OPINIÃO

Luís MenesesPresidente da Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC)

Opinião: Micro–negócios – Avaliar, Divulgar, Partilhar

Conheça os resultados do inquérito que a ANDC realizou junto dos 1195 microempresários que apoiou desde 1999.

Publicado em: Empresas Opinião

Como referimos anteriormente nesta página, a ANDC realizou um inquérito junto dos 1195 microempresários que apoiou desde 1999 e que terminaram o período de reembolso dos seus empréstimos até final de 2013. Os resultados desse estudo, que foi financiado pelo QREN através do POAT/FSE e que tem o título «Micro-negócios: Avaliar, Divulgar, Partilhar», podem ser consultados no site da ANDC. Por se tratar da primeira avaliação que conhecemos sobre os resultados e impacto do microcrédito em Portugal, vamos passar em revista algumas das suas conclusões.

 

Pretendia-se, em primeiro lugar, avaliar o grau de sucesso dos negócios e o impacto do microcrédito na melhoria das condições de vida das pessoas que a ele recorreram. Este último aspeto é, aliás, o mais importante, já que a criação de um negócio próprio é um meio, não um fim – uma forma de criar o próprio emprego e com isso ter um papel ativo na economia e escapar a uma situação de exclusão económica ou social.

 

Nesse aspeto, que consideramos o mais importante, os resultados são muito positivos: 80% dos inquiridos considera que o microcrédito que recebeu contribuiu muito, ou um pouco, para que que a sua vida melhorasse. Trata-se de um resultado importante, mostrando que o microcrédito tem efeito na qualidade de vida de quem recorreu a este financiamento, mesmo quando o negócio acaba por fechar. Se considerarmos apenas estes, isto é, os que já não têm o negócio aberto, a percentagem é de 72% – é uma maioria expressiva. O que mostra que o microcrédito pode ser uma etapa num processo de autonomia e desenvolvimento pessoal, reforçando a autoestima e criando condições para outros desafios.

 

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No que se refere à taxa de sobrevivência dos negócios, verificamos que, decorridos 15 anos da atividade da ANDC, 33% continua aberto. Esta taxa é bem melhor do que a média das pequenas empresas em Portugal. Segundo dados do INE relativos às empresas criadas em 2008 [Empresas em Portugal 2012, INE, março 2014], e no que respeita a empresas individuais, ao fim de 4 anos a taxa de sobrevivência é de apenas 23,2% e mais de metade não sobrevive para além de 2 anos.

 

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No que se refere à criação de emprego, comparando a situação profissional dos microempresários antes e depois do microcrédito, verificamos que a percentagem de microempresários em situação de desemprego desce de 74% para 25%.

Quanto ao efeito do microcrédito na promoção do empreendedorismo e na atitude face a oportunidade de trabalho por conta de outrem, dos microempresários que mantêm o negócio, 75% não o abandonaria por um trabalho por conta de outrem.

 

Um dos objetivos do inquérito foi também o de recolher dados sobre os negócios abertos, para divulgar no diretório de negócios online, disponível no site da ANDC. Os dados recolhidos completaram os já existentes, relativos aos negócios cujo crédito ainda se encontra ativo. Deste modo qualquer pessoa, em qualquer zona do país, pode agora procurar moradas, produtos e serviços de microempresários através deste motor de busca. Pretende-se com esta medida promover os micro-negócios e incentivar o comércio local.

 

Em resumo, resultados animadores que reforçam a nossa motivação para continuar a desenvolver o microcrédito em Portugal, em colaboração com os nossos parceiros, entre os quais tem lugar de destaque a CGD.

 

 

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