Estratégias para tornar a sua empresa mais inovadora

Como é que uma empresa se torna mais inovadora? E como se estimula a inovação dentro das organizações? Descubra algumas pistas neste artigo.

Inovação- artigoA Via Verde, o multibanco e o telemóvel pré-pago são casos de inovação ‘made in Portugal’. E apesar de o nosso país ser pouco reconhecido no ‘ranking’ mundial, a verdade é que são cada vez mais as empresas portuguesas que dão cartas nessa área. Para comprová-lo basta olhar para as histórias de organizações como a Uniplaces, a Talkdesk, a Seedrs, ou a Farfetch. Mas o que diferencia estas empresas? E como se pode criar uma empresa inovadora? Foi exatamente para responder a estas questões que o Saldo Positivo consultou três especialistas que todos os dias lidam de perto com ideias e projetos em que a inovação é um fator crucial. Conheça as suas estratégias e conselhos sobre a inovação.

 

Inovação não se faz à secretária

“Inovação: Ato de renovar, inventar, criar”. A definição é a que consta no dicionário e parece, à partida, simples. O problema coloca-se em como é que as empresas conseguem aplicar esta definição ao seu dia-a-dia. Para Luís Rasquilha, professor universitário e CEO da INOVA Consulting e da Inova Business School, a resposta a esta dúvida é simples, “a inovação é mais uma atitude, um ‘mindset’ do que uma ferramenta”, explicou ao Saldo Positivo. Para ele, as empresas inovadoras não são aquelas que lançam muitos produtos ou que têm departamentos formais de inovação, mas sim as que “têm a cultura de questionar, de criar e principalmente de se adaptar ao novo”.

Este professor universitário garante que não é preciso um investimento avultado ou um plano exaustivo para aumentar os níveis de inovação. Por vezes, são as pequenas mudanças de processo que ajudam a estimular a inovação empresarial. E avança com um exemplo. As empresas devem evitar que os seus colaboradores estejam sentados na mesa de trabalho sempre a fazer a mesma função. Por outras palavras, “as pessoas que só fazem determinada função ou processo e nunca são estimuladas ou provocadas a pensar diferente nunca serão inovadoras”. É preciso “ler conteúdos diferentes, conhecer outras realidades, viajar, experimentar”. Estes “são pequenos passos para aumentar os níveis de inovação na empresa”, assegura. A mesma opinião tem Alexandre Ostrowiecki, especialista em tecnologia: “Um lugar onde a inovação raramente ocorre é na secretária. A melhor forma de inovar é estar sempre a circular pela empresa e a visitar os clientes, com os olhos e ouvidos bem abertos.”

Também Pedro Rocha Vieira, co-fundador e CEO da Beta-i, entidade que promove a inovação e o empreendedorismo através de programas como o Lisbon Challenge, defende que a inovação “não pode ser promovida por um departamento externo à empresa, mas sim olhada de forma integrada e estratégica”. O responsável acrescenta ainda que “o caminho para a inovação obriga a um determinado grau de coragem, persistência e paciência, que o torna sempre difícil. Viver com o incerto vai muitas vezes contra a nossa natureza, mas pode trazer frutos e recompensas bem mais interessantes”. E deixa um conselho: “É preciso que os empreendedores tenham uma cultura global e a noção de que a ideia por si não vale muito, sendo importante a capacidade de execução e de crescer rapidamente a nível global.”

 

A inovação deve ser vista como um investimento e não como um custo

Quando questionado se à palavra inovação está sempre inerente um investimento elevado, Pedro Rocha Vieira garante que nem sempre isso acontece, “especialmente se seguirmos metodologias típicas de ‘startups’, que implicam desenvolver protótipos de baixo custo para testar conceitos de forma rápida”. Mas vai ainda mais longe. “A inovação deve ser vista como um investimento e não como um custo”.

Luís Rasquilha garante que uma empresa para inovar basta querer, já que é algo que está ao alcance de qualquer organização. “Independentemente da dimensão da empresa, qualquer uma pode ser inovadora pois gerar ideias não custa. O que custa é alocar recursos para as implementar. O mundo tem-nos mostrado que nem sempre as empresas com maiores orçamentos são as mais inovadoras”, lembra o professor universitário.

 

Mesmo as empresas tradicionais podem (e devem) inovar

A palavra “inovar” não serve apenas para as ‘startups’. Este é um verbo que deve ser conjugado também pelas empresas que operam em setores tradicionais. Reflexo dessa mesma vontade de renovar e de fazer diferente estão os casos de muitas empresas portuguesas do setor do calçado (por exemplo, a Fly London) ou do setor dos têxteis ( por exemplo, a LMA de Santo Tirso) que já comprovaram ser possível inovar mesmo em terrenos mais tradicionais.

No entanto, para estas empresas, a inovação exige uma mudança de atitude. Este é o grande desafio do tecido empresarial português, na opinião de Luis Rasquilha, que admite haver em Portugal “um problema de cultura e atitude de gestão com uma visão antiga do mercado. Ou seja,  previsível, estável, linear”.

Já Pedro Rocha Vieira acredita que as empresas tradicionais e as grandes empresas podem aprender com as ‘startups’ e vice-versa. E explica porquê: “Acreditamos que o papel das grandes empresas pode ser cada mais relevante para o sucesso das ‘startups’ e que as ‘startups’ podem ser críticas para as estratégias de inovação das grandes empresas”.

 

Histórias de inovação na primeira pessoa

João Rafael Koehler, presidente da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários, é da mesma opinião e acredita que nos setores tradicionais “também há margem para inovar e ser empreendedor, desde que se tenha a capacidade para subir na cadeia de valor, com mais tecnologia no fabrico, com perfil inovador de produtos e serviços, melhorando os modelos de gestão, valorizando o capital humano e apostando em elementos diferenciadores”, explicou ao Saldo Positivo

E é exatamente isso que faz a Cartonagem Trindade, empresa que produz embalagens de cartão compacto para os mais variados produtos. “Somos incansáveis em ultrapassar limites e orientamos esta atitude enérgica, encontrando soluções. Soluções que comprometem, inspiram e fazem pensar. Provocam curiosidade”, afirmou ao Saldo Positivo, Pedro Ventura, CEO  da empresa.

 

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