Dez passos para internacionalizar a sua empresa

Se está a pensar em internacionalizar a sua empresa ou em exportar o seu produto existem dez passos a ter em conta antes de tomar uma decisão.

internacionalizarSão muitas as empresas portuguesas que veem o mercado internacional como a porta de saída da crise económica e financeira. Mas uma decisão que envolva exportar o produto ou serviço de uma empresa não pode ser tomada de ânimo leve. Por isso mesmo, é necessário que o empresário esteja devidamente preparado antes de iniciar este processo. Não só pelos níveis de investimento que todo este processo implica, mas também pelos riscos que pode correr.

Tendo em conta os motivos que levam cada vez mais empresas a apostar na internacionalização, o Clube Exportador da Associação Industrial Portuguesa (AIP) lançou um guia onde são propostos dez passos que os empresários devem seguir para exportar com sucesso. Fique a conhecê-los.

 

1. Faça uma auto-análise à empresa

Antes de iniciar um processo de exportação ou de internacionalização deve certificar-se que a sua empresa tem o que precisa. Faça uma auto-análise à capacidade de exportação da sua empresa, assim como à capacidade de adaptação dos seus produtos ou serviços ao mercado estrangeiro. Além disso, é também importante analisar a concorrência, construir redes de contacto e garantir que a sua equipa de gestão tem as competências necessárias para fazer face à expansão.

 

2. Defina um plano de internacionalização

Depois de feita a auto-análise, é imperativo que prepare um plano de internacionalização, onde estejam presentes os objetivos da empresa e o orçamento necessário para alcançar o mercado internacional. Deve ainda incluir neste plano os mercados a selecionar, assim como os produtos ou serviços a exportar. Desta forma, será mais fácil definir o modelo de internacionalização a adotar e identificar as restrições existentes no mercado selecionado. É igualmente importante que no plano de internacionalização esteja ainda definido o perfil de cliente do mercado onde a sua empresa vai atuar e também uma calendarização da entrada do produto nesse mercado.

 

3. Estude bem o mercado selecionado

Apesar de a maior parte das empresas portuguesas ainda apostarem nos países europeus como recetores dos seus produtos ou serviços, é certo que existem outras que preferem apostar em países fora da União Europeia, onde os riscos de internacionalização parecem ser superiores. É por isso importante que esteja devidamente informado sobre as particularidades dos mercado-destino e também sobre os obstáculos que pode vir a encontrar. Uma boa forma de conhecer o mercado ideal passa por participar em feiras de produtos e nas missões empresariais levadas a cabo pela AIP e pela AICEP.

 

4. Tire partido dos apoios à internacionalização

Se está a pensar em iniciar um processo de internacionalização, equacione a possibilidade de recorrer aos apoios disponibilizados por várias instituições portuguesas. A própria AIP disponibiliza protocolos de cooperação com várias entidades estrangeiras, o acompanhamento em missões empresariais e participações em feiras internacionais, mas também desenvolve atividades de consultoria internacional. A AICEP é outra entidade de referência no que toca à internacionalização. Além de elaborar estudos de mercado bastante completos, disponibiliza ainda informação estatística, instrumentos financeiros de incentivo e promove regularmente exposições no estrangeiro. Também a nível europeu existem duas redes que podem ajudar os empresários que queiram internacionalizar a sua empresa. São elas a Enterprise Europe Network e a Your Europe. Em ambos os portais pode consultar informações importantes sobre o tema da internacionalização.

 

5. Adapte o seu produto

Tenha sempre em conta que cada mercado tem as suas particularidades e por isso o seu produto ou serviço deve ser adequado às singularidades existentes. Ainda assim, segundo o Guia da AIP “Começar a exportar – 10 Passos”, o produto que irá ser exportado pode e deve passar por uma fase de adaptação ao mercado seguindo os seguintes critérios: características e vantagens do produto em relação ao mercado a quem se destina o produto e quais as necessidades que irá cobrir; fatores de diferenciação e canais de distribuição. Não se esqueça de que a gama de oferta pode vir a sofrer algumas alterações (como a embalagem), pois deverá ter em conta as preferências dos consumidores locais e as questões culturais. Analise também vantagens competitivas do seu produto face aos concorrentes, como o design, especificações técnicas, qualidade e adaptação às necessidades dos consumidores.

 

6. Defina o preço de exportação

Definir o correto preço de exportação é um fator fundamental para os empresários que querem exportar o seu produto com sucesso. O preço final do produto irá ser um elemento bastante importante no posicionamento da marca, da imagem do produto e da sua importância para novos clientes. Lembre-se que o preço de exportação deve ter em conta os objetivos gerais da empresa, mas também poderá ser diferente do preço nacional, uma vez que deve ser calculado em função dos critérios e das particularidades de cada mercado. É o resultado de um cálculo que engloba custos fixos, variáveis e a margem de lucro. Além disso, as adaptações do produto, o investimento em marketing, a juntar aos custos de transporte, custos administrativos, seguros, moeda e taxa de câmbio, entre outros, são exemplos de fatores que influenciam os preços.

 

7. Tenha em conta os requisitos legais

Num processo de internacionalização é importante que tenha em conta os requisitos legais a respeitar. Pequenas falhas ou omissões podem atrasar todo o processo de introdução do produto no mercado. Pode também ver o seu investimento travado se não respeitar os requisitos legais exigidos pelo país onde quer atuar. Assim, torna-se imperativo procurar aconselhamento profissional junto de especialistas que o informem sobre quais os documentos importantes para o processo de exportação ser bem-sucedido, mas também sobre qual o regime de investimento e de estatuto de investidor em vigor no mercado estrangeiro. Segundo o guia da AIP, existem três documentos essenciais para o exportador: os documentos comerciais de exportação, os documentos de transporte e os documentos aduaneiros.

 

8. Supere as barreiras

Por mais preparado que esteja para enfrentar as dificuldades, a atuação da sua empresa poderá estar sujeita a algumas barreiras formais ou informais. Entre elas, encontram-se as barreiras alfandegárias, que consistem na aplicação de direitos aduaneiros e taxas à entrada de produtos de acordo com a pauta aduaneira em vigor. As restrições quantitativas são também uma das barreiras com que se pode confrontar. Ao impor limites máximos de mercadoria de entrada, o país está a restringir o seu mercado interno a produtos estrangeiros o que dificulta em larga medida a entrada de novos produtos. Também as certificações podem ser consideradas uma barreira. As certificações são a avaliação que um organismo, estatal ou privado, faz de uma empresa para se certificar que a gestão é feita segundo determinados padrões. Apesar de não ser obrigatória, pode ser fundamental para o momento do desembarque do produto, especialmente, se este pertencer à agro-pecuária.

 

9. Avalie os meios de transporte e a logística

Preocupar-se com o transporte dos seus produtos e o seu local de armazenamento é também uma questão importante para quem quer iniciar um processo de internacionalização. É imperativo que escolha o meio de transporte que mais se adequa ao seu produto, negoceie os termos internacionais de comércio (incoterm), conheça os direitos aduaneiros que se aplicam ao seu caso, confirme qual a documentação necessária de transporte e como pode o seu produto estar seguro durante a deslocação. Além disso, deve também averiguar quais são os principais portos do país e a sua capacidade de escoamento, o número e frequência de navios que chegam desses portos com cargas de Portugal, os meios de transporte disponíveis após desalfandegamento, as capacidades e facilidades de armazenamento, os seus custos e o que é considerado nas inspeções pré-embarque.

 

10. Informe-se sobre como pode cobrar a venda do produto

Ao recorrer a uma transação internacional para vender o seu produto ou serviço, existem alguns riscos a que pode estar sujeito. É por isso que também as condições de pagamento devem ser acordadas antes de iniciar um processo de exportação. Informe-se junto de uma instituição bancária sobre quais são os mecanismos existentes que podem ajudá-lo a assegurar a ação de cobrança, diminuindo os riscos associados a esta operação. O pagamento de uma operação comercial internacional pode ser feito através de meios de pagamento documentário e meios de pagamento não documentário. De acordo com o guia disponibilizado pela AIP, os meios de pagamento documentário constituem uma ordem de pagamento documental, em que “o movimento de fundos está ligado à troca de documentos comerciais ou financeiros que dão posse da mercadoria”. Já os meios de pagamento não documentário “são aqueles em que apenas existe um movimento de fundos entre comprador e vendedor, sendo que os documentos associados à operação comercial não estão ligados à forma de liquidação”. É igualmente aconselhável que esteja informado sobre os seguros de câmbio de forma a estar protegido dos riscos de flutuações de outras moedas internacionais.

 

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