NCREP e Rés-do-Chão dão nova vida às cidades

Reabilitar prédios velhos e espaços comerciais desocupados nas cidades portuguesas são as propostas destas duas empresas.

Créditos da foto: Ricardo Santeodoro

De um lado, lojas de rua abertas, com montras bonitas. Do outro lado, espaços comerciais encerrados e em estado de degradação. Diz-se que Lisboa está na moda e o comércio de rua nunca esteve tão ativo. Mas, em algumas zonas da cidade como no bairro da Misericórdia, quem anda pelas ruas depara-se com um cenário diferente: espaços comerciais vazios.

Para mudar essa situação, Mariana, Marta, Margarida e Sara juntaram-se. As quatro arquitetas não conseguiram ficar indiferentes a este problema. De São Paulo, no Brasil, de Ahmedabad, na Índia ou de Lisboa, onde moravam, reuniram esforços e, no final de 2013, criaram o projeto Rés-do-Chão – uma associação cultural que pretende reabilitar pisos térreos comerciais vazios. Mas não só. Através de um novo modelo de arrendamento comercial, as jovens querem fazer a ponte entre os proprietários e os arrendatários. “Queremos devolver as ruas às pessoas, combater o abandono e trazer as indústrias criativas a estas zonas da cidade”, começa por explicar Manuel Pereira, gestor do projeto e o quinto elemento da organização.

Além da vertente cultural, o  Rés do Chão  é um projecto de reabilitação e regeneração urbana. Oferecem três tipos de serviços: facilitação entre proprietários de pisos térreos desocupados e arrendatários interessados; reabilitação dos espaços degradados; gestão e dinamização dos pontos comerciais com modelos de arrendamento partilhado e sistema de ocupação temporária.

Depois de ganharem o terceiro prémio do FAZ – Ideias de Origem Portuguesa, da Fundação Calouste Gulbekian, no valor de dez mil euros, as quatro amigas reabilitaram uma antiga mercearia na rua dos Poços Negros, fechada há mais de 10 anos. “Estamos a trazer jovens empreendedores e convidar os moradores do bairro a entrar neste ambiente”, afirma Manuel Pereira.

Uma antiga mercearia abriga agora indústrias criativas

Madalena Braga é um desses casos. Um dia, a caminho de casa, reparou no nº 119 da rua do Poço dos Negros e achou que seria uma excelente oportunidade para mostrar a MaD.B Studio – a sua marca de roupa. Designer têxtil de formação, a jovem lançou o seu projeto de roupa em novembro de 2014 e divide hoje a montra na rua do Poço dos Negros com outros empreendedores. “A loja de porta aberta, os turistas que passam, entram, a imprensa procura-nos e o envolvimento dos vizinhos… está a mostrar que o projeto vale a pena”, revela a designer de moda, de 30 anos.

Além dos vestidos da Madalena, as mochilas da marca Airosa ou o círculo de cerâmicas fazem parte da montra do nº119. Por 180 euros é possível ter um espaço de trabalho em sistema co-working, usufruir da loja para expor os produtos e tornar-se ainda sócio arrendatário do projeto.

Os três “R´s” são as letras de ordem

NCREP_Tiago IlharcoARTIGO
Tiago Ilharco, um dos sócios da NCREP.

Reabilitar, Regenerar, Restaurar. Tal como as quatro arquitetas lisboetas, Alexandre, Bruno, Valter, João e Tiago não conseguiram ficar indiferentes aos prédios abandonados no grande Porto. Queriam preservar o património desta e de outras cidades. Com este objetivo, os cinco engenheiros civis da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto criaram a NCREP – uma empresa de consultoria em reabilitação do edificado e património. “Fazemos projetos que podem ir desde testar sismos na baixa em Lisboa a medir a resistência das caves do Vinho do Porto”, explica Tiago Ilharco, um dos cinco sócios da startup.

Para conseguirem avançar com a ideia, os fundadores do projeto trocaram os laboratórios da Faculdade do Porto por um escritório próprio na incubadora do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC).  Abriram também um escritório em Lisboa. Prestam serviços de inspeção e diagnóstico, monitorização e projeto no âmbito da reabilitação estrutural de construções, residenciais ou não, onde se incluem muralhas, torres, pontes, chaminés entre outros. “Com o tempo, as pessoas foram-se esquecendo dos cuidados na construção dos novos edifícios. Há muitos prédios que não estão preparados para um sismo, por exemplo”, adianta o engenheiro civil.

1º lugar num concurso para reabilitar aldeias na Ásia

Com quatro anos, a NCREP ganhou um concurso do Banco Mundial para reabilitar aldeias no Butão, sul da Ásia, afetadas pelos sismos ocorridos em 2009 e 2011 que destruíram povoações neste reino asiático. “Quisemos desenvolver um projeto que preservasse o património e aumentasse a resistência, caso novos sismos acontecessem, sem as alterar muito”, descreve um dos responsáveis.

O aumento de clientes estrangeiros com investimentos em Portugal tem trazido mais projetos. “Apostamos na reabilitação urbana em território nacional”, explica um dos fundadores. Os centros históricos do Porto e Lisboa são os mercados que mais despertam atenção dos estrangeiros.

O primeiro grande projeto internacional trouxe-lhes notoriedade. Querem agora aproveitar o momento e potencializar o conhecimento e experiência acumulada “ao longo de mais de 10 anos de atividade” para continuar a aumentar o currículo. Contam já com  150 projetos no portfólio. “E a empresa está a crescer a dois dígitos”, conclui Tiago.

 

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