Cinco indicadores para avaliar as finanças da sua empresa

Veja quais são os principais indicadores financeiros que deve analisar para saber se a sua empresa está a robusta.

Saude-artigoMedir a performance de uma organização e analisar a sua situação financeira é uma condição vital para qualquer negócio, em todos os seus ciclos de vida. Porém, a quantidade de informação nem sempre permite perceber a melhor forma de medir a saúde e garantir um equilíbrio de liquidez ou da componente operacional; da rentabilidade; da estrutura de financiamento e da produtividade. Tendo em conta essas dificuldades, o Saldo Positivo pediu a Gabriel Chimeno, ‘partner’ da consultora Deloitte, para ajudar a destacar os cinco principais indicadores que todos os empresários devem ter em conta na altura de analisar a situação financeira dos seus negócios. Conheça-os.

 

1. Liquidez disponível

O primeiro indicador que deve ser tido em conta é o da liquidez da empresa. Os meios financeiros disponíveis vão definir se, a curto prazo, a empresa é viável. A liquidez permite analisar as entradas e saídas de dinheiro e assegurar que os ativos a curto prazo (tesouraria e contas a receber) são suficientes para fazer face aos compromissos a curto prazo (fornecedores, empregados e outras contas a pagar).

Neste tópico, os empresários devem analisar os indicadores de liquidez geral e reduzida. O primeiro demonstra em que medida as obrigações de curto prazo se encontram cobertas por ativos de curto prazo convertíveis em meios financeiros líquidos na mesma cadência que as obrigações. O segundo indicador difere do primeiro por excluir os ativos de curto prazo não líquidos, tais como os inventários. Estes rácios não devem ser analisados de forma isolada. É necessário ter também em conta o ciclo de exploração (dada a natureza e sazonalidade) e os prazos médios de recebimentos e pagamentos do setor de atividade da empresa, assim como a sua evolução temporal comparativamente com outras empresas do setor.

 

2. Nível operacional

Os indicadores operacionais medem a performance com os ativos da empresa, ou seja, o rendimento que a empresa consegue extrair dos meios investidos. O nível de receitas que a atividade consegue gerar em proporção ao fundo de maneio (ativos correntes menos passivos correntes) vai indicar a efetividade da empresa nas suas operações. Quanto maior for esta relação, maior a capacidade de gerar recursos financeiros.

Um ponto relevante aqui será o tratamento dos inventários. O nível de inventários de uma empresa poderá variar de acordo com o seu tamanho, tipo, setor de atividade, entre outros fatores. As empresas devem garantir o ponto de equilíbrio das existências para o negócio.

Também a este nível, os empresários devem analisar os prazos médios de recebimento, de pagamento e de rotação de inventários. Regra geral, as empresas ambicionam diminuir os prazos de recebimento em detrimento dos prazos de pagamento, por forma a gerar mais liquidez. Estas políticas de fundo de maneio são essenciais para evitar uma rutura com parceiros e não causar constrangimentos no negócio. Leia mais sobre este tema no artigo Fundo de Maneio: Perceba a importância para a sua família

 

3. Rendibilidade

A primeira medida a ser tida em consideração quando se quer analisar a rendibilidade da empresa é a margem bruta. Ou seja, o resultado das vendas depois do custo das mercadorias vendidas ou depois dos custos com pessoal para as empresas prestadoras de serviços. A segunda é o resultado operacional (EBITDA), que demonstrará se a empresa é capaz de controlar os custos e criar rendimento operacional. A terceira medida, o resultado operacional após amortizações e depreciações (EBIT), permite analisar o impacto que os ativos têm no resultado da empresa. Por fim, os empresários deverão analisar o resultado líquido, por forma a verificar qual o montante anual disponível para ser distribuído pelos acionistas e sócios da empresa.

A empresa terá as finanças em “ordem” quando conseguir gerar resultados e esses resultados sejam suficientes para remunerar as fontes de capitais aplicadas, recursos próprios e recursos alheios (por exemplo, financiamentos).

 

4. Estrutura de financiamento

A estrutura de financiamento permite determinar o nível em que as empresas se encontram suportadas pelos recursos de credores comparativamente com os recursos próprios. A partir daí é possível analisar o nível de alavancagem (endividamento) da empresa, a cobertura da dívida e a eficiência na gestão de dívida. Uma empresa com um maior nível de alavancagem é considerada como tendo maior risco. Está, portanto mais vulnerável aos riscos provocados por alterações da economia que possam surgir, como alterações de taxas de juro, da taxa de inflação, da política monetária e orçamental, ou alterações conjunturais, uma vez que, independentemente dessas alterações, a empresa terá sempre de pagar as suas dívidas.

 

5. Produtividade

A procura permanente pelo aumento da produtividade, com o menor número de recursos, é um dos principais desígnios da competitividade.

Quanto maior a produtividade, maior a capacidade para competir num mercado aberto e global. Receitas por colaborador, vendas por ponto de venda, receita média de venda, faturação média por cliente, são exemplos de indicadores que devem ser sempre melhorados.

 

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