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Como lidar com o stress financeiro provocado pela crise

stressartigo [1]A palavra “crise” está nas bocas do mundo e entrou como um furacão em muitas casas portuguesas. Com ela veio o desemprego galopante e o agravamento do problema do sobreendividamento, causando um grande stress financeiro nas famílias.

Às dificuldades financeiras junta-se a incerteza sobre o futuro: o medo de perder o trabalho ou os investimentos realizados, a possibilidade de ter os salários reduzidos ou congelados enquanto o custo de vida continua a aumentar ou a maior pressão no emprego com alterações de horário e sobrecarga de responsabilidades. São motivos mais do que suficientes para que as famílias estejam sob um stress financeiro que, em casos mais graves, pode conduzir a sentimentos de ansiedade, desalento, impotência, vazio e solidão.

Os números não deixam margem para dúvidas sobre a gravidade da situação que muitas famílias enfrentam. Entre Janeiro e Junho de 2013, foram 17.380 as pessoas que pediram ajuda ao gabinete de apoio ao sobreendividado da Deco, mais 10% do que nos primeiros seis meses do ano anterior e mais 60% do que no mesmo período de 2011.

Em declarações ao Saldo Positivo,uma especialista em lidar com casos de pessoas sobreendividadas confirma que é confrontada com estes casos todos os dias e diz que é frequente as famílias acusarem um grande desgaste físico e emocional, que muitas vezes não dispensa um acompanhamento psicológico.

Como se a impossibilidade de fazer face às suas necessidades e às dos que dependem de si não bastasse, muitas vezes as famílias confrontam-se com o assédio das empresas de recuperação de créditos. “Recebemos denúncias de pessoas que estão constantemente a receber telefonemas no local de trabalho, alguns cobradores chegam mesmo a contar a situação aos superiores hierárquicos e aos vizinhos, fazem contactos pessoais e intimidatórios”, adianta a mesma técnica.

Sob pressão, as relações familiares acabam muitas vezes por se desagregar. São vários os casos de separação nestas situações e a mesma especialista refere que muitos divórcios só não se consumam porque os elementos do casal não têm meios financeiros para sustentar uma segunda casa, acabando “por partilhar a morada ainda que com vidas separadas”.

Nestes casos, agir rapidamente é fundamental. Saiba como:

 

1. Reaja desde logo

Muitas vezes por falta de literacia financeira ou por vergonha, as situações acabam por se arrastar e agravar. Não negue o problema, quando começar a não cumprir as suas obrigações e o pagamento de créditos, mesmo que pequenos, algo não está bem.

 

2. Apoie-se nos seus amigos e familiares

Perante as dificuldades financeiras, as pessoas tendem a isolar-se, mas lembre-se que é muito importante contar com os que lhe são mais próximos, a começar pela família.

 

3. Não esconda as dificuldades aos mais novos

As dificuldades financeiras atingem todo o agregado familiar e a tendência para esconder a verdadeira situação aos filhos é sempre uma má prática. Os mais novos acabam por se aperceber das dificuldades, portanto, o melhor é conversar com eles de forma simples e adequada à idade de cada um, explique-lhe que não há culpados pela situação e que há outras famílias em condições semelhantes. Envolva-os tornando-os agentes ativos: explique como podem poupar água e energia, depois partilhe com eles o resultado dessa mudança de comportamento; permita que eles participem na discussão do orçamento familiar, percebendo o que são gastos essenciais e compreendam a extravagância de algumas das suas exigências; leve-os às compras e desafie-os a encontrarem os produtos mais baratos no supermercado.

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4. Partilhe a sua situação com a família mais alargada

Num tio ou primo mais afastado pode residir uma hipótese alternativa de emprego, de conseguir um apoio financeiro pontual, ou uma ajuda para o dia-a-dia, como por exemplo assistência para as crianças.

 

5. Trate de si

Não ignore nem oculte os sintomas e, caso seja preciso, não hesite em pedir ajuda. Descanse (durma pelo menos sete horas por dia), tenha uma alimentação equilibrada, mantenha uma atividade física (não precisa de pagar uma mensalidade num ginásio, basta correr ou fazer caminhadas ao ar livre e ajudará a combater o stress negativo e a melhorar o humor) e não deixe de socializar.

 

6. Previna uma espiral depressiva

Algumas pessoas acabam por cair em depressão e iniciam uma sucessão de baixas médicas que em muitos casos culmina na não renovação do contrato de trabalho. Os técnicos que lidam com casos de pessoas sobreendividadas referem que é frequente ouvir as pessoas dizerem,  “a título de desabafo e desespero”, que se vão suicidar.

 

7. Procure um médico

Se sentir que o desânimo se pode transformar numa depressão – com sentimentos de frustração, irritabilidade, apatia, dificuldade de concentração, insegurança, falta de auto-estima ou pensamentos sobre a morte ou ainda sintomas como dores ou aperto no peito, taquicardia, dificuldades digestivas – peça a ajuda de um psicólogo ou psiquiatra. Muitas juntas de freguesia disponibilizam este tipo de apoio psicológico, pode também marcar uma consulta no seu centro de saúde.

 

8. Organize o orçamento

Programe todas as suas despesas e registe os gastos num documento no computador ou em papel, estabeleça um ‘plafond’ para as compras diárias.