Que alternativas existem para financiar a sua empresa?

Saiba quais são as alternativas ao tradicional crédito bancário, como aceder e como as utilizar.

alternativas financiamentoO setor financeiro começa a dar sinais de que estão reunidas as condições para voltar a conceder crédito às empresas portuguesas. Prova disso são as campanhas de várias linhas de crédito próprias ou protocoladas dirigidas sobretudo às PME e exportadoras. Ainda assim, a verdade é que os dados do Banco de Portugal ainda não espelham um aumento consistente nos montantes emprestados às empresas. Depois das ligeiras subidas no segundo semestre de 2013, em janeiro de 2014 o novo crédito concedido às PME voltou a cair para os 1.450 milhões de euros, face aos 1.800 milhões emprestados no mês anterior.

Com os bancos ainda cautelosos, na sequência da crise, e a pedirem às empresas garantias reforçadas em troca de crédito, é fundamental que os empresários saibam recorrer a fontes alternativas de financiamento para sustentar a atividade empresarial. Esta tem sido, aliás, uma mensagem repetida e veiculada por diversos economistas e especialistas na matéria. Um dos mais recentes exemplos veio pela voz do presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Carlos Tavares aconselhou as empresas a considerarem formas alternativas de financiamento, em prol de “estruturas financeiras que sejam mais saudáveis para financiar o esforço de investimento”. Saiba quais são estas alternativas, como aceder e como as utilizar.

 

1. Fundos de Capital de Risco

Também conhecido como financiamento por capital, ‘venture capital’ ou ‘private equity’, o capital de risco é uma forma de financiamento alternativa que não se traduz em endividamento para as empresas. Basicamente, as empresas em início de vida (‘startups’ e projetos de risco mas com elevado potencial de rentabilização) recorrem aos fundos de capital de risco em busca de um reforço dos capitais próprios, oferecendo em troca uma percentagem do negócio, que pode variar consoante os objetivos de crescimento. Os investimentos sob a forma de capital de risco são feitos com base numa análise cuidada do potencial de crescimento e do risco da operação.

Desta forma, as sociedades ou fundos de capital de risco assumem uma participação quase sempre minoritária e temporária (entre três e sete anos) no capital da empresa, participando no processo de gestão e partilhando o risco com o empresário. O fundo de capital de risco recebe o retorno do seu investimento no momento de saída do negócio. Em Portugal existem vários operadores a atuar no mercado de capital de risco, que diferem na política de investimentos, objetivos específicos (internacionalização, tecnologias de informação, ambiente, comércio, turismo, entre outros) e dimensão do investimento. Para mais informações, pode consultar o site da Associação Portuguesa de Capital de Risco (APCRI).

Saiba mais sobre esta forma de financiamento no artigo “Sabe o que são fundos de capital de risco?”

 

2. Business Angels

De acordo com a Associação Portuguesa de Business Angels (APBA), “um business angel é um investidor privado que realiza investimentos em oportunidades nascentes (tipo ‘startup’ ou ‘early stage’) e participa nos projetos com ‘smart money’, ou seja, além da capacidade financeira também contribui com a sua experiência e ‘network’ de negócios”. Para os empresários em início de atividade, os ‘business angels’ podem ser considerados como uma espécie de “padrinhos”, que contribuem com capital em troca de uma participação no negócio, tal como no capital de risco. Na mira dos ‘business angels’ está também um elevado retorno nos projetos em que investem, mas também novos desafios empresariais. Além de se assumirem como mentores nas jovens empresas em que investem, prestando uma ajuda preciosa com a sua experiência e ‘know how’ na gestão de pequenos negócios, os ‘business angels’ realizam investimentos que por norma variam entre os 25.000 e os 500.000 euros. Um capital cedido a empresas emergentes, cuja dimensão é ainda muito pequena para atraírem fundos de capital de risco.

Desta forma, ‘business angels’ são muitas vezes os primeiros investidores a que o empreendedor tem acesso, pessoas com experiência na área da gestão que apoiarão o empreendedor com injeção de capital no projeto e com o seu ‘know how’, e também a encontrar os primeiros clientes ou parceiros, com base na sua rede de contactos. Recentemente foi criada a nova linha IN2BA no valor de 15 milhões de euros para apoio ao empreendedorismo através de ‘business angels’. Para mais informações sobre o investimento através de ‘business angels’ pode visitar o site da APBA.

 

3. Mercado de capitais

Visto como acessível apenas às grandes empresas, o mercado de capitais, ou a bolsa, pode ser na verdade uma alternativa de financiamento ao crédito bancário para todo o tipo de empresas, já que o mercado bolsista tem soluções à medida de cada empresa – cada uma delas com diferentes características, custos e exigências. Além do mercado Euronext, o mercado mais desenvolvido e dirigido às empresas de maior dimensão, existem outras plataformas de negociação – mais simples e adaptadas às pequenas empresas. É o caso do EasyNext (destinado às empresas de menor dimensão e que prevê os critérios de admissão mais flexíveis) e do Alternext (disponível para dispersões de capital a partir de 2,5 milhões de euros).

Além de ser uma fonte alternativa de financiamento para empresas mais pequenas, a bolsa permite às organizações de maior dimensão reforçarem os seus capitais, tendo em conta o elevado número de investidores nacionais e internacionais a que a presença em bolsa dá acesso. Após a entrada em bolsa, as empresas ficam obrigadas a uma maior disciplina interna, custos administrativos, maior exposição e necessidade de transparência, entrada de acionistas desconhecidos no capital da empresa, entre outros. Em troca, as empresas podem obter um reforço de capital através da emissão de ações (capital) e obrigações (dívida).

Enquanto as ações representam capital próprio da empresa e a sua colocação no mercado bolsista implica a perda ou partilha do controlo acionista ou da gestão, as obrigações (emissão de dívida) podem ser dirigidas a um conjunto de investidores pré-definido ou indeterminado (oferta particular ou oferta pública). Aos investidores que compram as obrigações, as empresas emitentes ficam obrigadas a pagar juros. Para mais informações sobre o mercado de capitais consulte o site da Bolsa de Valores de Lisboa.

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4. Papel comercial

Tal como as obrigações, a emissão de papel comercial também surge como um instrumento financeiro de dívida. O papel comercial caracteriza-se pelo facto de ser emitido por prazos inferiores a um ano. Por norma, as empresas recorrem a esta alternativa ao crédito bancário para cobrirem necessidades de curto prazo.

E neste campo há novidades a salientar. O Governo aprovou este ano um diploma que veio alterar os requisitos exigidos para a emissão de papel comercial. Até agora, os requisitos exigidos levavam a que esta forma de financiamento fosse uma opção apenas para as grandes empresas. Com as novas regras, publicadas a 25 de fevereiro deste ano, os requisitos tornaram-se mais flexíveis para facilitar o acesso deste instrumento às pequenas e médias empresas. O novo diploma refere que “passa a ser possível emitir papel comercial, sem limites à obtenção de fundos e independentemente do nível de capitais próprios, quando a estrutura de capitais do emitente permita assegurar, depois da emissão, um rácio de autonomia financeira considerado adequado, nos termos a definir pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários”. Além disso, o novo diploma cria a figura do “patrocinador da emissão”. Este patrocinador “para além do compromisso de retenção de uma parte da emissão, terá como principais funções a criação de mercado e a assistência no cumprimento dos deveres de informação por parte da entidade emitente”, refere o diploma.

Para saber mais sobre o Papel Comercial veja este vídeo do Saldo Positivo.

 

5. ‘Crowdfunding’

Traduzido à letra, este tipo de financiamento alternativo ao tradicional crédito significa “pôr o público a financiar o projeto”, e inicialmente terá sido mais utilizado no meio artístico. Neste momento, o financiamento colaborativo (como é definido o ‘cowdfunding’) já é transversal a várias áreas de atividade e em Portugal começa a ganhar expressão. Para aceder, os empreendedores devem inscrever os seus projeto numa plataforma online de ‘crowdfunding’ e fazerem o seu pedido de financiamento. O público interessado e os apoiantes do projeto podem aceder à plataforma e fazer a sua contribuição em dinheiro, cujos valores podem variar. No caso de conseguirem garantir 100% do financiamento pedido, no prazo de tempo definido, os empreendedores podem atribuir recompensas aos seus investidores. Se não conseguir, os fundos serão devolvidos.

Desta forma, o objetivo é contar com a ajuda da comunidade para doações anónimas, de forma a financiar determinado projeto empresarial através da internet. Os beneficiários são todos os projetos de cariz social, cultural ou empresarial que não tenham acesso às restantes formas de financiamento. Existem já portais portugueses de ‘crowdfunding’, mas para uma rede de apoio mais vasta existem também os portais internacionais.

Para mais informações leia o artigo “Saiba como financiar o seu negócio com o crowdfunding”.

 

6. Auto financiamento

Para empreendedores que preferem não recorrer a fontes externas de financiamento, existe uma tendência no mundo do empreendedorismo designada por ‘bootstrapping’, em que o empreendedor se auto financia, usando os seus próprios recursos financeiros, normalmente escassos e limitados, para iniciar o negócio. Neste contexto fazer ‘bootstrap’ significa não perder a autonomia nem sujeitar-se às limitações impostas por um investidor externo, que em troca de um reforço de capital da empresa poderá emitir opiniões e interferir no negócio. Desta forma, o empreendedor desenvolve o seu negócio mais lentamente, mas com total controlo sobre o seu projeto. No auto financiamento, as primeiras entradas de capital externo surgem apenas das primeiras vendas e dos primeiros clientes. Os empreendedores que optem pelo auto financiamento devem ter em conta que poderão demorar o dobro do tempo para fazer crescer a empresa.

 

7. Familiares e amigos

Antes de baterem à porta de investidores, como os ‘business angels’ e outros fundos de capital de risco, muitos empreendedores e empresários recorrem à família e aos amigos para obter financiamento numa fase inicial do negócio. Apesar de parecer mais rápido e mais fácil pedir dinheiro a familiares, em vez de recorrer a investidores desconhecidos ou grandes fundos, este tipo de empréstimos informais também deve obedecer a regras, a começar pela elaboração de um acordo escrito que defina quais os termos do financiamento.

Para saber mais sobre este tipo de financiamento leia os artigos “Como financiar o seu negócio com a ajuda da família e amigos” e “Empréstimos entre particulares: como funcionam?”.

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