Guia para pais para um regresso às aulas pacífico

Saiba como preparar o regresso às aulas dos seus filhos, para garantir um início das aulas sem sobressaltos e sem stress.

aulas-artigoEntre 9 e 15 de setembro, cerca de 1,6 milhões de crianças e jovens iniciam novo ano escolar – ritual que se repete a cada ano, com novos manuais e materiais no ‘trolley’ ou, quando o estilo da adolescência a isso obriga, monumentais mochilas ao ombro. Muda o ano, os professores, a turma ou até a escola, cabendo aos pais a enorme tarefa de motivar os filhos e, claro, conjugar na primeira pessoa do presente do indicativo o verbo pagar: as muitas faturas que aí vêm. Por isso mesmo, aqui ficam alguns lembretes de como o retomar da vida escolar pode ser facilitado a miúdos e, já agora, graúdos.

 

1.Relembrar a matéria para não chegar à sala ‘em branco’

“Truz, truz está aí alguma matéria?”, é com humor que a professora do ensino básico de um colégio de Lisboa, Andreia Ponte, relata o exercício que faz com os seus alunos a cada início de ano letivo. E aí há dois tipos de resultados: os alunos nos quais se vê que “trabalharam alguma coisa para relembrar a matéria” e os outros que, frequentemente, nem recordam coisas básicas, porque as longas férias de verão têm esse efeito nas crianças. Como aqui no Saldo queremos ter os filhos na carruagem da frente, seguimos o conselho desta professora e comprámos os cadernos de fichas de trabalho e os livros recomendados para leitura no final do ano anterior. E ainda está perfeitamente a tempo: “Rende mais pô-los a trabalhar a partir da última quinzena de agosto”. Assim, crianças e jovens relembram a matéria e quando chegam à sala de aula é menos custoso retomar os trabalhos.

 

2. Pôr o despertador a tocar, gradualmente, mais cedo

Quer pais, quer filhos, depois das férias, têm alguma dificuldade em retomar rotinas do dia-a-dia. Os horários mais rígidos são, apenas, uma das solicitações acrescidas que a ‘rentrée’ escolar coloca aos pais. Mas se fizer a transição de forma gradual, os níveis de stress e ansiedade serão mais fáceis de gerir nesta fase.

É boa regra que quem tem filhos em idade escolar comece, gradualmente, a ‘pôr o despertador’ para mais cedo, até que, nas vésperas do início do ano, já toque às horas em que é suposto o estudante levantar-se diariamente. “Para que o seu filho não sinta uma mudança muito brusca na rotina dos horários, aproveite estas duas semanas e comece a acordá-lo, gradualmente, cada vez mais cedo. Ofereça-lhe um despertador (existem no mercado soluções interessantes para crianças)”, propõe a psicóloga Sónia Pereira, no blogue da Associação Portuguesa de Investigação Educacional.

As crianças devem dormir 10 a 12 horas: Está provado que o rendimento escolar sobe quanto mais horas de sono elas tiverem. Assim, às 21 horas devem ir para a cama e, desejavelmente, já devem ter dito adeus aos ecrãs 30 minutos antes deste ritual.

 

3. Compras de última hora não são grande negócio

Livros, material escolar, vestuário e calçado… há que esticar o orçamento familiar no regresso às aulas. Só há vantagens em não guardar as compras para a última hora. No que toca aos livros, se a fatura para alunos do básico chega facilmente aos 50 euros, para os que frequentam o 2º ciclo ou o 3º facilmente a despesa, em manuais, ultrapassa os 150/200 euros. Se encomendar antecipadamente goza, frequentemente, de campanhas de desconto (10% de desconto é muito comum), sobretudo, nas compras online.

Os livros em segunda também são uma opção que permite forte poupança – até 60% do PVP – e que começa a dar sinais de vitalidade via sites como Sítio da Troca ou Book in Loop.

No que respeita ao material, o princípio é o mesmo: comprar assim que é disponibilizada a lista pelo colégio ou escola. Isso irá permitir-lhe poupar, porque a oferta é mais ampla e há mais opções na relação qualidade/preço. Mas antes disso, vale a pena perceber tudo o que pode reaproveitar do ano anterior. Comprar bom material, com maior durabilidade, representa, na verdade, poupança a prazo – não tendo de substituir canetas de cor, ou afias, durante o ano. Já no que diz respeito à mochila, se calhar não vale a pena gastar 60 euros só porque é de uma marca específica. A este respeito, a ‘coach’ parental, Magda Dias, defende que as crianças têm de aprender a viver com “tetos máximos, budgets” dentro dos quais aprendem a gerir prioridades.

Se os seus filhos levam ‘marmita’ de casa há que verificar se lancheiras e ‘tupperwares’ estão em condições ou precisam de reforma. Se usam farda deve ainda verificar se a do ano anterior serve. Mesmo sem farda, provavelmente, há roupa e calçado a comprar.

No total, e feitas as contas, centenas de euros serão menos pesados se os pais colocaram de parte uma percentagem do subsídio de férias, ou foram armazenando uma poupança durante o ano – ambas opções felizes para fazer face a esta despesa que cresce à medida que cresce o número de filhos.

 

4. Planeie a vida e deixe tempo para as crianças ‘respirarem’

Seja na própria escola ou no exterior, é mais do que certo que atividades extra-curriculares, como o desporto, as línguas, a formação religiosa, a culinária, ou apenas o acompanhamento do estudo, são importantes no desenvolvimento de uma criança ou jovem. O problema é quando são demais. As crianças já têm uma substancial carga horária e TPC’s (alguns diariamente), atolá-los em atividades extra talvez não faça sentido. Escolher um número reduzido de atividades que a criança queira/consiga manter até final do ano letivo é uma boa política, defende a Associação Portuguesa de Investigação Educacional.

Ainda assim, uma atividade em que deve sempre investir é na reserva de algum tempo para estar com o seu filho e mostrar interesse pelo seu percurso escolar: fazerem os TPC em conjunto, conversarem sobre as aulas, os professores, os colegas, consultar-lhe a caderneta, ler os testes quando os assina – é mesmo uma atividade sem preço e não há divergências entre especialistas nesta matéria.

 

5. Visitar a escola nova e preparar o ‘roteiro’

Se o seu filho mudou de escola ou de colégio estude os trajetos antes do dia zero. Qual o mais rápido? Qual o mais tranquilo? Consegue deixá-lo facilmente à porta ou vale a pena estudar um cantinho onde pode estacionar e deixá-lo calmamente – ou, se mais pequeno, parquear e acompanhá-lo sem se meter em apuros? Também atenua a ansiedade saber a sala onde decorrerão as aulas, onde fica o bar, as casas de banho, o ginásio. O primeiro dia, na nova escola, deve estar tão livre quanto possível para se focar em conhecer novos colegas e professores.

 

6. Estabelecer objetivos, cumprir horários e, muito importante, dar o exemplo

Respeitando as características intrínsecas do seu filho nada impede de estabelecer com ele alguns objetivos para este ano letivo. Imagine que no ano passado ele deixou de ser aluno do quadro de honra/mérito por desleixo, por estudar em cima da data do teste, pode lembrar-lhe que o trabalho deve ser contínuo e que não é indiferente ter um suficiente ou um excelente, ter um 3 ou um 4 na pauta. “É um orgulho e uma alegria ter uma boa nota”, ou “ter conhecimento é a coisa mais preciosa que se pode possuir” ou “as escolhas de agora têm consequências para a vida”, são frases que os especialistas em ‘coaching’ parental recomendam.

Incutir o espírito de trabalho, as regras, instituir o tempo livre e os horários de estudo, é essencial até porque na vida escolar as exigências tendem a aumentar. Mas os especialistas lembram sempre que os pais são o grande exemplo. De nada vale pregar o cumprimento de regras e de horários se os pais forem incapazes de cumprir a regra básica de ser pontual para que o seu filho não interrompa uma aula quando o professor já fechou a porta.  Deixar a mochila e a roupa preparadas no dia anterior é meio caminho andado para evitar atrasos na chegada à escola.

 

Leia também os seguintes artigos:

– Como poupar na compra de manuais escolares

– Ideias para renovar o guarda-roupa no regresso às aulas

– Semanada ou mesada:Como definir o valor?

– Quanto pesa um filho no orçamento familiar?

– Quatro erros que os pais cometem na educação financeira dos filhos

 

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