Jovens e endividados são o alvo da formação financeira

Na conferência de hoje, os reguladores deram pistas sobre o que ainda há a fazer no campo da literacia financeira em Portugal.

conferecia-artigoAfirmar que todos os agentes – consumidores e instituições financeiras – só têm a ganhar com a promoção dos níveis de literacia financeira em Portugal é uma ideia que já se tornou senso comum. Na primeira conferência internacional do Plano Nacional de Formação Financeira, organizada hoje pelo Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (que inclui o Banco de Portugal, a CMVM e o ISP) foram expostas as iniciativas que até agora foram colocadas em prática com o objetivo de melhorar o nível de conhecimentos financeiros dos portugueses, mas também foram feitas reflexões sobre o trabalho que ainda falta fazer nesta área. E, avaliar pelas palavras dos supervisores que estiveram presentes na conferência, ainda há muito por fazer.

Segundo o Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, é necessário “assegurar que os aforradores quando fazem uma aplicação sabem os riscos que estão a correr. Os aforradores e investidores têm que perceber que uma remuneração elevada corresponde a um maior nível de risco. O que nem sempre acontece”. O governador do Banco de Portugal salientou também a importância dos investidores em saberem gerir o risco que correm, porque poderão não ter rendimento ou património para absorver o risco assumido.

 

Aposta em novas ferramentas para atingir mais pessoas

Carlos Costa salientou também a importância do papel dos meios de comunicação social para o sucesso e eficácia do plano de literacia financeira. “A comunicação é um elemento vital para fazer passar a mensagem”. Neste sentido e para conseguir fazer passar a mensagem de forma mais eficaz aos consumidores, o Governador do Banco de Portugal avançou que o Portal Todos Contam irá ter uma plataforma de e-learning para permitir uma maior interação entre os consumidores e os agentes que estão empenhados na promoção da literacia financeira.O responsável do Banco de Portugal afirmou que os supervisores estão também a analisar as potencialidades de outras ferramentas como as redes sociais e os jogos didáticos como veículos para a formação financeira dos consumidores.

Esta seria uma das formas possíveis de fazer chegar a literacia financeira aos mais jovens – um público-alvo do Plano Nacional de Formação Financeira. O Governador salientou que irá continuar a apostar em ações para este público junto das escolas e, idealmente, até junto das universidades. E explica porquê: “Mesmo entre os adultos com formação superior o grau de ignorância do funcionamento dos produtos financeiros é elevado”.

Mas os jovens não são único público-alvo das ações de formação financeira. Carlos Costa referiu que é “necessária formação financeira junto das empresas” e salientou ser “preciso intensificar a formação juntos dos grupos sociais mais vulneráveis”. E neste campo, uma das iniciativas que está em destaque este ano é a rede de apoio ao consumidor endividado. Na conferência, Teresa Moreira, diretora geral da Direção-Geral do Consumidor, referiu que o objetivo desta rede é apoiar os consumidores na regularização de situações de incumprimento de crédito. “Trata-se de um apoio qualificado e é importante salientar esta característica especialmente quando estamos perante pessoas numa situação fragilizada”. Teresa Moreira referiu que a rede – anunciada no ano passado mas regulamentada apenas no início deste ano – conta com a parceria de 14 entidades reconhecidas que prestam apoio um pouco por todo o País.

 

Dar mais informação não é garantia de formação financeira eficaz

Um ponto que ficou saliente de todas as intervenções desta primeira conferência internacional do plano nacional de formação financeira é a evidência de que não basta que seja fornecido aos clientes folhetos informativos sobre os produtos financeiros, para melhorar os níveis de literacia. É preciso que a informação seja mais transparente e que o modo de divulgação da informação seja melhorado. Carlos Alves, da CMVM – além de ter anunciado o lançamento de um novo simulador de custos e rentabilidades de obrigações – lembrou que no passado havia a ideia de que bastava dar muita informação para as pessoas tomarem as decisões financeiras mais adequadas. Afinal, não é bem assim. “Não chega apenas dar a informação”, referiu este responsável, salientando os três vetores essenciais para o sucesso de um plano de formação financeira eficaz: informação, conhecimento e comportamento.

A mesma linha de pensamento foi apresentada por Andre Laboul, presidente da International Network on Financial Education (INFE). Este responsável apresentou um retrato daquilo que se está a fazer um pouco por todo o mundo no campo da educação financeira. “Não é suficiente a passagem de informação. É preciso que ela chegue às pessoas e elas a entendam”. Laboul defendeu ainda a existência de uma trilogia neste setor: educação financeira, inclusão financeira e proteção ao consumidor.

Consulte o portal de formação financeira “Todos Contam” aqui.

 

 

 

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