Como gerir as finanças quando os filhos regressam a casa?

São adultos emancipados que, por causa do desemprego ou de um divórcio, regressam a casa dos pais. Conheça a geração 'boomerang'.

boomerang- artigoBoomerang. Trata-se de um objeto de arremesso, em forma de V, que tem a particularidade de voltar à mão da pessoa que o atirou. Este objeto serve de metáfora para um fenómeno geracional que está a afetar as famílias do mundo ocidental, sobretudo desde 2008: São cada vez mais os filhos adultos que regressam a casa dos pais ou por não terem um emprego ou, porque tendo um emprego, os seus rendimentos são insuficientes para garantirem a sua independência financeira.

Segundo um artigo da revista Forbes, só nos EUA, em 2008 existiam 15 milhões de adultos com idades compreendidas entre os 18 e os 24 anos a viver em casa dos progenitores. O número mais do que duplicou desde 1960. Em Portugal, não são conhecidos dados sobre este tema. Ainda assim, os dados do INE relativos ao terceiro trimestre de 2016 revelam que a taxa de desemprego entre os jovens se situa nos 26,1% –  é mais do dobro da taxa de desemprego nacional. No entanto, é preciso salientar que o fenómeno da geração ‘boomerang’ não abrange apenas os filhos jovens que já tenham saído de casa e agora pretendem regressar à casa dos progenitores. A geração ‘boomerang’ contempla também os filhos menos jovens que, por uma questão de divórcio, acabam por regressar a casa dos pais, trazendo com eles os seus próprios filhos.

Se é esta a sua situação, conheça alguns conselhos de especialistas de finanças pessoais internacionais para gerir um orçamento familiar e evitar discussões atritos com os seus filhos.

 

1. Defina as regras de convivência

Esta é a regra número um e a recomendação que todos os especialistas unanimemente partilham. Se o seu filho vai regressar a casa deverão todos falar abertamente sobre como vão voltar a viver debaixo do mesmo teto. Este processo de diálogo e de definição de regras é fundamental para se evitar discussões e focos de atrito. Recorde-se que o seu filho é um adulto e deverá tratá-lo como tal e respeitar a sua privacidade. Por outro lado, se não gosta que o seu filho fume em casa ou que traga visitas para casa a meio da noite, deverá expor as suas condições. O objetivo é que ambos se sintam confortáveis a viver na mesma casa.

 

2. Refaça o seu orçamento familiar e divida as despesas e tarefas com o seu filho

Não há volta a dar: Se o seu filho voltar a viver em sua casa, certamente, que as despesas irão aumentar. Sobretudo se com ele (ou ela) vier também o cônjuge e os seus próprios filhos. Por isso mesmo, o mais provável é ter de rever o seu orçamento mensal de forma a acomodar o aumento dos encargos relacionados com a alimentação, luz e gás, entre outros. O seu filho deverá participar neste orçamento. Se ele tiver emprego, mas rendimentos baixos, ele deverá contribuir com um valor simbólico para as despesas da casa. Se esse dinheiro não lhe fizer falta a si poderá guardá-lo e constituir uma poupança para o seu filho.

Igualmente importante é que o seu filho esteja envolvido da divisão das tarefas domésticas (ex: limpezas, preparação de refeições, etc.)

 

3. Ajude-o a atingir os seus objetivos

Alguns especialistas recomendam que se estabeleçam metas temporais para a permanência dos filhos na casa dos pais, pois poderá funcionar como um estímulo e um incentivo para os filhos encontrarem novamente a sua autonomia financeira.

Caberá a si perceber se esta recomendação faz ou não sentido para o seu caso pessoal. Pode, por exemplo, estabelecer com o seu filho que daqui a um ano ele deverá voltar a ter o seu próprio espaço. Neste período deverá incentivá-lo e ajudá-lo a atingir a sua independência financeira, nomeadamente, na procura de um emprego, na constituição de uma poupança e na procura de uma casa à medida das suas possibilidades.

 

4. Estabeleça limites para a ajuda

Nos EUA, muitos pais, com idade avançada, estão a enfrentar problemas financeiros devido à ajuda que estão a prestar aos seus filhos adultos, nomeadamente, no que diz respeito ao pagamento de dívidas relacionadas com o cartão de crédito ou com o crédito para estudar. Para tentarem resolver as dívidas dos filhos, muitos pais estão a comprometer a sua reforma e a sua própria situação financeira.

Em Portugal, e segundo os dados do Gabinete de Apoio ao Sobre-endividado (GAS) da Deco, um dos motivos que tem levado nos últimos anos ao surgimento de pedidos de apoio de pessoas sobre-endividadas reside precisamente no facto de haver muitas pessoas que entram em rutura financeira por terem de receberem em casa os filhos que ficaram desempregados. Tendo em conta esta realidade e para evitar cair numa situação semelhante é aconselhável que estabeleça um limite para a ajuda financeira que poderá prestar ao seu filho. Pode, por exemplo, definir que não paga as dívidas do seu filho ou que apenas ajudará a pagar parte delas. Evite comprometer a sua saúde financeira em nome dos filhos, caso contrário em vez de um problema terá de lidar com uma avalanche de problemas.

 

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