“Os aceleradores são as universidades das startups”

Stephan Morais, administrador da Caixa Capital, explica como funciona o Fundo TTA e faz uma antevisão do Caixa Empreender Award.

stephan morais artigo
Stephan Morais é administrador da Caixa Capital.

O ano de 2015 começa com boas notícias para o universo do empreendedorismo em Portugal. A começar pela formalização do Fundo Tech Transfer Accelerator (TTA) da Caixa Capital, no valor total de cerca de seis milhões de euros, para financiar as empresas vencedoras dos programas de aceleração apoiados pelo grupo Caixa Geral de Depósitos. E sem esquecer o regresso do Caixa Empreender Award, que será entregue no próximo dia 27 de janeiro à melhor de entre sete ‘startups’ que já passaram com distinção pelos aceleradores Lisbon Challenge, da Beta-i, Building Global Innovators, do ISCTE e do MIT Portugal, e AcT/CoHITec, da Cotec Portugal. “Vai ser um evento marcante para o empreendedorismo em Portugal. É a consagração da Caixa Geral de Depósitos como grupo que apoia o empreendedorismo, não só com capital investido mas também no apoio aos parceiros”, explica Stephan Morais, administrador da Caixa Capital, em entrevista ao Saldo Positivo. Para conhecer mais em pormenor como funciona o Fundo TTA e o que se pode esperar da edição deste ano do Caixa Empreender Award, leia a entrevista completa a Stephan Morais.

 

Como classifica os projetos de empreendedorismo em Portugal?

Em Portugal há bons projetos de empreendedorismo. Claro que ainda podemos melhorar, não somos Silicon Valley, mas estamos muito bem e os investidores portugueses têm um mercado bom para investir. Os empreendedores portugueses têm acesso a capital e os melhores projetos têm tido bastante sucesso. A qualidade das ‘startups’ portuguesas e dos seus ‘pitches’ está a aumentar imenso e isso deve-se aos aceleradores e aos contactos com investidores nacionais e internacionais. Há hoje um maior profissionalismo dos empreendedores do que há quatro ou cinco anos.

 

Continua a defender que existe abundância de investimento, e não escassez?

Há imenso capital no mercado, tanto em Portugal como no estrangeiro. Existe até uma dificuldade em investir, porque os critérios de investimento profissionais são muito específicos e exigentes, e não são todas as empresas que reúnem os ingredientes necessários para atrair os investidores. Há mesmo muitíssimo capital e os investidores internacionais têm liquidez excessiva, mas faltam projetos mais completos e com capacidade de atrair os investidores.

 

Para a Caixa Capital é importante investir em ‘startups’ já validadas em programas de aceleração?

Os aceleradores hoje em dia são um bocadinho como as universidades das ‘startups’. Os programas de aceleração preparam as empresas que têm uma ideia para as transformarem num bom negócio, nomeadamente na área tecnológica. Sistematizam a divulgação de oportunidades, o processo de crescimento e o processo de desenvolvimento das empresas. Isso para nós é importante enquanto processo prévio de triagem. Não quer dizer que todas as empresas boas em Portugal tenham passado por aceleradores. Mas é uma forma de sistematizarmos a nossa intervenção no mercado, usando estes aceleradores como plataformas de triagem.

 

O que mais valorizam nas ‘startups’ na hora de investir?

Para a Caixa Capital, o foco principal é o máximo potencial de mercado que uma empresa pode vir a alcançar. Isso tanto pode acontecer num negócio digital, como num negócio de engenharia ou ciências da vida. Tem muito a ver com quais são as áreas em que acreditamos que vão existir mais investimentos no futuro. Os investimentos da Caixa Capital em pré-seed estão completamente dependentes da existência de rondas subsequentes rápidas. O negócio de ‘venture capital’ é um negócio de camadas de capital. Ou há apetência e procura por aquele tipo de tecnologia ou solução por parte de outros investidores internacionais ou não vale a pena nós investirmos. Só vale a pena financiar o que os outros investidores também andam à procura. Estamos muito atentos às tendências internacionais de financiamento e damos primazia a investir em empresas que representem essas mesmas tendências. Naturalmente há um conjunto de outros critérios básicos que tem a ver com a qualidade da equipa, diferenciação efetiva da tecnologia, tamanho do mercado, competição etc.

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