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Os conselhos de poupança de quatro figuras públicas

wall_fame-380x253 [1]A chegada de um bebé é sinónimo de alegria mas também de despesas extra no orçamento familiar. Vanessa Oliveira, apresentadora de televisão e mãe de um bebé, conhece bem de perto esta realidade. Assumindo-se como uma pessoa forreta, a co-apresentadora do programa Há Tarde [2]na RTP1, contou ao Saldo Positivo que quando estava grávida de seis meses começou a fazer contas para ver quantas fraldas o seu filho iria gastar por dia. Com uma estimativa na cabeça, deslocou-se a várias superfícies comerciais em busca das promoções e acabou por comprar as fraldas suficientes até o filho completar um ano. “Construi um ‘stock’ e comprei tudo a 50% de desconto. Aliás, até hoje não comprei um único pacote de fraldas que não tivesse um desconto de 50%”, explicou ao Saldo Positivo.

Tal como Vanessa Oliveira, milhões de portugueses procuram as promoções e os descontos para fazerem compras de supermercado mais baratas. É um hábito que se interiorizou nos portugueses para conseguirem poupar. Um estudo divulgado neste verão pela consultora Kantar Worldpanel, mostra que a venda de artigos em promoção já correspondia em Portugal a 19% do total das compras realizadas. O que comprova como os portugueses estão rendidos às promoções, como resultado do contexto de crise. A situação económica obrigou, aliás, uma mudança geral de comportamentos por parte da sociedade portuguesa e nem mesmo as figuras públicas que conhecemos através da televisão, dos jornais e revistas, escaparam a esta tendência e tiveram de alterar comportamentos. Foi neste sentido que o Saldo Positivo pediu a quatro figuras públicas – a apresentadora Vanessa Oliveira, o apresentador e humorista Herman José, a chef Justa Nobre e o nadador olímpico Simão Morgado – que nos dessem a conhecer os seus conselhos de poupança que implementam nas suas vidas.

 

Vanessa Oliveira: “Sou muito forreta”

vanessa oliveira [3]Antes de o Saldo Positivo lançar a primeira pergunta à apresentadora, durante um intervalo do programa “Há Tarde”, Vanessa Oliveira colocou os “pontos no ‘i’s” e confessou: “Sou muito forreta”. Como tal, não é de estranhar que tenha adquirido ao longo de vários anos, alguns hábitos de controlo de despesa. “Faço muita comparação de preços e analiso os talões das compras. Tenho especial cuidado no que diz respeito à alimentação, para não deitar comida fora ou desperdiçar os alimentos. Às vezes, prefiro ir mais vezes ao supermercado e comprar menos quantidade de comida, para não estragar”, afiança.

Para a adoção destes gestos e comportamentos, muito contribuiu a educação dos pais. Mas há outros hábitos que foi apreendendo, principalmente, depois de ter sido mãe. “Por exemplo, sei que algumas farmácias vendem pacotes de leite em pó, com 50% de desconto. E em vez de estar à espera pelo fim do leite para ir a correr comprá-lo, antes de o leite chegar ao fim, vou à procura das farmácias que praticam este tipo de descontos para não fazer uma compra de emergência e gastar mais dinheiro. E faço isto em muitas coisas na minha vida”, afiança.

Sobre o impacto da crise na sua vida, Vanessa Oliveira, refere que é possível que jante menos vezes fora, mas a sua vida não mudou substancialmente: “A crise não afetou muito os meus hábitos porque já tinha ‘a priori’ hábitos de poupança. Sempre fui muito controlada, por isso, quando a crise chegou apenas tive de manter aquilo que já fazia antes”.

 

Chef Justa Nobre: “Para evitar o desperdício compro mais vezes por semana os legumes, a fruta e tudo o que sejam produtos mais sensíveis”

justa1 [4]No setor da restauração não se pode dizer que a crise tenha passado ao lado. Segundo estimativas da Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), nos últimos dois anos, devido à subida do IVA, cerca de 20.000 estabelecimentos de restauração fecharam portas. E não é difícil perceber porquê: num momento de controlo apertado dos orçamentos familiares, as idas aos restaurantes e os consumos nos cafés passam a estar mais cingidas. Muitos dos espaços, mesmo os mais emblemáticos, fizeram algumas alterações nos menus oferecidos. A chef Justa Nobre – do restaurante Spazio Buondi [5]e que há um ano é a cara da marca Bitoque no Ponto [6], uma cadeia de restauração com sete lojas em espaços comerciais – também fez adaptações. “Os portugueses gostam de comer fora. Não existe ninguém que não goste de ir jantar fora, nem que seja no dia de aniversário. É um hábito e mesmo com a crise é possível fazê-lo. A restauração já tem ofertas económicas”. E adianta: ”No meu restaurante para que as pessoas possam ter escolha de pratos mais económicos tenho uma enorme diversidade de produtos”.

Natural de uma aldeia transmontana, Justa Nobre largou a sua terra aos 15 anos e rumou a Lisboa para tentar a sua sorte. O caminho batalhado levou-a desde sempre a ser comedida nas despesas. “No meu tempo, andávamos dois e três meses a juntar dinheiro para comprar uma toilette que nos durava três anos. Se fizermos bem as contas, vamos chegar à conclusão que o melhor é fazer o mesmo nos dias de hoje”, explica ao Saldo Positivo. No dia-a-dia, quer na sua vida profissional, quer na sua vida pessoal, hábitos de poupança que não dispensa. ”Quando cozinho um robalo ou uma garoupa, as cabeças dos peixes como não são servidas ao cliente, servem para fazer as refeições do pessoal. E para evitar o desperdício, compro mais vezes por semana os legumes, a fruta e tudo o que sejam produtos mais sensíveis”. Mas há mais: para Justa Nobre são inúmeras as estratégias que se podem colocar em prática para garantir que os gastos com a alimentação não disparam. “Temos de fazer alguma economia, tomar atenção e obrigatoriamente fazer primeiro uma lista dos bens essenciais”, explica. E para ela, tal como para Lavoisier, na cozinha “nada se perde, tudo se transforma”. Por exemplo: do pão duro é possível fazer-se uma açorda ou pão ralado, das claras de ovo que sobraram de uma sobremesa faz-se uma tortilha suficiente para alimentar duas pessoas. Para tal, basta haver alguma criatividade.

 

Simão Morgado: “Sempre fui educado no sentido de gerir o meu dinheiro de forma racional”

Simão1 [7]Tal como a chef Justa Nobre existe um item que o nadador olímpico Simão Morgado não dispensa, nem corta, mesmo apesar da crise: a comida. Ao Saldo Positivo, o recordista nacional dos 50 metros e dos 100 metros mariposa, explicou como se relaciona com o dinheiro e com a poupança e revelou quais são os seus hábitos de consumo que não abdica. “Não abdico de uma alimentação equilibrada. É impossível abdicar do combustível para a logística do dia-a-dia e não abdico de todas as necessidades e de alguns mimos para a minha filha”. Fora isso, o atleta Simão Morgado considera-se uma pessoa controlada na gestão do seu orçamento. “Sempre fui educado no sentido de gerir o meu dinheiro de forma racional, não gastar mais que tinha e evitar o uso dos cartões de crédito. Felizmente, que a crise não veio alterar muito a minha vida, nem das pessoas que me são próximas, portanto continuei da mesma forma, a controlar cuidadosamente os meus gastos”, afiança.

Esta gestão criteriosa das entradas e saídas de dinheiro tornou-se um trunfo precioso desde que o nadador decidiu saltar das piscinas para mergulhar nas ondas do empreendedorismo: Simão Morgado é sócio e gestor da Scullings [8], uma empresa que tem como foco principal a criação de fatos de banho personalizados. Sobre as dicas de poupança que costuma aplicar, o antigo atleta olímpico revela alguns dos seus rituais. “Tenho especial atenção aos consumos de eletricidade, quer em casa, quer na minha empresa, onde temos máquinas de alto consumo energético, que obrigam a um controlo rigoroso de utilização. Costumo efetuar compras em grandes superfícies adquirindo alguns produtos de marca branca com boa qualidade. E no final do mês procuro sempre pôr de parte uma quantia numa conta a prazo”.

Este hábito, de reservar algum dinheiro para uma poupança, tem sido, aliás, copiado por muitos portugueses. Olhando para os números do INE sobre a taxa de poupança das famílias portuguesas é possível verificar que as famílias estão a fazer um esforço para canalizar o dinheiro que antes era alocado para o consumo. Resultado: entre o segundo trimestre de 2008 e o segundo trimestre de 2014, a taxa de poupanças das famílias duplicou.

 

Herman José: “Não poupo. Trabalho é mais”

Para o apresentador de televisão e uma das maiores referências do panorama humorístico em Portugal, Herman José, o verbo “poupar” é difícil de conjugar. Apreciador das boas coisas da vida, o humorista confessou ao Saldo Positivo que mantém o mesmo estilo de vida que tinha antes da crise. “As minhas crises começaram todas antes da crise, porque sofri um desfalque de 1 milhão e 200 mil euros. Por isso, a minha vida ultimamente é pagar dívidas”.

Perante esta situação, e com o peso das dívidas a crescer, o apresentador tinha apenas duas hipóteses: Ou cortava nas suas despesas pessoais, abdicando de alguns consumos, ou então tinha de aumentar as suas fontes de rendimento. Herman José escolheu a segunda opção. “Aquilo que eu faço é o seguinte: Ganho dinheiro, pago tudo o que tenho de pagar e depois mantenho um nível de vida ótimo para me compensar de ter tido este azar. Não poupo, porque se não dava em doido. Não sofro duas vezes”, afiança ao Saldo Positivo. E adianta: “Prefiro trabalhar mais – e felizmente tenho tido imenso trabalho, com espetáculos – e não abdicar. Porque para mim a vida deixava de fazer sentido”.

 

E lá fora?

Fora de Portugal são muitos os exemplos de figuras públicas que se destacam pelos seus hábitos frugais no seu dia-a-dia. O terceiro homem mais rico do mundo, o mega-investidor Warren Buffett, continua a viver na mesma casa há mais de de 50 anos. E apesar de ser dono de uma fortuna avaliada em mais de 68 mil milhões de dólares, elege como a refeição preferida um simples hambúrguer com queijo. Já o fundador do IKEA, por exemplo, só viaja em classe económica e privilegia ficar em alojamentos mais económicos:quando visitou Lisboa ficou alojado numa pensão. Os exemplos continuam até às “mais altas instâncias”: a primeira-dama dos EUA usa em algumas ocasiões roupa de pronto-a-vestir que é possível encontrar nas lojas de retalho mais comuns, como é o caso da H&M.

 

 

Veja todos os artigos que fazem parte do Especial Mês da Poupança 2014:  [9]

– Saiba como algumas emoções podem arruinar as poupanças [10]

– Como renovar a sua casa sem gastar muito dinheiro [11]  [12]

– Como calcular os juros das suas poupança [12]s? [12]

– Entrevista: “A poupança não deve ser uma medida de SOS” [13]

– 10 Dicas para poupar… com as crianças [14]

 Quatro bloggers, quatro conselhos de poupança [15]

-Teste- Descubra se é uma pessoa poupada ou gastadora? [16]

– Entrevista- “Não é possível o Estado continuar a tomar conta de nós” [17]

– 10 Dicas para poupar… em casa [18]

– Seis programas de televisão que ajudam a poupar [19]

– Infografia – Como poupar nas compras de supermercado [20]

– Entrevista- “A crise obrigou-nos a ter comportamentos mais inteligentes” [21]

– 10 Dicas para poupar… com os transportes [22]

– 10 Ditados que incentivam a boa gestão das poupanças [23]

– Teste- Saiba qual é o seu perfil de investidor [24]

– Entrevista- “Para poupar é necessária uma evolução económica positiva” [25]

– 10 Dicas para poupar… na empresa [26]