Investir em 2017: O que podemos esperar dos mercados?

A incerteza vai continuar a marcar o rumo dos mercados financeiros. Saiba quais são os fatores a que deverá prestar atenção nos próximos meses.

Investir-artigo2016 não foi um ano fácil para os investidores portugueses. Foi um ano marcado pela volatilidade nos mercados e também pela incerteza. Se as praças americanas fecharam o ano com ganhos (tendo atingido máximos históricos em 2016), deste lado do Atlântico o cenário foi menos otimista. Para quem arriscou e esteve investido na bolsa portuguesa, o ano foi negativo, com o PSI-20 a acumular perdas de perto de 12%. No resto da Europa, o panorama também não foi animador, ainda que as perdas tenham sido menores. Por exemplo, o índice Stoxx 600, que agrega 600 empresas europeias, recuou 1,2% em 2016.

Acontecimentos políticos, como o Brexit, e os receios em torno do crescimento económico foram alguns dos fatores que contribuíram para a volatilidade dos mercados. E tudo aponta para que os próximos meses também sejam pautados por alguma incerteza e indefinição. Porquê? Porque há espaço para surpresas.

 

Quais são os grandes catalisadores?

Em termos globais, as economias deverão ter um melhor desempenho este ano face ao registado no ano passado. O FMI, por exemplo, prevê que o PIB mundial cresça 3,4% em 2017, o que compara com os 3,1% estimados para 2016. Mas nem todas as economias vão andar à mesma velocidade. “Em 2017 é esperado que o PIB global registe um ritmo superior ao de 2016, em virtude de um enquadramento mais positivo nos EUA e da recuperação de economias relevantes do espetro emergente. Por sua vez, ao nível europeu, do Japão e da China, os padrões de crescimento não se deverão diferenciar das tendências recentemente”, explicaram os especialistas da direção de estratégia e alocação da Caixagest ao Saldo Positivo.

Além do desempenho das economias, os investidores deverão manter-se atentos a outros fatores. Na Europa, as atenções irão estar centradas na atuação do Banco Central Europeu, que irá continuar com programa de compra de ativos até ao final de 2017. Mas a continuação das negociações para a concretização do Brexit e a ascensão das forças políticas de extrema-direita em vários países europeus, bem como as eleições que irão realizar-se em França e na Alemanha são fatores que poderão ter um impacto importante no rumo dos mercados financeiros. Já nos EUA, as medidas que serão tomadas pelo novo presidente também serão determinantes para o desempenho dos mercados, assim como a expectável mudança da política monetária levada a cabo pela Reserva Federal.

 

Como investir?

Todos os fatores acima referidos poderão ter o efeito de “virar o jogo” dos mercados do avesso. Perante a amplitude de cenários com que os investidores se podem deparar nos próximos meses, a melhor estratégia de investimento passa mesmo pela diversificação. Isso mesmo referem os especialistas da Caixagest: “Apesar das perspetivas mais otimistas para o crescimento nominal, dada a maior incerteza ao nível do contexto político, nos EUA e na Europa, aumenta também a probabilidade marginal de ocorrência de cenários macroeconómicos e de mercados mais positivos, ou negativos, ou seja, a possibilidade de surpresas poderá ser maior face ao esperado em períodos anteriores. Deste modo, prevê-se uma postura prudente na tomada de riscos ativos, alguma tolerância a possíveis aumentos intermédios da volatilidade de preços e um viés para estratégias de investimento diversificadas”, afirmaram os especialistas ao Saldo Positivo.

 

Qual é a classe de ativos com melhores perspetivas?

Apesar das incertezas e dos riscos latentes, as perspetivas dos especialistas de investimento são, neste momento, mais positivas para as ações. “A recente dinâmica, pautada por melhor desempenho das ações face a obrigações, sugere uma “rotação” entre classes pois, com renovadas expectativas de maiores níveis de crescimento e de inflação, dever-se-á, tendencialmente, registar uma menor propensão por parte dos investidores para alocações de capital em ativos de rendimento fixo e uma preferência pelos denominados mais cíclicos, como as ações”, explicam os especialistas da Caixagest. E concluem: “O quadro global poderá ser mais propício para melhores desempenhos relativos das classes de risco”.

 

Três regras de ouro a não esquecer:

-Diversifique o portfólio:

Em tempos incerteza, o velho ditado financeiro de “não colocar todos os ovos no mesmo cesto” revela-se com uma regra de ouro para garantir uma estratégia de investimento bem-sucedida. Deverá, por isso, optar por construir uma carteira composta por várias classes de ativos (ações, obrigações, liquidez, etc.), exposta a diversas regiões do globo e a vários setores atividade. O peso que cada ativo deverá pesar na sua carteira dependerá do seu perfil de investidor. Como cada aplicação financeira é afetada por diferentes variáveis, quando um dos seus investimentos tiver um desempenho negativo, essas perdas deverão ser atenuadas pelos ganhos gerados por outras parcelas da sua carteira. É muito improvável que tendo o seu dinheiro investido em vários ativos financeiros registe perdas em todos ao mesmo tempo.

-Mantenha uma posição em liquidez:

Antes de tomar uma decisão de investimento faça bem as contas e certifique-se de que não vai precisar dos montantes aplicados durante o prazo de investimento da aplicação escolhida. Caso contrário poderá ver-se obrigado a resgatar o dinheiro antes da data prevista para resolver uma situação de emergência na sua vida financeira. E se isso acontecer, corre o risco de registar perdas de capital.

-Defina limites para as perdas que está disposto a incorrer:

Para protegerem a sua carteira, os investidores deverão estabelecer objetivos das perdas que estão dispostos a correr. Como é que isso se faz na prática? Através, por exemplo, do estabelecimento de ordens ‘stop-loss’ nas suas posições. Ao fazê-lo, o investidor define qual é o valor máximo que está disposto a perder num determinado título e é uma forma de limitar prejuízos.

 

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