O que esperar do mercado de trabalho em 2017?

O Saldo Positivo consultou três especialistas em recursos humanos e são unânimes a afirmar que o emprego continuará a crescer em 2017.

trabalho20171Mais emprego, mais oportunidades para quem tem competências técnicas e se especializa em determinadas áreas. Em poucas palavras, este poderia ser o resumo das expetativas para o mercado de trabalho para 2017. O Saldo Positivo consultou três especialistas em recursos humanos e todos são unânimes a afirmar que, à semelhança do que aconteceu em 2016, o emprego continuará a crescer, nomeadamente, a “procura de profissionais especializados, que se vem registando nos últimos anos”, de acordo com Miguel Abreu, Diretor de Pesquisa e Seleção na Ray Human Capital.

Se em 2016 a taxa de desemprego baixou para 11,6% (menos 0,8 pontos percentuais do que os 12,4% registados em 2015), de acordo com dados do Executivo, as previsões apontam para que este indicador baixe ainda mais em 2017, situando-se nos 10,3%, menos 0,9 pontos percentuais face ao esperado para 2016. É uma grande diferença para os 15,5% registados em 2012.

A que se deve este comportamento? A nova geração de profissionais da era ‘Millennial’, altamente qualificados, cada vez mais especializados, fluentes em línguas estrangeiras e com salários mais baixos (comparativamente a outros países europeus), continuam a atrair as multinacionais para Portugal. O que, de acordo com Nuno Troni – Diretor da área Professionals da Randstad Portugal, contribuiu “parcialmente para a recuperação do emprego em 2016”. Portugal consagra-se assim, em 2017, “como destino de preferência para Centros de Serviços Partilhados”, consolidando-se a “sua transformação em Polo tecnológico”, explica Álvaro Fernández, Diretor Geral da Michael Page em Portugal.

Mas não são apenas os serviços partilhados que têm alimentado o mercado de trabalho. O turismo continuará a ser uma área em crescimento, assim como a indústria. Neste último ponto, haverá mais investimento nas áreas automóvel, alimentar, moldes, plásticos e metalomecânica, onde são esperados “projetos de relevo na indústria automóvel e aeronáutica para 2017”, diz o especialista da Michael Page. Álvaro Fernández aponta também o setor financeiro e da banca como um dos que vai mexer mais em 2017.

 

O que procuram as empresas na hora de contratar?

As empresas procuram profissionais cada vez mais especializados e valorizam as competências técnicas que acompanham esta necessidade. Neste sentido, o especialista da Ray Human Capital aponta os conhecimentos técnicos, como linguagem de programação para funções de desenvolvimento, mas também ao nível de estratégias de transformação digital (especialistas em ‘user experience’), como algumas das características que o mercado mais procura. Esta opinião é corroborada pelo especialista da Randstad, que afirma que, tal como aconteceu em 2016, continuará a haver bastante procura de perfis com cariz técnico.

Falar vários idiomas é também cada vez mais valorizado. “Com a crescente internacionalização das empresas, globalização do mercado e proliferação dos Centros de Serviços Partilhados, surgem novos idiomas como requisito”, diz o especialista da Pagegroup.

 

Está a pensar aprender uma língua em 2017?

Além do tradicional Inglês e Francês, o mercado pede novos idiomas como:

– Castelhano;

– Alemão;

– Holandês;

– Mandarim;

 

Ao mesmo tempo que o mercado procura profissionais altamente qualificados e especializados, também se pedem outras características que não se aprendem na escola: as ‘soft skills’. “O dinamismo, autonomia, motivação, capacidade de comunicação e proatividade são variáveis que se revelam cada vez mais significativas para quem contrata”, afirma o especialista da Michael Page. A esta lista, Miguel Abreu, da Ray Human Capital, acrescenta a “capacidade para trabalhar em equipa, abertura para novos desafios, espirito crítico e pensamento analítico”.

 

Onde estão as oportunidades de emprego?

À semelhança do que já acontecia em 2016, durante o ano corrente há algumas áreas que são claramente mais fortes, em termos de procura de emprego. São elas:

– Tecnologias da Informação “É uma área de quase pleno emprego”, diz o especialista da Michael Page. Irá continuar a assistir-se a uma procura elevada na área de desenvolvimento de ‘software’, podendo acentuar-se uma procura elevada na área de desenvolvimento de ‘software’, assim como na área da realidade virtual, cibe e IoT (Internet of Things).

Engenharias. “Também são uma aposta segura, nomeadamente pela necessidade existente a nível global por este tipo de perfis”, de acordo Álvaro Fernández.

– Consultoria. Nomeadamente ao nível da auditoria, impostos, ‘Tax, Advisory/Consulting, Strategy and operations’.

– Serviços tecnológicos. Segundo o especialista da Ray Human Capital, há cada vez mais ‘startups’ com necessidades de funções técnico-comerciais, independentemente do setor em questão.

– Banca e Seguros. Na banca haverá um reforço das equipas comerciais, com o objetivo de “encontrar novos canais de distribuição”, nomeadamente a “concessão de crédito através da plataforma ‘web’”, explicou o especialista da Michael Page. No setor segurador também haverá procura de técnicos especializados nas áreas de atuário e ‘pricing’.

 

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