Internacionalização: O que motiva e assusta as empresas?

Conheça as conclusões de um inquérito sobre internacionalização elaborado pela Deloitte e pela aicep Portugal Global a 412 empresários.

internacionalizaçãoMelhorar as margens e a rendibilidade da empresa, fugir à saturação do mercado nacional, explorar nichos de mercado, dar resposta a clientes globais, diversificar os riscos e potenciar economias de escala. Estes são os principais motivos que levam as empresas portuguesas a optar pela internacionalização dos seus negócios, de acordo com o “Estudo Sem Fronteiras – PME levantam voo”, realizado em 2014 pela consultora Deloitte e pela aicep Portugal Global.

Tal como na primeira edição do estudo, realizada em 2012, a saturação do mercado nacional continua a ser a primeira razão para internacionalizar (na opinião de 24% dos inquiridos), já que “condiciona fortemente o potencial de crescimento das empresas nacionais”, refere o estudo. “A contração económica que se registou no país nos últimos anos introduziu um novo paradigma para muitas empresas portuguesas – a internacionalização. A procura de novas oportunidades fora de portas assumiu-se como um desafio natural para contrariar a diminuição da procura interna e a redução drástica do investimento público e privado em Portugal”, explica o inquérito, que resultou de entrevistas feitas a 412 empresários entre 11 de abril e 12 de maio de 2014.

Perante a saturação do mercado português, as empresas optaram então por apostar em “mercados com maior potencial de colocação dos seus bens e serviços, assegurando condições para um crescimento sustentado e uma redução do risco”.

Face a este cenário, o estudo com o título “PME levantam voo” revela ainda que 91% das empresas inquiridas já iniciaram o seu processo de internacionalização (87% em 2012). Tendo em conta que 40% das empresas que participaram no inquérito são micro empresas, conclui-se que a internacionalização é também já uma realidade inevitável para as organizações de menor dimensão.

“Mais do que ao alcance das empresas, a internacionalização é hoje uma realidade presente no dia-a-dia da maioria das PME e um desejo que muitas estão já a cumprir. Além disso, o estudo permite concluir que uma maioria significativa de micro empresas que responderam já iniciaram a sua internacionalização”, explicou em declarações ao Saldo Positivo, Pedro Mendes, ‘parner’ de Auditoria da Deloitte.

O estudo conclui ainda que 44% das empresas iniciaram o seu processo de internacionalização há mais de cinco anos. Das inquiridas, apenas seis em cada 100 empresas ainda não o iniciaram, mas pretendem fazê-lo nos próximos 12 meses. O número cai para metade (três em cada 100) em termos de empresários que não têm qualquer expectativa de se internacionalizar no curto ou médio prazo.

“A internacionalização é uma resposta óbvia das empresas portuguesas à saturação do mercado nacional, como um processo racional de sustentabilidade alicerçado nas oportunidades emergentes de uma economia cada vez mais globalizada. O estudo revela que as empresas portuguesas já entenderam de forma clara que a internacionalização é a estratégia mais adequada para a sua sobrevivência, crescimento e sustentabilidade”, refere ainda Pedro Mendes.

Outro resultado do inquérito sublinhado pela Deloitte diz respeito às fontes de financiamento da internacionalização, com o autofinanciamento a surgir como a opção mais utilizada em operações de internacionalização (85%), seguido pelo financiamento bancário (43%) e pelos incentivos públicos de natureza financeira ou fiscal (22%). No entanto, refere o estudo, estes dois últimos tipos de financiamento deverão assumir uma maior importância no futuro, com cerca de 45% dos inquiridos a revelar que planeiam recorrer mais – tanto ao financiamento bancário, como aos incentivos públicos e investidores privados.

“Tendo em consideração as dificuldade de acesso ao crédito, na atual conjuntura económica nacional, as empresas entendem que o recurso a capitais próprios é a resposta mais equilibrada, conservadora e necessária para fazer face ao processo de internacionalização”, explicou o ‘partner’ da Deloitte ao Saldo Positivo.

 

Medo do desconhecido assusta empresários

Na hora de avançar com o processo de internacionalização, as principais dificuldades identificadas pelos empresários “derivam não só de algum desconhecimento e de barreiras no acesso a países com culturas comerciais diferentes, mas também com a capacidade de obtenção de recursos financeiros e recursos humanos qualificados”, refere o estudo. Em termos percentuais, 51% das empresas consideram o desconhecimento dos mercados e as barreiras existentes à entrada nos países de destino como fatores que dificultam o processo de internacionalização. Da mesma forma, a falta de recursos financeiros é fortemente reconhecida como condicionante do investimento no exterior (43%).

Por comparação com 2012, referem as conclusões da Deloitte, verificou-se uma evolução positiva do nível de conhecimento, sobre apoios e incentivos governamentais à internacionalização, pelas empresas. O que mais assusta os empresários é o desconhecimento do modo de negociação ou processo de decisão nos países de destino, dificuldade de obtenção de recursos qualificados, as diferenças linguísticas ou de enquadramento fiscal, que poderão, em última análise, desincentivar a internacionalização.

Os riscos mais temidos dizem respeito ao crédito (prazos de recebimento), dependência dos parceiros locais, falta de conhecimento do enquadramento legal e fiscal, cambial e na expatriação do capital investido nos países de destino.

Para se prepararem melhor, os empresários portugueses valorizam o acesso a informação relevante sobre os mercados de destino (77%) e a possibilidade de organização e participação de visitas a feiras e certames internacionais (57%). Por outro lado, para escolha de um mercado onde investir, os empresários analisam sobretudo a dimensão e o número de consumidores potenciais como fator determinante (94%), os aspetos culturais (47%), os aspetos linguísticos (38%) e a proximidade geográfica (31%).

 

Leia também os seguintes artigos relacionados com o mesmo tema:

– Saiba como financiar a internacionalização da sua empresa

– Internacionalização: Conheça seis cursos para gestores

– 10 Passos para internacionalizar a sua empresa

– As 11 cidades com mais oportunidades de negócio

 

Deixe um comentário

A Caixa de Comentários é moderada. O Saldo Positivo reserva-se o direito de não publicar os comentários que possam ser considerados ofensivos.

PUB
PUB
PUB