OPINIÃO

Luís MenesesPresidente da Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC)

Opinião: Microcrédito em Portugal- Uma avaliação

Até ao final de Agosto, o número de candidaturas ao microcrédito recebidas na ANDC aumentou 32% em relação ao ano passado.

Com mais de 15 anos de atividade, a ANDC tem uma experiência já longa de microcrédito no nosso país. Vejamos como tem evoluído essa experiência.

No que se refere à procura, isto é, às pessoas que nos procuram para obter ajuda, financeira e outra, para o lançamento dum pequeno negócio, o gráfico abaixo mostra a evolução.

grafico_candidaturas_saldopositivo

 

Entre 1999 e 2003, um período inicial de divulgação deste novo instrumento, em que o número de candidaturas recebidas anualmente se situou na casa das duzentas.

Em seguida, um período de rápido crescimento, entre 2004 e 2008, com o número de candidaturas a atingir um máximo de 2092 no ano de 2008. Este período coincide com a grande difusão do microcrédito a nível mundial, com a atribuição do Prémio Nobel da Paz a Mohammad Yunus e a declaração pela ONU de 2005 como o ano internacional do microcrédito.

Depois uma queda acentuada, entre 2008 e 2011, que acompanhou a crise económica e financeira a nível mundial, finalmente um período de retoma sustentada, a partir de 2012. Este crescimento, em contraciclo com a recessão que vivemos, pode ser explicado pelo aumento do desemprego e pela importância deste instrumento na criação do próprio emprego.

Apesar disso, pode surpreender a dimensão do aumento da procura no corrente ano. Até final de Agosto, o número de candidaturas recebidas na ANDC aumentou 32% em relação ao ano anterior, o que, a manter-se, aponta para um total de 2.230 candidaturas em 2014. Um máximo absoluto na história da instituição, para o qual terá contribuído também a renovação da imagem e o reforço da comunicação a partir de 2013.

Se o aumento da procura é uma condição necessária para o desenvolvimento do microcrédito, não é contudo condição suficiente, como outros indicadores têm vindo a mostrar. De facto, a par do aumento da procura, verificou-se uma deterioração da “taxa de conversão” de candidaturas em microcréditos aprovados: atualmente, menos de 10% dos pedidos que recebemos se concretizam em novos microcréditos.

As razões para esta reduzida taxa de conversão são diversas:

– desistência dos candidatos, quando se apercebem das exigências do negócio ou das condicões do empréstimo;

– falta de condições financeiras do candidato (incidentes bancários ativos, dificuldade em encontrar fiador, etc.);

– avaliação negativa da viabilidade do negócio ou das competências do empreendedor, por parte da ANDC ou dos bancos.

Entre todas, a mais frequente é a primeira, o que é revelador da dificuldade de iniciar um novo negócio e da “aversão ao risco” tão generalizada entre nós. A eficácia do microcrédito, no entanto, não se avalia pela procura nem pelo número de projetos aprovados, mas pelo efeito que teve, ou não, na melhoria das condições de vida e na criação de emprego dos seus destinatários. Sobre esse assunto, a ANDC acaba de realizar um inquérito junto dos 1195 microempresários que apoiou e que terminaram o período de reembolso dos seus empréstimos até final de 2013. Os resultados desse estudo, que foi financiado pelo QREN através do POAT/FSE, estão a ser analisados e serão divulgados brevemente.

 

Saiba mais informações sobre o microcrédito no site da Associação Nacional de Direito ao Crédito

 

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