Descubra as vantagens de ter uma empresa solidária

Para as empresas, Natal é sinónimo de solidariedade. Conheça os benefícios de ajudar a comunidade não só nesta época mas durante todo o ano.

empresa solidáriaA apenas uma semana da 25ª Festa de Natal da Comunidade Vida e Paz, o evento mais importante de todo o ano para milhares de pessoas sem-abrigo e famílias carenciadas da região de Lisboa, toda a ajuda é bem-vinda. Nos armazéns da instituição particular de solidariedade social (IPSS), em Benfica, a lista de tarefas continua a crescer: é preciso abrir os sacos de donativos, separar e dobrar peças de roupa por tamanhos, carregar caixas pesadas e até cortar papel de embrulho para os presentes que serão oferecidos nos três dias da festa, que terá lugar entre os dias 20 e 22 de Dezembro na Cantina da Cidade Universitária de Lisboa.

Anfitriã de serviço, Maria do Céu Salgueiro, responsável da Comunidade Vida e Paz, dá as boas vindas aos cerca de 50 colaboradores de uma PME de Lisboa que este ano decidiu fazer uma festa de Natal diferente, oferecendo algumas horas de trabalho voluntário. Divididas as pessoas em três equipas, não houve tempo a perder e todos arregaçaram as mangas para uma tarde bem diferente, longe das secretárias e dos computadores.

Este é apenas um exemplo de como as empresas, e sobretudo as marcas, se tornam mais solidárias assim que o Natal se aproxima, apostando em campanhas de solidariedade e ações de voluntariado que revertem a favor da comunidade. No entanto, esta é uma tendência que não se regista apenas no Natal, com 80% das empresas a revelarem que dedicam parte do seu tempo a ações de voluntariado, de acordo com um estudo recente das consultoras Informa D&B e Sair da Casca.

Por isso, se a sua empresa está a pensar embarcar nesta onda solidária natalícia, mas não tem noção das mais-valias que isso trará para o negócio, saiba que desde a relação com os clientes, ao envolvimento com os colaboradores, sem esquecer os benefícios fiscais, são vários os benefícios do investimento empresarial em solidariedade.

 

Saiba se tem uma empresa solidária

Para começar, a sua empresa registará ganhos em termos de prestígio, já que a aposta na área da responsabilidade social tem efeitos diretos na reputação da marca e na confiança por parte dos consumidores, potenciando a capacidade de atrair e reter clientes. Além disso, as empresas mais solidárias têm também um maior envolvimento com a comunidade, são reconhecidas e integram-se melhor no meio que as rodeia.

As ações de solidariedade no Natal funcionam também como publicidade gratuita, já que captam o interesse dos meios de comunicação, o que traz maior notoriedade à empresa e influencia a opinião pública. Ao mesmo tempo, ao envolver-se em projetos de solidariedade a sua empresa estará a relacionar-se com outras empresas e estará mais exposta a novas oportunidades de negócio e parcerias estratégicas.

A nível interno também são muitas as vantagens em envolver a sua empresa em causas solidárias: sem se aperceber estará desde logo a incentivar a motivação e a produtividade dos seus colaboradores, que acabarão por se sentir orgulhosos por fazer parte de uma organização que se preocupa com o bem-estar social.

Além destas vantagens, o Estado também favorece as empresas que são solidárias através de atribuição de benefícios fiscais. Recorde-se que as ações de mecenato social e os donativos “em dinheiro ou em espécie” atribuídos por uma empresa a uma IPPS e outras entidades de utilidade pública que dedicam a sua atividade à caridade ou assistência social podem ser deduzidos na fatura fiscal da empresa (ver caixa). Somando todos estes fatores, fica provado que a responsabilidade social influencia positivamente a ‘performance’ da sua empresa e potencia o crescimento do negócio.

 

A solidariedade é mais eficaz do que o ‘team building’

No entanto, apesar das vantagens, existem alguns cuidados que as empresas devem ter para não cair no erro de usar erradamente o marketing de causas sociais como uma ferramenta com o objetivo de obter lucro e ver reduzida a fatura fiscal.

Na opinião de João Oliveira Santos, da consultora Hay Group, as empresas devem evitar seguir “as ondas de altruísmo e arroubos de filantropia de algumas campanhas publicitárias” e investir na comunidade independentemente da época do ano. “Claro que o ‘marketing social’ não só é legítimo como é um recurso de diferenciação face ao mercado. Além da notoriedade da empresa, dos laços afetivos criados com o consumidor/público – que assim garantem a sustentabilidade da marca, do produto – as empresas aproveitam o (ainda) enquadramento fiscal vantajoso“, defende o consultor, sublinhando acima de tudo o efeito da solidariedade a nível interno na performance da empresa e os resultados gerados nos trabalhadores, o que acaba por ter reflexo imediato no negócio. “Mais eficaz que muitas ações de ‘team building’ é a dinâmica gerada pela interação solidária“, refere.

No capítulo das dicas práticas para as empresas serem mais solidárias no Natal (e também no resto do ano) e trazerem benefícios a seu favor, João Oliveira Santos, do Hay Group, recomenda a aposta numa abordagem contínua, estruturada ao longo do ano, com vista a uma lógica de maximização dos benefícios. “Isto sem prejuízo de, no Natal ou noutra época específica, se poderem levar a cabo ações de solidariedade pontuais“, explica.

Da mesma forma, João Oliveira Santos adverte que as empresas devem ter em conta as necessidades da comunidade onde se inserem, apostando numa intervenção que seja adequada ao seu setor de atividade, ao seu objeto social e à predisposição dos seus trabalhadores. Por fim, diz ainda, “deverá canalizar o seu esforço usando aquilo que se poderá chamar de efeito fertilizador, ou seja, tentar identificar na comunidade e no plano de ação o que possa ter um efeito de alavanca do seu investimento, de forma a garantir o máximo de retorno possível para a comunidade e para a empresa“.

E conclui: “Mais do que uma vantagem, a solidariedade é um imperativo para as empresas. É atingir o chamado ‘triple bottom line‘: mercado, recursos humanos, ambiente e comunidade, fundamental para o desenvolvimento sustentável de qualquer organização“.

55 mil empresas fazem donativos a causas sociais

A provar que as empresas estão mais solidárias do que nunca, a Informa D&B e a consultora em desenvolvimento sustentável e responsabilidade social Sair da Casca, publicaram no início de dezembro o estudo “O apoio das empresas à comunidade – Retrato dos donativos em Portugal” que revela um total de 112,6 milhões de euros em donativos feitos pelas empresas portuguesas entre 2010 e 2012. O mesmo estudo revela que quase 55 mil empresas fizeram donativos (cerca de 20% do tecido empresarial), sendo que 54% dos donativos provêm das grandes empresas. No entanto, as PME representam também um valor significativo dos donativos (46%). Olhando mais ao pormenor para as áreas de atividade, o estudo revela que 69% dos donativos é feito pelos setores do retalho, gás, eletricidade e água, grossistas e indústrias transformadoras.

Da mesma forma, 80% das empresas abrangidas pelo estudo revelaram ter ações de voluntariado, contra os 65% registados em 2009, com um número médio anual entre oito e 96 horas de trabalho voluntário. As causas mais apoiadas são as relacionadas com a solidariedade, educação, cultura e ambiente, refere o estudo. O estudo conclui assim que “os donativos representam uma parte significativa do apoio das empresas à comunidade“. Indo mais ao pormenor, a Sair da Casca sublinha que “embora esteja na moda, é prematuro falar de uma atitude de investimento social” por parte das empresas.

 

Benefícios fiscais do Mecenato

De acordo com o Guia Fiscal da consultora Deloitte, as empresas (sujeitos passivos de IRC) que concedam donativos a entidades públicas ou privadas que se dedicam a atividades nas áreas social, cultural, ambiental, desportiva ou educacional, poderão beneficiar de uma majoração entre 20% e 50% do custo, para efeitos de determinação do respetivo lucro tributável. Para mais informações consultar o Estatuto dos Benefícios Fiscais no Portal das Finanças.

 

Bárbara Silva

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