Dicas para negociar renda de uma casa

Está à procura de uma casa para arrendar? Veja como pode negociar um valor justo para a renda da habitação.

negociar renda de uma casaA generalidade dos portugueses prefere comprar casa, em detrimento de optar pelo arrendamento de habitação. Os números comprovam -no: Segundo os últimos Census realizados pelo INE, em 2011 existiam mais de 2,9 milhões de alojamentos familiares nas mãos de proprietários. O valor compara com os cerca de 794 mil alojamentos familiares nas mãos de arrendatários. Ambas as opções têm vantagens e desvantagens, sendo que a escolha mais adequada depende do perfil e das características de cada pessoa. Um dos aspetos que deverá analisar nas duas opções é os custos suportados. No caso de optar por comprar casa deverá contabilizar, além da prestação do crédito à habitação, outras despesas como é o caso das reparações que a casa possa vir a necessitar, do condomínio e do IMI, entre outras. Se optar pelo arrendamento, o principal encargo a suportar é a renda a pagar ao senhorio, sendo que pode haver negociação com o senhorio sobre quem paga as despesas extra como a água, a luz ou o condomínio.

Se está a pensar em arrendar e quer ter a certeza que negoceia um valor justo pela renda, aqui ficam alguns conselhos para negociar renda de uma casa.

 

1. Conheça o mercado

Como em todas as áreas da vida financeira de uma família também neste caso é conveniente os consumidores fazerem uma prospeção de mercado antes de aceitarem a primeira proposta apresentada pelo senhorio. Visite casas semelhantes na mesma zona, fale com amigos que habitam na mesma área e consulte os classificados para ter uma noção dos preços de arrendamento médios praticados na zona que tem em vista. Só assim poderá ter uma noção se a renda que o senhorio lhe apresenta é demasiado cara ou se se trata de um valor justo. Se a renda for elevada, faça-se valer dos seus argumentos e dê conta ao seu interlocutor de que sabe que existem casas semelhantes, na mesma zona, com preços mais baixos.

 

2. Faça um contrato a longo termo

Existem vários critérios que são muito valorizados pelos senhorios: ter inquilinos que pagam a tempo e horas é o principal deles. Mas existem outros, como é o caso da estabilidade dos inquilinos. Isto significa que para muitos senhorios terem a garantia que um inquilino cumpridor vai manter-se na sua casa durante cinco anos é um fator positivo já que é sinónimo de que durante esse período receberá sempre rendas. É preciso recordar que de cada vez que um proprietário coloca uma casa no mercado para arrendar poderá ter de aguardar vários meses até conseguir captar um novo inquilino, além disso muitas vezes tem ainda de suportar alguns custos adicionais com obras de reparação da habitação. Por isso mesmo, se assinar um contrato de arrendamento de longo prazo poderá ter mais margem de negociação com o senhorio no que diz respeito ao valor da renda e à atualização da mesma. Recorde-se que com a nova lei do arrendamento (de novembro de 2012), os novos contratos de arrendamento deixaram de ter um prazo mínimo. Ou seja, senhorios e inquilinos podem definir livremente a duração do contrato. Sendo que se nada estiver estipulado é assumido que o contrato de arrendamento terá a duração de dois anos.

 

3. Seja sincero

Segundo um inquérito realizado pela Deco Proteste e que foi divulgado este ano, cerca de um terço dos inquilinos inquiridos neste estudo tiveram de apresentar um fiador como forma de garantia do pagamento das rendas. Este número mostra que os atrasos ou as falhas de pagamentos são uma das principais preocupações dos senhorios quando celebram um contrato de arrendamento. Apesar destas preocupações, tal não significa que deva esconder do seu senhorio algumas dificuldades económicas que possa estar a enfrentar. Por exemplo, se estiver desempregado ou o seu cônjuge ficou sem emprego deverá avisar o senhorio, pois ele poderá ser sensível à sua situação e reduzir o valor da renda ou estabelecer um compromisso consigo de não aumentar a renda a curto/médio prazo. Segundo um artigo publicado no ano passado na revista Visão havia da parte dos proprietários sensibilidade e margem de manobra para não proceder a aumentos de rendas nos contratos de arrendamento mais recentes, exatamente devido ao contexto económico difícil que o país atravessa.

 

4. Estabeleça compromissos

O processo de negociação implica uma discussão amigável para que se estabeleça um acordo que seja vantajoso para ambas as partes. Por isso mesmo, se tem em vista uma casa para arrendar e quer tentar obter uma redução no valor da renda muna-se dos melhores argumentos. Por exemplo: Se a casa necessita de pequenas obras, como a pintura de uma divisão ou o arranjo de um equipamento da habitação, comprometa-se a assegurar a realização dessas obras de reparação em troca de uma renda mais baixa.

 

5. Conheça a lei

A atualização das rendas dos contratos de arrendamento não é igual para todos. Por exemplo, nos contratos mais recentes, celebrados depois de 1990, a atualização das rendas pode ser feita de duas formas: ou o aumento é definido e acordado entre ambas as partes no contrato de arrendamento, ou então, as atualizações do valor das rendas são feitas de acordo com o coeficiente de atualização (um indicador que tem em conta a taxa de inflação) publicado todos os anos no Diário da República. O coeficiente de atualização das rendas para 2015 já foi divulgado e prevê que no próximo ano as rendas destes contratos não sofram oscilações.

No entanto, a situação é diferente para quem vive numa casa arrendada cujo contrato foi celebrado antes de 1990. Para estes casos, a atualização das rendas segue um processo diferente, através da implementação de um mecanismo de negociação. Para saber mais detalhes sobre como este processo é feito leia também o artigo “O que muda na nova lei do arrendamento”.

 

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– Como renovar a sua casa em gastar muito dinheiro

– Oito passos para comprar casa

– Cinco custos de ter uma casa

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