OPINIÃO

Manuel TângerHead of Innovation da Beta-i

Opinião: Aceleradores verticais- O caso ProTechting

O responsável da Beta-i faz um balanço da primeira edição do programa de aceleração Protechting.

A Beta-i é um dos aceleradores mais activos da Europa, e tem nos últimos anos vindo a apostar numa lógica que cruza as ‘startups’ e grandes empresas, através de programas como o ProTechting, desenhado especificamente para a Fosun, Fidelidade e Luz Saúde, e que pretende trazer inovação externa e propor novos formatos a estruturas complexas e nem sempre ágeis.

Desta forma, e em conjunto com estas entidades, fomos capazes de atrair com sucesso mais de 180 ‘startups’ europeias, dominantemente na área dos Seguros e Saúde, o pilar central do desenho deste programa.

Depois disso, as melhores 25 ‘startups’ foram submetidas a um primeiro teste, a semana de ‘bootcamp’, na qual peritos e consultores da Fosun, Fidelidade e Luz Saúde aconselharam as várias equipas na procura do melhor modelo de negócio possível, sempre tendo em vista a integração destas na indústria dos Seguros ou Saúde. O conhecimento assim adquirido é muito valioso para as ‘startups’, que começam aqui a compreender melhor o verdadeiro potencial de trabalhar em conjunto e de perto com empresas desta dimensão.

Enquanto acelerador assumimos um papel essencial na gestão deste ‘espaço’ onde estas duas realidades, expectativas e pontos de vista se cruzam. Grandes corporações como a Fosun, Fidelidade ou Luz Saúde gerem negócios já estabelecidos e rentáveis, com grande conhecimento do mercado e processos pensados para garantir estabilidade. Mas este modelo não é fácil de interligar com ‘startups’ cujo objectivo é precisamente disruptar o mercado e introduzir abordagens inovadoras de forma rápida, com poucos processos e controlo, precisamente o oposto da já referida estabilidade.

Penso que a ‘magia’ deste tipo de programas reside aí, no facto de a verdadeira inovação acontecer nesse espaço comum que se estabelece entre empresas de sucesso e ‘startups’ ambiciosas mas ainda sem escala. Mas o processo está longe de ser simples, no entanto.

Ambos os actores precisam de ajustar a sua abordagem, e as vias de comunicação de contacto, para que possam verdadeiramente trabalhar em conjunto, construindo esta plataforma comum.

Nesse sentido, é um prazer dizer que o ProTechting foi um grande sucesso, e a vários níveis. O primeiro é, desde logo, no número de ‘startups’ que ficou activamente a trabalhar com a Fosun.

O objectivo assumido passava por ter 2 a 3 ‘startups’ a testar as suas soluções no terreno no final do programa, e de momento temos 9 ‘startups’ a trabalhar em projectos com a Luz Saúde, Fidelidade e Fosun, em diversas áreas.

“Penso que a ‘magia’ deste tipo de programas reside aí, no facto de a verdadeira inovação acontecer nesse espaço comum que se estabelece entre empresas de sucesso e ‘startups’ ambiciosas mas ainda sem escala”

Outra métrica de sucesso passava por conseguir que o espírito inovador dentro de estruturas como a Fidelidade e a Luz Saúde ganhasse raízes, e que estas conseguissem também beber parte do espírito, abordagem e atitude das ‘startups’, e que pudessem responder melhor aos desafios que enfrentam, integrando novas soluções na sua oferta, estimulando a criação de uma cultura de inovação, e consolidando o seu negócio. Desafio superado.

A atenção dos media, e a notoriedade pública que o Protechting gerou não pode também ser desprezado. É seguro dizer que o posicionamento de multinacional associada a valores de inovação da Fosun saiu reforçado em Portugal, muito graças à marca ‘ProTechting’, e à cobertura alargada que esta gerou.

“Fiquei muito impressionado com os projetos, têm muito mais qualidade do que alguma vez imaginei”, disse Liang Xinjun, CEO da Fosun, no evento de encerramento do programa. Para este responsável, “a empresa está interessada em investir também em pequenos projetos, uma forma de se envolver com os ecossistemas locais e fomentar o espírito empreendedor internamente”. “Queremos, a partir de Lisboa, estender o programa para a Europa e, depois, para os Estados Unidos. Todos beneficiam com o empreendedorismo”, sublinhou Liang Xinjun.

Para a Beta-i foi também muito importante, pois deu-nos a oportunidade de demonstrar de novo que este modelo, mais do que uma aposta, é um investimento no presente e futuro. Estamos também muito satisfeitos com alguns resultados paralelos, como o alinhamento cultural que conseguimos desenvolver com uma organização como a Fosun, que compreende que apenas por via de uma constante inovação será possível continuar a prosperar nos próximos 100 anos.

Também ficou para nós muito claro que é possível criar uma ponte entre a China e a Europa, tendo Portugal como porta de entrada. Há aqui uma enorme potencial para criar laços fortes, explorando novos mercados e oportunidades de negócio.

Foi uma honra trabalhar com a Fosun, Fidelidade e Luz Saúde, e estou seguro que, olhando já para o futuro, vamos voltar brevemente a ter motivos para celebrar outros sucessos, explorando sempre novas oportunidades em conjunto.

 

Para mais informações sobre este tema consulte o site da Beta-i

 

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