Os conselhos de poupança de quatro figuras públicas

O Saldo Positivo falou com quatro figuras públicas para saber quais são os seus rituais de poupança e de gestão de orçamento familiar.

wall_fame-380x253A chegada de um bebé é sinónimo de alegria mas também de despesas extra no orçamento familiar. Vanessa Oliveira, apresentadora de televisão e mãe de um bebé, conhece bem de perto esta realidade. Assumindo-se como uma pessoa forreta, a co-apresentadora do programa Há Tarde na RTP1, contou ao Saldo Positivo que quando estava grávida de seis meses começou a fazer contas para ver quantas fraldas o seu filho iria gastar por dia. Com uma estimativa na cabeça, deslocou-se a várias superfícies comerciais em busca das promoções e acabou por comprar as fraldas suficientes até o filho completar um ano. “Construi um ‘stock’ e comprei tudo a 50% de desconto. Aliás, até hoje não comprei um único pacote de fraldas que não tivesse um desconto de 50%”, explicou ao Saldo Positivo.

Tal como Vanessa Oliveira, milhões de portugueses procuram as promoções e os descontos para fazerem compras de supermercado mais baratas. É um hábito que se interiorizou nos portugueses para conseguirem poupar. Um estudo divulgado neste verão pela consultora Kantar Worldpanel, mostra que a venda de artigos em promoção já correspondia em Portugal a 19% do total das compras realizadas. O que comprova como os portugueses estão rendidos às promoções, como resultado do contexto de crise. A situação económica obrigou, aliás, uma mudança geral de comportamentos por parte da sociedade portuguesa e nem mesmo as figuras públicas que conhecemos através da televisão, dos jornais e revistas, escaparam a esta tendência e tiveram de alterar comportamentos. Foi neste sentido que o Saldo Positivo pediu a quatro figuras públicas – a apresentadora Vanessa Oliveira, o apresentador e humorista Herman José, a chef Justa Nobre e o nadador olímpico Simão Morgado – que nos dessem a conhecer os seus conselhos de poupança que implementam nas suas vidas.

 

Vanessa Oliveira: “Sou muito forreta”

vanessa oliveiraAntes de o Saldo Positivo lançar a primeira pergunta à apresentadora, durante um intervalo do programa “Há Tarde”, Vanessa Oliveira colocou os “pontos no ‘i’s” e confessou: “Sou muito forreta”. Como tal, não é de estranhar que tenha adquirido ao longo de vários anos, alguns hábitos de controlo de despesa. “Faço muita comparação de preços e analiso os talões das compras. Tenho especial cuidado no que diz respeito à alimentação, para não deitar comida fora ou desperdiçar os alimentos. Às vezes, prefiro ir mais vezes ao supermercado e comprar menos quantidade de comida, para não estragar”, afiança.

Para a adoção destes gestos e comportamentos, muito contribuiu a educação dos pais. Mas há outros hábitos que foi apreendendo, principalmente, depois de ter sido mãe. “Por exemplo, sei que algumas farmácias vendem pacotes de leite em pó, com 50% de desconto. E em vez de estar à espera pelo fim do leite para ir a correr comprá-lo, antes de o leite chegar ao fim, vou à procura das farmácias que praticam este tipo de descontos para não fazer uma compra de emergência e gastar mais dinheiro. E faço isto em muitas coisas na minha vida”, afiança.

Sobre o impacto da crise na sua vida, Vanessa Oliveira, refere que é possível que jante menos vezes fora, mas a sua vida não mudou substancialmente: “A crise não afetou muito os meus hábitos porque já tinha ‘a priori’ hábitos de poupança. Sempre fui muito controlada, por isso, quando a crise chegou apenas tive de manter aquilo que já fazia antes”.

 

Chef Justa Nobre: “Para evitar o desperdício compro mais vezes por semana os legumes, a fruta e tudo o que sejam produtos mais sensíveis”

justa1No setor da restauração não se pode dizer que a crise tenha passado ao lado. Segundo estimativas da Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), nos últimos dois anos, devido à subida do IVA, cerca de 20.000 estabelecimentos de restauração fecharam portas. E não é difícil perceber porquê: num momento de controlo apertado dos orçamentos familiares, as idas aos restaurantes e os consumos nos cafés passam a estar mais cingidas. Muitos dos espaços, mesmo os mais emblemáticos, fizeram algumas alterações nos menus oferecidos. A chef Justa Nobre – do restaurante Spazio Buondi e que há um ano é a cara da marca Bitoque no Ponto, uma cadeia de restauração com sete lojas em espaços comerciais – também fez adaptações. “Os portugueses gostam de comer fora. Não existe ninguém que não goste de ir jantar fora, nem que seja no dia de aniversário. É um hábito e mesmo com a crise é possível fazê-lo. A restauração já tem ofertas económicas”. E adianta: ”No meu restaurante para que as pessoas possam ter escolha de pratos mais económicos tenho uma enorme diversidade de produtos”.

Natural de uma aldeia transmontana, Justa Nobre largou a sua terra aos 15 anos e rumou a Lisboa para tentar a sua sorte. O caminho batalhado levou-a desde sempre a ser comedida nas despesas. “No meu tempo, andávamos dois e três meses a juntar dinheiro para comprar uma toilette que nos durava três anos. Se fizermos bem as contas, vamos chegar à conclusão que o melhor é fazer o mesmo nos dias de hoje”, explica ao Saldo Positivo. No dia-a-dia, quer na sua vida profissional, quer na sua vida pessoal, hábitos de poupança que não dispensa. ”Quando cozinho um robalo ou uma garoupa, as cabeças dos peixes como não são servidas ao cliente, servem para fazer as refeições do pessoal. E para evitar o desperdício, compro mais vezes por semana os legumes, a fruta e tudo o que sejam produtos mais sensíveis”. Mas há mais: para Justa Nobre são inúmeras as estratégias que se podem colocar em prática para garantir que os gastos com a alimentação não disparam. “Temos de fazer alguma economia, tomar atenção e obrigatoriamente fazer primeiro uma lista dos bens essenciais”, explica. E para ela, tal como para Lavoisier, na cozinha “nada se perde, tudo se transforma”. Por exemplo: do pão duro é possível fazer-se uma açorda ou pão ralado, das claras de ovo que sobraram de uma sobremesa faz-se uma tortilha suficiente para alimentar duas pessoas. Para tal, basta haver alguma criatividade.

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