Regresso aos mercados: O que significa?

Conheça a importância e significado do regresso aos mercados de Portugal.

É a notícia da semana: Portugal regressou aos mercados e conseguiu financiar-se em 2,5 mil milhões de euros através da colocação de uma emissão de obrigações de dívida pública a cinco anos, pela qual vai pagar, em média, 4,891% por ano. Um verdadeiro marco, já que desde 2011 que o Estado português não colocava uma emissão de obrigações de longo prazo. Recorde-se que desde que a crise da dívida pública e os problemas orçamentais eclodiram nos países periféricos da Zona Euro que os grandes investidores institucionais se mostraram indisponíveis para emprestar dinheiro a estes países mais problemáticos, como foi o caso de Portugal. Esta tendência negativa começa agora a dar sinais de inversão. Prova disso mesmo foi a elevada procura registada pelo leilão de dívida portuguesa desta semana: foram registadas ordens de compra no montante de 12 mil milhões de euros.

O regresso de Portugal aos mercados também afeta a sua carteira

O tema do regresso de Portugal aos mercados tem merecido um grande destaque na comunicação social e os motivos para tal relevância são mais do que muitos. Em última análise, a sua carteira também poderá ser afetada. O Saldo Positivo diz-lhe como.

1. Recuperação da autonomia e independência financeira do País

Em primeira análise, o regresso de Portugal aos mercados significa que o Estado português recupera a sua capacidade para se financiar de forma autónoma. Ou seja, sem ser necessário o recurso aos empréstimos concedidos pela “troika”. Recorde-se que o FMI, BCE e Comissão Europeia emprestaram 78 mil milhões de euros a Portugal mas exigiram contrapartidas. Desde então que as políticas levadas a cabo pelo Governo são monitorizadas trimestralmente por estas entidades. Quanto mais depressa Portugal conseguir cumprir com as metas do memorando e regressar aos mercados, mais facilmente recupera a sua autonomia.

2. Travão à austeridade

Se Portugal não conseguir emitir, de forma regular e sustentada, dívida de longo prazo nos mercados até ao final do programa de ajustamento económico e financeiro, torna-se difícil para o Estado português garantir a sua autonomia financeira. Em última análise, poderia significar o prolongamento da permanência da “troika” no País. E se este cenário mais pessimista se concretizasse, não seria de descartar a possibilidade de implementação de novas medidas de austeridade. Assim, o cumprimento das metas da “troika” e o regresso aos mercados poderão funcionar com um travão a mais austeridade.

3. Maior facilidade de acesso a crédito e a taxas de juro mais baixas

Se o Estado não conseguir restaurar a sua credibilidade e convencer os investidores a comprar a sua dívida pública, não é só o Estado que fica impossibilitado de se financiar externamente. Empresas e bancos, que precisam de se financiar nos mercados internacionais também são confrontados pelo mesmo problema. Por isso, o regresso de Portugal aos mercados será o primeiro passo para a “reabertura da torneira do crédito” à economia nacional, a taxas de juro mais baixas do que as atuais. Recorde-se questão do financiamento à economia é uma condição fulcral para Portugal conseguir “fintar” a recessão e regressar ao crescimento, uma vez que o acesso ao crédito permitirá às empresas fazerem investimentos, crescerem e contratarem mais colaboradores. Mas atenção: Dificilmente será possível voltar a ver a banca nacional a emprestar dinheiro com ‘spreads’ tão baixos como os praticados nos anos anteriores a esta crise.

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