Sabe o que são fundos de capital de risco?

Conheça uma forma alternativa de financiamento e saiba se a sua empresa pode aceder ao capital de risco.

capital de riscoRisco. Esta é uma palavra temida pela grande maioria das pessoas. No dia-a-dia, as regras do bom senso mandam jogar pelo seguro e quase ninguém gosta de correr riscos nem de estar exposto à possibilidade acontecimentos futuros e incertos. Já em economia, o conceito de risco traduz-se na diferença entre o retorno esperado e o retorno obtido.

É nessa diferença (que pode ser positiva ou negativa), que apostam os investidores mais destemidos e menos conservadores; e também os empreendedores com ideias de negócio completamente inovadoras e, por isso, também mais propensas ao risco. Nestes casos, e também para muitas empresas em início de vida, que operam em setores emergentes, ou que se encontram numa fase do ciclo de vida de maior risco, e que por essa razão têm mais dificuldade em obter crédito bancário, surge a opção de recorrer a fundos de capital de risco.

De acordo com o Guia Prático do Capital de Risco, do IAPMEI e da Associação Portuguesa de Capital de Risco e de Desenvolvimento (APCRI), “o capital de risco pode ser definido como uma forma de investimento empresarial, com o objetivo de financiar empresas, apoiando o seu desenvolvimento e crescimento”, sublinhando que se trata de “uma das principais fontes de financiamento para jovens empresas, ‘startups’ e investimentos de risco com elevado potencial de rentabilização”.

Por seu lado, a aicep Portugal Global refere que o capital de risco “poderá constituir um bom meio de financiamento de sociedades que apostam em setores emergentes, que apresentam um nível de elevado risco de desenvolvimento ou que não têm acesso direto ao mercado de capitais”.

 

O que são fundos de capital de risco?

De acordo com o guia do IAPMEI/APCRI, os fundos de capital de risco são patrimónios autónomos, dotados de personalidade judiciária, sob a responsabilidade de uma entidade gestora. A gestão pode ser exercida por uma sociedade de capital de risco, por bancos comerciais ou bancos de investimento, entre outras entidades legalmente habilitadas a gerir estes fundos.

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O que difere o capital de risco de outras formas de financiamento?

Para começar, o capital de risco destaca-se sobretudo pela análise concreta dos projetos apresentados, do seu potencial de crescimento e da relação com o risco. O mercado de capital de risco é também conhecido como capital de investimento, capital de desenvolvimento, ‘venture capital’ ou ‘private equity’. O capital de risco não se traduz em endividamento para as empresas.

 

Como funciona, na prática, o capital de risco?

Se a candidatura da empresa for aceite pela entidade gestora, o fundo faz um investimento que se traduz na aquisição de uma parte do capital da empresa, quer esteja dividido em ações ou quotas. O capital de risco participa assim diretamente no capital social das empresas, apoiando a sua gestão e tentando otimizar ao máximo o seu sucesso, uma vez que o seu investimento está dependente dos resultados obtidos. As participações de capital de risco são minoritárias, o que significa que a sociedade gestora acompanha a empresa mas não a lidera.

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Que empresas podem aceder a este tipo de financiamento?

Por norma, empresas a operar em mercados altamente competitivos e caracterizados pela inovação, com grande potencial de crescimento e rentabilidade. Podem ser ‘startups’ e empresas em início de vida, com necessidades de investimento inicial, ou empresas mais maduras, mas com necessidades de financiamento bastante elevadas. Esta ferramenta assume especial relevo para as PME.

 

Quais as condições de candidatura?

Os fundos de capital de risco analisam sobretudo o potencial de crescimento de um negócio, associado a uma gestão competente, credível e que demonstre capacidade de tornar o plano de negócio numa realidade.

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Como candidatar a sua empresa?

Comece por apresentar aos investidores de capital de risco um plano de negócios com qualidade e que seja atrativo. Lembre-se que está a tentar convencer alguém a investir no seu projeto, por isso revele as hipóteses reais de crescimento do negócio. Peça o valor justo para a participação no seu negócio.

 

Como escolher o fundo mais adequado para a sua empresa?

Existem vários operadores a atuar no mercado de capital de risco, que diferem na política de investimentos, objetivos específicos (internacionalização, tecnologias de informação, ambiente, comércio, turismo, etc.) e dimensão do investimento.

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Quais os riscos associados a estes fundos?

É um investimento associado a elevados níveis de risco, realizado por investidores individuais ou institucionais, por um prazo limitado. A remuneração do investidor será a mais-valia a obter previsivelmente com a alienação futura da participação, seja a outros sócios, seja a novas entidades. O retorno do investimento de capital de risco está absolutamente dependente do sucesso do projeto.

 

Durante quanto tempo se pode recorrer ao capital de risco?

O capital de risco é um investimento de curto ou médio prazo no capital da empresa. Trata-se sempre de um investimento temporário, terminando com a venda da participação (ao valor do mercado) quando for atingida a estabilidade necessária ao bom desenvolvimento da empresa, o que geralmente acontece entre cinco a sete anos após a tomada de participação, de acordo com a aicep Portugal Global.

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Quem regula o capital de risco?

Em Portugal, a atividade de capital de risco está regulamentada por lei e sujeita à supervisão da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O Decreto-Lei n.º 375/2007, de 8 de novembro, é a legislação mais recente.

 

Fases do capital de risco

– Abordagem aos operadores do mercado;

– Apresentação do plano de negócio e sua análise;

– Comunicação de parecer preliminar;

– Início da negociação e fornecimento de informações adicionais;

– Verificação de informações e obtenção de pareceres externos;

– Negociações finais;

– Decisão final e eventual contratação;

– Gestão da intervenção na empresa;

– Saída do operador.

 

 Por: Bárbara Silva/Saldo Positivo

Nota: Este artigo foi originalmente publicado a 14 de outubro de 2013.

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