“As ‘startups’ não são uma moda mas um modelo de inovação”

Pedro Rocha Vieira, fundador da Beta-i, explicou ao Saldo Positivo como Lisboa está a tornar-se um dos principais 'hubs' de 'startups' da Europa.

Pedro Rocha VieiraartigoNo pico da crise, Pedro Rocha Vieira juntou mais três amigos e criou a Beta-i, uma organização de empreendedores, com o objetivo de contribuir para a criação da nova geração inovadora e criativa de empresários.

A aposta tem-se revelado certeira. Nos últimos cinco anos, a Beta-i organizou 32 programas de aceleração, recebeu um prémio atribuído pela European Enterprise Promotion Awards e um dos seus aceleradores, o Lisbon Challenge, foi considerado o quarto acelerador europeu mais dinâmico, pela Fundacity.

Na semana em que o Lisbon Challenge organiza o Tourism Day, o Saldo Positivo entrevistou Pedro Rocha Vieira sobre o espírito empreendedor que fervilha neste momento em Portugal. ”Há uma nova geração de ‘startups’ como a Uniplaces, Unbabel, Codacy, Hole19, Orankl, TalkDesk, Seedrs, que são hoje bastante conhecidos e que têm servido de inspiração a muitos outros”, garantiu o fundador da Beta-i.

 

Como surgiu o projeto Beta-i?

Começamos pela organização de grandes eventos internacionais como o ‘TEDxEgdes’; o ‘Silicon Valley comes to Lisbon’ e o ‘Explorers Festival’ e também com eventos de empreendedorismo como os Beta-Talks. Fomos pioneiros nos programas de pré-aceleração e aceleração de ‘startups’, representando iniciativas internacionais como o ‘Startup Weekend’; ‘Founders Institute Lisbon’; ‘SeedCamp Lisbon’ e ‘Startup Next’, e com a criação dos nossos próprios programas ‘Beta-Start’ e ‘Lisbon Challenge’.

 

Quais são os ingredientes necessários para o sucesso de uma ‘startup’?

Importa perceber se a equipa e parceiros que temos são os certos; se a equipa é dotada das competências técnicas e de negócio complementares e relevantes, se tem capacidade de execução, se é flexível e com a atitude proactiva e resiliente. E, felizmente, temos conseguido contar com esse tipo de pessoas.

 

E o mercado? O que espera?

Cada vez mais, os novos empreendedores e ‘startups’ têm uma cultura global, e a noção de que a ideia por si não vale muito. O importante é a capacidade de execução e de crescer rapidamente a nível global. A digitalização da economia tem permitido o aparecimento de ‘startups disrupter’ das mais diferentes indústrias, nomeadamente, ‘fintech’, softwares que fornecem serviços financeiros, educação, ’ecommerce’, ‘medtech’, medicina, entre muitas outras. Por outro lado permite aceder ao mercado global de qualquer lado do mundo.

Neste contexto, Portugal pode ser cada vez mais um país de escolha para o arranque de novas ‘startups’ globais, pois somos cada vez mais capazes de reter e atrair os recursos necessários para criar uma ‘startup’ global.

 

Web Summit, ICT2015, Digital Tech Summit …Todos estes eventos passaram ou vão passar por Lisboa. O que se passa com a capital portuguesa?

Lisboa tem vindo a assumir-se gradualmente como uma ‘startup city’ ao longo dos últimos anos e com base numa estratégia concertada e pelo esforço de vários actores, desde aceleradores (como o Lisbon Challenge, BGI, Fábrica de Startups); incubadoras (como a Startup Lisboa e Lispolis); investidores (como Caixa Capital, Portugal Ventures e Faber Ventures, entre outros), e essencialmente devido ao sucesso de várias ‘startups’, em particular a Feedzai, Uniplaces, TalkDesk, Unbabel, Seedrs, Codacy, Hole19, entre muitas outras, que têm conseguido obter investimento internacional e crescido de forma agressiva.

Com a vinda do WebSummit para Lisboa, todo este movimento é acelerado e ganhamos pelo menos dez anos em termos de visibilidade e credibilidade internacional. É uma oportunidade única para Lisboa se afirmar ainda mais durante os próximos três anos, que é o mínimo garantido do WebSummit em Lisboa.

Mais do que um factor de moda, importa perceber que Lisboa tem todas as condições para se tornar num caso de sucesso sustentável, numa verdadeira ‘hub’ de empreendedorismo e inovação.

 

Daqui a cinco anos, onde espera ver a Beta-i?

As ‘startups’ não são uma moda mas sim um novo paradigma de inovação e colaboração empresarial. Acreditamos que a Beta-i pode continuar a ter um contributo muito relevante para otimizar o valor neste ecossistema.

Com o amadurecimento do ecossistema é necessário continuar a crescer e a atuar onde for necessário – em particular alavancar toda a visibilidade e as oportunidades que o WebSummit e muitas outras dinâmicas oferecem.

Queremos continuar a ser um ‘player’ importante na dinamização do ecossistema, em particular, no apoio à nova geração de empreendedores e no estímulo de uma nova cultura de empreendedorismo e inovação, sermos uma plataforma para interligação de diferentes atores, desde ‘startups’, empresas e investidores, e também como um ‘hub’ de ligação a redes internacionais.

Acreditamos também que o papel das grandes empresas pode ser cada mais relevante para o sucesso das ‘startups’ e que as ‘startups’ podem ser críticas para as estratégias de inovação das grandes empresas, em torno de setores específicos, como por exemplo, o Turismo, os Seguros, a FinTech, as Smart Cities, a Educação. Iremos cada vez mais apostar no desenvolvimento de programas de aceleração verticais e em programas para intermediação entre ‘startups’ e grandes empresas.

 

Números a reter:

– O novo espaço no Saldanha da Beta-i é um edifício de nove andares e 5.000 m2, um dos maiores ‘hubs’ de ‘startups’ a nível europeu, onde além das iniciativas – de eventos e de aceleração – também tem espaço para ‘coworking’ e escritórios para ‘startups’ de várias dimensões.

 

– Um dos fenómenos mais relevantes dos projetos da Beta-i, o Lisbon Challenge, tem atraído e retido projectos internacionais. Cerca de 75% das candidaturas deste programa são internacionais, de mais de 60 países diferentes.

 

 Leia também:

 – Beta-i torna Lisboa  em meca para empreendedores

– Os negócios que atraem investidores internacionais

– Mar e ciência na Beta-Start

– O que é uma Beta-Start?

– As startups mais promissoras do Lisbon Investment Summit

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