Contas conjuntas ou separadas?

A má gestão do dinheiro é uma das principais causas de divórcio no mundo. Saiba como evitar conflitos com a sua "cara-metade" sobre este tema.

contasEsqueça as facadinhas no matrimónio, as saídas para comprar tabaco, as horas passadas no Facebook. A má gestão do dinheiro é uma das principais causas de divórcio em todo o mundo. “Os casais mais felizes e bem sucedidos financeiramente reconhecem a importância das conversas sobre dinheiro e aceitam-nas como algo natural”, defendeu Pedro Queiroga Carrilho, especialista em finanças pessoais, em entrevista ao Saldo Positivo.

 

Quer estejam casados há uns meses ou há uns anos, o assunto “dinheiro” é sempre um tema sensível. Embora possa parecer uma discussão superficial, toca em pontos sensíveis de um relacionamento, como a confiança ou os alicerces da relação. E porque, regra geral, acaba em discussão, grande parte das pessoas evita a conversa e quando é obrigado a fazê-lo, pode ser tarde demais. O tópico dinheiro pode, e deve, ser abordado pelos casais antes da união e a questão das contas em conjunto ou separadas é fulcral.

À partida, será sempre uma boa ideia ter conta bancária conjunta, já que se está a partilhar a vida, partilha-se também o dinheiro. Apesar de haver benefícios, não servem a toda as pessoas. Quando se juntam os rendimentos do casal numa só conta bancária forma-se uma espécie de empresa familiar, na qual a confiança e organização são os pilares que sustentam a saúde das suas fundações.

 

Prós

Facilita a gestão do dinheiro – Uma conta conjunta pode ser uma excelente forma de gestão das finanças do casal, caso tenham filosofias semelhantes sobre o dinheiro. Ter apenas uma conta para todos os rendimentos do casal, de onde saiam os pagamentos de todas as contas é uma excelente forma de seguir o rasto das finanças do casal do que se tiverem contas separadas. Além disso, uma conta com um saldo superior, por via da junção de dois rendimentos, pode significar isenção de comissões bancárias.

Prático em viagens – Se um dos membros do casal viaja frequentemente, uma conta conjunta pode ser de grande ajuda. Se quem estiver ausente necessitar de dinheiro, quem está em casa pode colocar mais dinheiro para a conta e fica imediatamente acessível ao ausente. Caso contrário, se o casal tiver contas separadas em bancos diferentes, o dinheiro só estará disponível um dia depois.

Herança – Para os casais mais velhos, uma conta conjunta pode acabar com dificuldades financeiras em caso de morte de um dos parceiros. Se todo o dinheiro estiver numa conta conjunta, o outro recebe automaticamente a quantia que estava na conta, sem necessidade de provar a natureza da relação.

 

Contras

Gastadores vs poupadores – Se você e o seu parceiro têm visões diferentes sobre como lidar com o dinheiro ou têm hábitos de gastos divergentes, então uma conta conjunta poderá ser um ponto de discórdia. Se um dos membros for mais gastador, o outro poderá ficar chateado, pois  o dinheiro que deveria estar de lado para pagar contas e fazer compras importantes está a ser utilizado. Muitas vezes, estes pequenos atritos levam a grandes discussões.

Maior vulnerabilidade – Se a conta conjunta fica a descoberto e a dívida (habitação, automóvel, etc) começa a avolumar-se, ambos ficam responsáveis pelo reembolso da dívida. Isto poderá será prejudicial para a avaliação de risco de ambos, pois irá manchar o nome dos membros do casal. Em resumo: se um fica em bancarrota, serão os dois afectados.

Divórcio conturbado – Por vezes a separação de um casal leva a atitudes menos cordiais. Caso o casal tenha conta conjunta pode significar grandes problemas, nomeadamente se um dos membros decidir retirar o dinheiro todo da conta, mesmo que não tenha sido o principal contribuidor. Apesar de poder reaver a sua parte através de meios legais, é um processo longo e sem garantias de que irá ganhar.

Sensação de controlo – Terá de existir bastante confiança entre o casal, caso contrário, o sentimento de que não pode sequer levantar dinheiro para comprar um par de sapatos sem avisar o outro antes, pode provocar o sentimento de aprisionamento e falta de independência.

 

Passo-a-passo para correr tudo bem

  • Se decidirem avançar com este modelo de gestão das finanças familiar, terão de ir os dois ao banco abrir conta.
  • Pode estipular o valor mensal que irá depositar ao calcular os salários dos dois e chegando a uma percentagem justa de cada um dos rendimentos.
  • Depois também devem determinar quanto podem levantar após o pagamento de todas as contas fixas.
  • Organização: a comunicação é a chave para o sistema funcionar e terão de informar o outro se houver algum movimento fora do normal na conta conjunta.