também à mudança de paradigmas e mentalidades. “As casas são mais pequenas, mais leves do que eram, mais despojadas. Isto é uma mudança sociocultural, de mentalidades e de gosto que se reflete no mercado: há mais pessoas a querem vender do que a comprar”, continua Pedro Alvim. Esta queda dos preços faz com que haja “peças de antiguidade mais baratas do que o Ikea, com a vantagem de que são únicas e não peças de massa”.

 

Crise: a altura ideal para investir?

Em tempos crise investir em arte pode ser uma boa forma de diversificar a carteira de investimentos, uma vez que estes ativos alternativos poderão ser menos suscetíveis à instabilidade dos mercados financeiros tradicionais. Mas atenção: não se trata de um investimento para todas as carteiras. “É um bom investimento para quem tem dinheiro para investir, porque há quem precisa de vender pois está falido”, explica Sebastião Pinto Ribeiro, administrador da leiloeira Palácio do Correio Velho. Quem precisa de realizar dinheiro rapidamente, coloca os bens à venda, como se de uma ação se tratasse, que serão comercializados ao preço que o mercado está disposto a pagar e em tempo de crise quem tem dinheiro é que define o valor do artigo.

“Há coisas que só vêm ao mercado de 100 em 100 anos, que tendem a aparecer nos momentos de maior aperto: crises económicas ou guerras. Os preços não são o que eram antigamente, mas a nível de quantidade tem-nos aparecido muitas coisas especiais, mais atrativas para compradores”, prossegue o especialista da Palácio Correio Velho. Também Pedro Alvim confirma o aparecimento de obras de grande valor nos últimos anos. No entanto, acrescenta que “a sensação é de que o pico de peças extraordinárias a aparecer no mercado que não costumavam aparecer já passou”, tendo acontecido entre 2011 e 2013.

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