Romance na empresa: Como gerir a relação entre colaboradores?

Os romances entre colaboradores são inevitáveis, mas qual deverá ser a atitude da empresa? Siga alguns conselhos.

Dicas de gestão de recursos humanos para abordar um relação entre colaboradores.Não adianta fechar os olhos, proibir ou afirmar que não existem. O relacionamento romântico entre funcionários está destinado a acontecer. Entre as muitas horas passadas no local de trabalho e a partilha de interesses comuns, é natural que a relação entre colaboradores da sua empresa passe do estritamente profissional para a esfera mais pessoal.

As estatísticas confirmam esta probabilidade. De acordo com o inquérito anual da CareerBuilder, divulgado em fevereiro deste ano, o cupido dos romances no trabalho atingiu 41% dos trabalhadores dos Estados Unidos. No Reino Unido, a mesma entidade já tinha registado uma realidade semelhante com 39% dos trabalhadores britânicos a namorar com alguém da mesma empresa. Os números têm tendência a subir na Península Ibérica. Segundo uma sondagem da Comunidad Laboral – Universia, 44% dos espanhóis asseguram já se ter envolvido numa relação amorosa com alguém da mesma empresa.

Em Portugal, onde os dados estatísticos sobre esta matéria são praticamente inexistentes, a realidade pode ser semelhante ao que se encontra nos Estados Unidos e Europa. E, muito provavelmente, até pode estar a acontecer na sua empresa. Se sim, aqui ficam alguns conselhos sobre como gerir uma relação entre colaboradores:

 

1. Afaste-se das proibições

A sua primeira tendência como gestor é proibir relacionamentos amorosos no local de trabalho? Tenha cuidado para não criar motivos de secretismos ou gerar incompatibilidades legais. Como empregador, “é obrigado a respeitar o direito à privacidade, que abrange a vida afetiva e sexual, sob pena de cometer uma contraordenação grave”, afirma o advogado Fausto Leite, neste artigo da revista Visão. O especialista em Direito do Trabalho adianta que “o namoro entre colegas de trabalho não é justa causa de despedimento, nem constitui infração disciplinar”.

As proibições podem ser de difícil gestão. Se é contra este tipo de relação entre colaboradores, tente estabelecer uma política de conduta que salvaguarde eventuais conflitos. Neste documento da empresa, poderá reforçar a obrigatoriedade de uma atitude profissional.

Encontre um equilibro entre flexibilidade, motivação dos recursos humanos e salvaguarda de riscos para a empresa. “Para as organizações que não tenham histórico de casos de assédio sexual, e consideram que não é previsível que este tipo de problemas ocorra, poderão não sentir grande necessidade de criar uma política escrita”, explica Nazaré Pinto, na dissertação de mestrado “O Romance Organizacional na Primeira e na Segunda Pessoa do Plural” da FEUP – Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

Já João de Barros acrescenta, na dissertação de mestrado “Relações Amorosas no Local de Trabalho: Eu e os Outros”, do ISCTE Business School, que “muitas empresas, apesar de não proibirem os relacionamentos amorosos entre os colaboradores, podem estabelecer algumas restrições (normalmente regras informais não escritas) às relações chefes-subordinados e a outros relacionamentos entre pessoas de departamentos diferentes que possam violar normas de sigilo.”

 

2. Aproveite as vantagens de ter colaboradores motivados

Se optar por ser mais flexível, pode beneficiar da vantagem de ter colaboradores motivados. Vários estudos (incluindo as dissertações de Nazaré Pinto e João de Barros) indicam que este tipo de romances leva a um maior envolvimento no trabalho e, no geral, a uma maior satisfação laboral, por parte dos envolvidos. Além disso, os profissionais mais felizes são, por norma, mais produtivos. Para saber mais, leia o artigo “Saiba o que mais motiva os trabalhadores”.

 

3. Tenha cuidado com os relacionamentos assimétricos

A relação entre colaboradores de diferentes níveis hierárquicos é uma das mais problemáticas em termos de gestão dos recursos humanos. No limite, são situações que podem suscitar acusações de favorecimento por parte de outros colaboradores ou queixas de assédio sexual. Certas empresas optam por regulamentar à partida, nos códigos de conduta, os relacionamentos em relação hierárquica direta.

Qualquer que seja a sua abordagem, certifique-se de que as regras são claras para todos os colaboradores e que a empresa é transparente na forma como lida com esta questão. Esteja atento e seja intransigente com qualquer comportamento de assédio sexual. Sendo punível por lei, a sua empresa pode ser responsabilizada caso não tenha tomado medidas razoáveis para prevenir este crime.

 

4. Seja frontal e coerente, sem se intrometer na vida privada dos funcionários

A separação entre a vida pessoal e profissional dos seus funcionários, sobretudo em caso de relação amorosa, pode ser uma linha difícil de distinguir. Sem intervir demasiado, uma boa orientação é deixar a porta aberta para que os colaboradores falem consigo, sem medo de repressões. Deve manter frontalidade e atenção ao que se passa, mas sem qualquer envolvimento muito intrusivo, suscetível de ser mal interpretado.

Siga os bons conselhos do guia da Bloomberg para gerir uma relação entre colaboradores na sua empresa: “As pessoas encontram parceiros românticos no trabalho todos os dias e, em vez de reclamar ou irritar-se com isso, um gestor inteligente irá aceitar essa realidade”.

 

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