CoolFarm: A ideia lusa que quer revolucionar a agricultura

O Coolfarm é um robô que faz crescer plantas sem a intervenção do utilizador. O projeto português promete revolucionar o setor da agricultura.

coolfarmartigoJá imaginou uma máquina que permite o controlo do crescimento de vegetais e frutas, utilizando uma técnica de cultivo que não necessita de terra, que é amiga do ambiente e à qual pode aceder-se de qualquer parte do mundo pelo telemóvel?

Esta máquina não faz parte de um filme de ficção científica mas é já uma realidade e uma ideia 100% portuguesa. Chama-se CoolFarm e, em termos simplistas, trata-se um robô que faz crescer plantas sem a intervenção do utilizador.

A ideia surgiu quando João Igor, de 32 anos, estava a jantar na casa do amigo de infância, Gonçalo Cabrita, de 30 anos, em Coimbra: “Estávamos a comer a alface produzida na mini-horta dele, quando pensei que podíamos fazer disto um produto”, começa por contar um dos mentores do projeto de agricultura “high-tech” ao Saldo Positivo.

 

Agricultores industriais são o público-alvo

coolfarmartigo2Em maio de 2014, candidataram-se ao Lisbon Challenge com a ideia de aplicar o conceito às casas dos portugueses. Queriam introduzir um vaso, onde cada um pudesse cultivar alfaces, tomates, cebolas, morangos e ervas aromáticas, entre outras coisas e controlar a rega e a luz pelo telemóvel. Mas, rapidamente perceberam que a ideia não ia ser rentável. “Era necessário muito investimento”, explica.

Ao mesmo tempo, aperceberam-se que a indústria podia ser o caminho. “Os agricultores industriais eram um mercado desconhecido até então”, acrescenta. Os empreendedores pesquisaram e perceberam que não tinham concorrentes diretos, podiam vender diretamente o produto em grande escala. “Há algumas máquinas que injetam água, analisam de dados mas não reagem a situações inesperadas”, afirma o responsável. Lacunas que o Coolfarm veio preencher.

 

Como funciona o sistema?

“O sistema toma conta da planta, dando-lhe o que ela precisa apenas quando precisa (água, nutrientes, temperatura adequada, ph ideal, etc.) tudo isto porque o CoolFarm tem inteligência artificial”, resume João Igor. O CoolFarm pode ser controlado através de uma aplicação para ‘smartphone’ ou ‘tablet’. Não precisa de terra porque usa apenas água para cultura, ou seja, a hidroponia.

 

A fase de testes decorre na Batalha e em Londres

storyboard_coolfarmartigoO projeto está em fase de testes com duas estufas cobaias  – de um e dois hectares na Batalha e em Londres. Além de permitir reduzir o número de pessoas numa organização, o CoolFarm permite ainda uma poupança no uso de água, luz e máquinas. “O CoolFarm junta tudo isso e fá-lo sozinho, sem ajuda humana”, responde João, que através da caixa com sensores, instalada na estufa fechada consegue controlar toda a produção.

O projeto é apenas aplicado a ambientes fechados porque o “número de variáveis é menor”. Sabrina Carvalho é a bióloga da equipa e responsável por montar a base de dados de todos os produtos. No total, são oito pessoas no projeto a ‘full-time’.

Com um investimento privado português no valor de um milhão de euros, a equipa do CoolFarm espera colocar o produto no mercado em meados de 2016. Os Estados Unidos serão o principal foco, seguindo-se a Inglaterra e os restantes países europeus. “Já temos meio milhão de encomendas no nosso site”, revela. Para já, não há valor para o produto. “Ou vendemos por módulo ou fazemos ‘renting’, tal como acontece com as operadoras de televisão a cabo”, conta João.

 

Em Londres, a estufa cobaia da empresa fica num ‘bunker’ abandonado, debaixo da terra onde plantam alfaces, mostarda, rúcula. “São negócios reais, que estão na moda e que fornecem para os supermercados e restaurantes da cidade”, afirma o empreendedor.

 

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