OPINIÃO

João FernandesCoordenador do IAPMEI

Passaporte para o Empreendedorismo

O coordenador do IAPMEI explica como funciona o Passaporte para o Empreendedorismo e como é necessário acreditar no talento dos portugueses.

Publicado em: Empresas Opinião

Portugal[i] não pode deixar por explorar todo o seu potencial empreendedor[ii]! Mas terá de o fazer cada vez mais através de iniciativas empresariais de elevado valor acrescentado com efeitos indutores de alteração do perfil produtivo da economia, ou seja, que conduzam à criação de empresas dotadas de recursos humanos qualificados, de empresas que desenvolvam atividades em setores com fortes dinâmicas de crescimento e ou setores com maior intensidade de tecnologia e conhecimento ou de empresas que valorizem a aplicação de resultados de I&D na produção de novos produtos e serviços, o denominado «Empreendedorismo qualificado e criativo».

Todavia o conhecimento, os estudos de caso, os resultados de investigação científica, as teses de mestrado ou de doutoramento não se constituem como uma qualificação ou um “passaporte” para que empreendedores criativos estejam prontos a empreender, nem “produzem” ideias de negócio prontas a entrar no mercado. É necessário juntar a prática e o processo para que as intenções resultem em acções e para que a identificação de oportunidades resulte na sua exploração. É também necessário promover uma atitude e mentalidade mais empreendedora e combater a aversão ao risco junto da mais vasta audiência possível de potenciais empreendedores, em particular dos jovens.

Nesse âmbito, é lançada, em 2012, a iniciativa Passaporte para o Empreendedorismo[iii]  integrada num conjunto mais alargado de medidas de combate aos elevados níveis de desemprego jovem (Impulso Jovem[iv]), e de promoção do empreendedorismo e da inovação (Programa +E+I[v]). A medida contou com o apoio financeiro do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), através dos Programas Operacionais Regionais do Norte, Centro e Alentejo.

O Passaporte para o Empreendedorismo, conjugando apoios financeiros com assistência técnica, teve o intuito de dinamizar um contexto favorável ao surgimento e ao desenvolvimento de projetos empresariais de índole inovadora, inseridos em setores com dinâmicas de crescimento, que fossem promovidos por jovens qualificados até aos 34 anos. O apoio financeiro – uma bolsa mensal no valor de 691,70 euros – atribuído durante um período inicial de 4 meses, estava sujeito a uma avaliação intercalar, que decidia sobre a continuidade do apoio por mais 8 meses, e em complementaridade, sobre a atribuição da assistência técnica. Para além do apoio financeiro e da assistência técnica a iniciativa consagrava ainda aos promotores o acesso à Rede Nacional de Mentores do IAPMEI, assegurando-lhes um aconselhamento primordial na fase de desenvolvimento da ideia e conceito de negócio.

Acompanhando o destaque crescente que o tema do empreendedorismo tem verificado na UE e em Portugal, o Passaporte para o Empreendedorismo recebeu um elevado número de candidaturas (3.558 a que corresponderam 2.317 ideias de negócio), demonstrando o interesse e a importância desta medida na “originação” de projetos empresariais.

A iniciativa permitiu aos promotores selecionados estarem focados e dedicados, em exclusivo, ao desenvolvimento da ideia e modelo de negócio e funcionou como um impulso à capacitação de 574 projetos empresariais.

A existência de iniciativas de apoio e de financiamento ao empreendedorismo não deve, todavia, constituir incentivo para o arranque precoce de um projeto empresarial, razão pela qual o Passaporte para o Empreendedorismo não colocava como condição de participação a criação da empresa.

As iniciativas de capacitação de projetos empresariais implementadas em Portugal, de que são exemplos a iniciativa Neotec – Novas Empresas de Base Tecnológica[vi] com início em 2005 e o Passaporte para o Empreendedorismo com inicio em 2012, apesar de terem surgido em contextos diferentes e de terem âmbitos de intervenção distintos, apresentam resultados positivos e podem ser consideradas como bem-sucedidas no apoio ao empreendedorismo qualificado e criativo.

Entre as duas iniciativas houve, todavia, um gap temporal de cerca de 6 anos, ou seja, estas iniciativas têm surgido, em Portugal, de forma experimental e sem continuidade. A oferta, noutras economias, deste tipo de iniciativas ou equivalentes[vii], reitera a necessidade de se considerar a sua existência de forma permanente e sistemática, para que as mesmas se constituam, para os projetos empresariais, como um efetivo contributo para a melhoria das suas condições de desenvolvimento, implementação e consequentes taxas de sobrevivência.

[i] European Commission (2012), Flash Eurobarometer 354: Country Report – Portugal 2012

[ii] GEM – Global Entrepreneurship Monitor – Portugal 2012

[iii] Portaria n.º 370/A-2012

[iv] Resolução Conselho de Ministros nº 51-A/2012

[v] Resolução Conselho de Ministros nº 54/2011

[vi] Medida integrada no eixo prioritário 7, «Inovação Integrada em TIC», do PO Sociedade do Conhecimento do 3º QCA

[vii] New Frontiers Entrepreneur Development Programme, Ireland

NSF Innovation Corps (I-Corps™), USA

 

Para mais informações consulte o site do IAPMEI aqui.

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