Saiba como atrair os investidores para o seu negócio

Conheça, na primeira pessoa, os testemunhos e as dicas práticas dos dois 'business angels' nacionais.

investidores Duros, implacáveis, agressivos, empresários bilionários e multimilionários, homens e mulheres que subiram a pulso no mundo dos negócios e criaram as suas próprias fortunas, investidores ferozes. Numa palavra: “tubarões” empresariais. Assim se definem os membros do painel do ‘reality show’ americano ‘Shark Tank’ (traduzido para “Lago dos Tubarões”, em Portugal, e transmitido pela SIC Radical), um programa televisivo inovador ao qual os empreendedores se candidatam para, em frente às câmaras e a milhões de espetadores, apresentar a sua ideia de negócio e pedir financiamento em troca de uma percentagem da empresa e, consequentemente, dos lucros.

Ainda que em Portugal não exista para já um programa televisivo do género, os empreendedores nacionais dispõem de algumas oportunidades para estarem frente a frente com os investidores interessados em apostar nos seus projetos inovadores. O recente concurso BET Breaking Tech e o programa de aceleração de empresas Lisbon Challenge (cuja segunda edição decorrerá a partir de 2 de maio) são dois bons exemplos desse contato direto com os investidores ‘made in Portugal’.

No mundo real das empresas e das ‘startups’ as negociações entre empreendedores e investidores não são assim tão diferentes daquelas que acontecem no Lago dos Tubarões. A garantia é dada por António Murta, fundador e ‘managing partner’ da empresa de capital de risco Pathena (especializada em Inovação e Tecnologia), e Ricardo Luz, presidente da Invicta Angels – Associação de Business Angels do Porto e vice-presidente da Federação Nacional de Associações de Business Angels, dois especialistas contactados pelo Saldo Positivo Empresas. ‘Reality shows’ à parte, o que devem então fazer os empreendedores portugueses para cativar os investidores e assim obter financiamento? Conheça, na primeira pessoa, os testemunhos e as dicas práticas dos dois ‘business angels’ nacionais.

 

Saiba Como financiar a sua empresa com o papel comercial ao ler este artigo. 

 

Sete lições a retirar do ‘Shark Tank’

  • Tenha os números do negócio bem estudados;
  • Saiba vender o seu produto;
  • Seja humilde;
  • Tenha uma boa noção de ‘timing‘;
  • Conte uma boa história;
  • Esteja preparado para sair de mãos vazias;
  • Empenhe-se numa personalidade afável e comunicativa;

 

Se quer apostar em mercados estrangeiros, Saiba como financiar a internacionalização da sua empresa neste artigo

 

Siga as dicas dos investidores portugueses

 

1. O que devem fazer os empreendedores para cativar os investidores?

Acima de tudo, defende Ricardo Luz, responsável da Invicta Angels e ‘partner‘ da Gestluz Consultores, “devem fazer crer o investidor que são capazes de desenvolver os produtos ou serviços que apresentam; que são capazes de os vender; e que, vendendo-os, são capazes de o fazer em larga escala e com lucro significativo”. António Murta, ‘board adviser’ do programa de aceleração Lisbon Challenge e membro da rede de investidores parceiros da Beta-i, aconselha os empreendedores a demonstrar empenho pessoal (sobretudo a nível financeiro) no projeto; a convencer acerca do potencial da ideia e do tamanho razoável do mercado endereçável; a ter perspetivas balanceadas de valorização; e a apresentar uma equipa com maturidade para discutir as suas debilidades e formas de as ultrapassar.

 

2. O que mais valorizam num projeto no momento de investir?

António Murta valoriza acima de tudo “a seriedade das pessoas que estão por trás do projeto”. Ricardo Luz dá pontos positivos se os empreendedores forem íntegros, ambiciosos e competentes, se acreditarem no seu projeto empresarial, se estiverem totalmente empenhados e se se revelarem capazes de o concretizar. O ‘business angel’ valoriza também projetos em que os produtos ou serviços a desenvolver tenham mercado e um modelo de negócios sólido que os suporte. É importante também, frisa Ricardo Luz, que os empreendedores “conheçam as competências e os recursos que possuem, e saibam o que querem fazer com o dinheiro que solicitam aos investidores“. Por último, refere, os investidores querem também sentir-se entusiasmados para acreditarem nos sonhos dos empreendedores e fazerem parte da sua concretização.

 

3. Como avaliam a relação entre o risco e o potencial de crescimento do projeto?

Aqui, Ricardo Luz não hesita em afirmar que valoriza “o grau de risco/retorno envolvido em função da qualidade global do projeto, bem como a capacidade dos empreendedores para o concretizarem de forma lucrativa”. À semelhança de todos os investidores, diz António Murta, na hora de investir o que mais pesa na decisão é o possível retorno do investimento feito. “O risco existe sempre mas tem de ser calculado – e ajustado às mais-valias potenciais“.

 

4. O que define um ‘pitch’ perfeito?

Para Ricardo Luz, uma boa apresentação de uma ideia de negócio é aquela em que o empreendedor demonstra sinceridade, coerência do modelo de negócio, confiança no projeto e motivação para o concretizar. Por seu lado, António Murta garante que não existe um ‘pitch’ perfeito, mas sim ingredientes chave que não podem faltar: qualidade da visão; potencial económico da oportunidade; paixão pelo tema; valores, seriedade e empenho pessoal da equipa.

 

5. A empatia pessoal com os empreendedores é importante?

“Para os números apenas se olha para lhes perceber a coerência. A empatia é muito importante, em especial se levar o investidor a acreditar que os promotores são capazes“, defende o presidente da Invicta Angels. Neste campo, o responsável da Pathena opta por uma comparação: os números do negócio representam a Física, e a empatia pessoal representa a Química. As duas são importantes, refere, mas “as forças da Química são ainda maiores do que as da Física. No entanto, “os números têm de ser suficientes para o assunto ter relevância“.

 

6. O financiamento é um dos principais desafios das empresas portuguesas?

Confiante na retoma da economia portuguesa, António Murta acredita que “hoje o financiamento é menos problema do que já foi, sobretudo na área das tecnologias, onde existe mais disponibilidade de canais de investimento de capital de risco”. Além disso, sublinha um maior profissionalismo na seleção e avaliação dos projetos para investir, tanto no capital de risco público como privado. Na opinião de Ricardo Luz, o financiamento continua a ser um desafio para as empresas portuguesas, em especial para as ‘startups’ que não possuem meios próprios e dimensão para o garantir e potenciar.

 

Conheça o programa InnovFin: 24 milhões para financiar empresas inovadoras neste artigo. 

 

Conheça dois exemplos de ‘Shark Tank’ em Portugal

 

1. Concurso BET Breaking Tech premeia ‘startup’ Follow Price

Nascida na Lisbon School of Business and Economics, da Universidade Católica , a associação de empreendedorismo jovem BET – Bring Entrepreneurs Together, promoveu em 2014, pela primeira vez, o concurso BET Breaking Tech. O objetivo principal foi impulsionar a criação de ‘startups’ com base nas tecnologias mais avançadas, nas categorias: Big Data, Cloud, IT, Mobile, Energias Renováveis e Internet of Things/M2M (incluindo Smart Cities). Durante cinco semanas, 30 equipas de jovens empreendedores competiram por um prémio de 5.000 euros, patrocinado pela Everis. No dia 12 de abril, e pós cinco semanas de desenvolvimento dos projetos e respetiva prototipagem, teve lugar na Lisbon School of Business and Economics, da Universidade Católica, a etapa final do evento, uma espécie de “versão portuguesa do Shark Thank”, de acordo com a organização. O projeto FollowPrice foi o vencedor do concurso e terá direito, além do prémio monetário, a programas de aceleração nas incubadoras PT Blue Start e Startup Lisboa.

 

2. Lisbon Challenge 2014 dedica dois dias ao contacto com investidores

Com a segunda edição pronta para arrancar já no dia 2 de maio, o Lisbon Challenge é um programa de aceleração de ‘startups’ com a duração de três meses, através de ‘workshops’ e sessões com mentores. No final, as ‘startups‘ participam num ‘roadshow’ mundial (que começa em Lisboa) para apresentar o seu ‘pitch‘ de negócio aos investidores. O Dia dos Investidores decorrerá a 10 e 11 de julho e reunirá investidores nacionais e internacionais para avaliar as ‘startups’ a concurso. A este evento junta-se ainda o Venture Day Lisbon da IE Business School, que decorrerá em simultâneo. Na visão de Pedro Rocha Vieira, Presidente da Beta-i, “é muito importante estabelecer parcerias estratégicas para alargar a rede de investidores a quem podemos expor as ‘startups’. O ecossistema português é hoje muito interessante e é possível atrair investimento estrangeiro”.

 

Para saber mais sobre o tema do finaciamento leia o artigo: Que alternativas existem para financiar a sua empresa?

 

Por: Bárbara Silva/Saldo Positivo

Nota: Este artigo foi originalmente publicado no dia 16 de Abril de 2014.

Uma resposta a “Saiba como atrair os investidores para o seu negócio”

  1. Nuno Silva

    Bons comentários e bom artigo. A Representação da Comissão Europeia em Portugal tem também um concurso com formação, coaching e feedback associados que usa o modelo shark tank: http://www.ideiasquemarcam.org

    Responder

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