Como investir o subsídio de Natal

Conheça algumas formas de investir o seu subsídio de Natal.

Publicado em: Como investir Investir

O Natal é sinónimo de festa em família, comida saborosa, troca de presentes, mas é também altura de um dos maiores balões de oxigénio das famílias portuguesas: o subsídio de Natal. Este ano aproveite-o da melhor forma, pois, devido às alterações que estão em curso, no próximo ano os funcionários do setor privado deverão receber parte deste subsídio em regime de duodécimos. Já os funcionários públicos que viram já este ano o seu subsídio de Natal ser beliscado irão ver este subsídio a ser reposto. No entanto, ele será distribuído mensalmente em regime de duodécimos.

Recorde-se que até agora, apenas os funcionários públicos é que têm o seu subsídio de natal afetado. Quem recebe acima 1100 euros não recebe subsídio. Já os trabalhadores da função pública que ganham entre 600 e 1100 euros perdem o equivalente a um dos subsídios. Apenas os funcionários que ganham até 600 euros mantém os dois subsídios.

Se o seu subsídio de Natal não vai ser beliscado, aproveite este ano para poupar para uma emergência. Conheça as cinco ideias do Saldo Positivo para o seu subsídio de Natal.

1. Reforçar o fundo de emergência

Como o Saldo Positivo sempre defendeu, o fundo de emergência é uma ferramenta essencial para os agregados familiares que se queiram considerar financeiramente saudáveis. Se ainda não tem um, esta é a altura certa para começar a fazê-lo.

O fundo de emergência é uma reserva financeira que apenas deverá ser utilizada em situações excecionais e emergentes, que impliquem a redução de rendimentos do agregado familiar ou uma quantidade avultada de dinheiro, como por exemplo: o desemprego, a redução de rendimentos por via de doença, uma despesa médica ou um arranjo inesperado do automóvel (a compra de um carro novo ou a viagem para o Brasil não entram nesta equação). O fundo de emergência deve conter o valor equivalente às suas despesas fixas para um período entre três a seis meses. Ou seja, se as suas despesas fixas mensais são de 400 euros, o fundo deverá ter entre 1200 a 2400 euros.

Este dinheiro não deverá ficar parado, mas apenas deverá ser aplicado em produtos absolutamente seguros. Enquanto está a constituir a poupança, coloque o dinheiro numa conta-poupança, pois, embora não paguem juros elevados, permitem reforços a qualquer altura. Uma vez tendo juntado a quantia pretendida, coloque o dinheiro a render num depósito a prazo, pois oferecem remunerações mais atrativas.

2. Colocar na poupança para a reforma

Poupar para a reforma é cada vez mais importante. A introdução do fator de sustentabilidade – que faz depender o valor da reforma da evolução da esperança média de vida, faz com que o valor que irá receber de reforma seja tendencialmente mais pequeno. Quem se reformou em 2012, viu a sua pensão reduzida em 3,9%. Segundo o estudo Inovar a Reforma, em 2050 a quebra será de 35,8%. Por isso, se não quer perder poder de compra durante este período da sua vida, a melhor solução é fazer uma poupança com este fim.

Existem produtos especialmente concebidos para a aposentadoria, como os Planos Poupança Reforma (PPR), em forma de seguro ou fundo de investimento, ou os certificados de reforma. A escolha do produto financeiro onde aplicar as poupanças deverá ser feita tendo em conta a sua idade: quanto mais jovem, mais deverá arriscar. Isto porque as aplicações com maior nível de risco associado têm potencial para gerar maiores ganhos. E mesmo que um destes investimentos registe uma desvalorização considerável, como ainda tem muito tempo até chegar à idade da reforma, terá tempo para recuperar esta desvalorização. No entanto, a partir dos 50 anos, recomenda-se mais moderação nos investimentos e deverá colocar o seu dinheiro em produtos absolutamente seguros. Quando escolher o produto, tenha em consideração a taxa de juro, as comissões de subscrição, de resgate antecipado e de gestão.

3. Amortizar crédito à habitação

Aproveitar o subsídio de Natal para amortizar o crédito à habitação é sempre uma hipótese a ter em conta. Mesmo numa altura em que as Euribor, indexante de referência para os créditos com taxa de juro variável, estão em baixo, é sempre importante considerar esta hipótese. Ao amortizar o capital em dívida está a poupar a curto e a longo prazo, isto porque está, não só a reduzir a fatura mensal, como ainda vai acabar por pagar menos de juros ao banco.

A título de exemplo, um agregado familiar que tenha um crédito à habitação de 100 mil euros, a pagar em 30 anos, com uma Taxa Anual Nominal (TAN) de 3,5%, paga uma mensalidade de 449,04 euros. Caso abata 3 mil euros com o subsídio de natal, passa a pagar 444,32 euros, o que perfaz uma poupança mensal de 4,72 euros e uma poupança anual de 56,64 euros. Ao final dos 30 anos do empréstimo, este passo permite-lhe poupar 1699 euros.

4. Se não tiver uma poupança, comece…

Se, para além do fundo de emergência, não tem uma poupança para trocar de automóvel quando for necessário, pagar as suas férias de sonho sem esforço ou até mesmo para abater no crédito à habitação, então é a altura de o fazer.

Uma boa gestão das finanças caseiras implica que uma parte dos rendimentos do agregado familiar seja destinado à poupança e depois colocado a render. Os seus investimentos devem seguir alguns princípios básicos, como: conhecer bem o produto onde vai colocar o dinheiro, comparar o comportamento da aplicação com as alternativas no mercado, ter cuidado para não pôr em risco o bem-estar familiar e, por último, diversificar os investimentos.

5. Se já tiver poupança, arrisque

Já diz o ditado popular que quem “não arrisca, não petisca”. Se a gestão das contas do seu agregado familiar já englobar a poupança para os mais diversos fins, então esta é a altura de arriscar um pouco.

Tenha em atenção que não deve arriscar todas as suas poupanças. Faça-o de acordo com a pirâmide de investimento: à medida que os investimentos da base geram rendimento, deve investir 10% desse montante em produtos de médio risco, como alguns fundos de investimento ou até mesmo ações- mas apenas para quem tenha o perfil de investidor adequado para experimentar este tipo de ativos mais arriscados. Caso não se sinta confortável a investir em ações, opte por investir coletivamente, através de fundos de investimento de ações.

Rute Gonçalves Marques

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