Investir em ações: Quatro perguntas, quatro respostas

Com as taxas de juros em mínimos, muitos investidores procuram alternativas com mais risco. Conheça algumas informações úteis sobre as ações.

acções-artigoNuma altura em que a generalidade dos produtos de poupança tradicionais apresenta taxas de remuneração muito baixas – com os dados do Banco de Portugal, relativos ao mês de março a indicar que a taxa média bruta de remuneração dos depósitos se situava nos 0,87% – muitos investidores procuram alternativas mais atrativas do ponto de vista de remuneração. E, como tal, as atenções dos investidores voltam-se para produtos financeiros com mais risco associado mas com potencial para gerar retornos mais elevados, como é o caso das ações.

O facto de as bolsas estarem em alta e terem batido recordes em 2015 também ajuda a cativar o interesse dos investidores. No entanto, a entrada no mercado de ações deve ser bem ponderada. Até porque muitos especialistas acreditam que as ações já estão sobrevalorizadas e há riscos de criação de bolhas especulativas nestes mercados. Além disso, convém lembrar que o investimento em ações não é adequado para todas as pessoas, devido ao nível de risco envolvido. Por isso mesmo, relembramos algumas informações importantes sobre o investimento em ações, com base no Guia sobre Ações, publicado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

 

1. Quanto pode ganhar ou perder numa ação?

Este é um ponto importante, porque ao aplicar o seu dinheiro em ações um investidor não tem a garantia de capital. Ou seja pode perder parte, ou mesmo a totalidade do seu dinheiro. Isto acontece porque no momento em que o investidor decide vender as ações que tem em carteira, o preço de venda pode ser bastante inferior ao valor da aquisição. Desta forma, os investidores têm de estar preparados para a eventualidade de perderem capital. Apesar disso, e como refere o guia da CMVM, o risco de perdas “não se materializa necessariamente caso o investidor não tenha pressa em vender as ações e possa esperar que estas recuperem o valor, ou cotação, a que são transacionadas em bolsa”. É exatamente por esta razão que os especialistas recomendam aos investidores em ações que tenham um horizonte temporal de investimento de longo (mais de cinco anos).

Já em relação aos ganhos que é possível obter não existe um limite. Tudo depende da empresa onde se investe e do mercado onde ela está inserida. Um dos exemplos de valorizações bolsistas mais fulgurantes dos últimos anos vem da Apple. As ações da empresa da maçã mais famosa do mundo valorizaram-se mais 13.500% entre 1994 e maio de 2015. Leia também o artigo: Oito passos para ser um investidor bem sucedido

 

2. O que influencia a cotação de uma ação?

O valor de uma ação oscila todos os dias com base numa grande diversidade de fatores. Por um lado, há que ter em conta os fatores internos da vida da empresa onde se está a investir. “A situação específica da empresa, que pode ser avaliada não só através dos resultados trimestrais e anuais apresentados, como também ao nível do endividamento, dos investimentos realizados ou projetos de investimento em que esteja envolvida, do seu potencial de crescimento ou da sua diversificação geográfica”, explica a CMVM. Mas há mais: tudo aquilo que sejam eventos impactantes ao nível societário da empresa, como é o caso da distribuição de dividendos, aumentos de capital ou ofertas públicas de aquisição (OPA) também determinam o comportamento dos títulos de uma empresa. Há ainda que ter em conta fatores externos, como é o caso da conjuntura económica local e global; o comportamento dos mercados financeiros a nível local ou global; ou da evolução local ou global do setor onde a empresa se insere. É por causa desta multiplicidade de fatores determinantes que é essencial que os investidores façam um acompanhamento muito próximo da sua carteira de títulos. veja também o vídeo: O que saber antes de investir em ações?

 

3. Como se dá uma ordem de compra ou venda?

As ordens de compra e venda de ações podem ser dadas através de instituições de crédito, sociedades corretoras, sociedades financeiras de corretagem e também de consultores para investimento. Sendo que qualquer uma destas entidades tem de estar obrigatoriamente registada na CMVM. As ordens podem ser dadas pelo investidor ao intermediário financeiro, presencialmente, por telefone ou telemóvel ou através da internet (o meio mais comum). Após a transmissão das ordens, estas são executadas. No entanto, é possível que em algumas situações as ordens não sejam executadas pelo facto de não existirem no mercado outros investidores com a intenção de comprar ou vender ao mesmo preço e na mesma quantidade, explica o guia da CMVM. O mesmo documento explica ainda que os investidores têm a possibilidade de definir o prazo de validade para a concretização da sua ordem. Sendo que se nada referirem, a ordem é válida até ao final da sessão. Leia também o artigo: Como chegar a milionário seguindo as dicas dos gurus

 

4. Quais são os custos associados?

O investimento em ações pressupõe o pagamento de várias comissões. As principais são as comissões de transação e as comissões por guarda de títulos. As comissões de transação são cobradas no ato da compra e venda de ações. Estas comissões “incluem as cobradas pelo próprio intermediário financeiro, as que têm que ser pagas à bolsa ou a outro intermediário financeiro responsável pela efetiva execução da ordem, a comissão de liquidação e de compensação”, explica o guia da CMVM. Já a comissão de guarda de títulos é aplicada pela abertura e manutenção de uma conta de títulos.

Este ponto é fundamental porque o peso dos custos pode “engolir” os retornos gerados pela valorização das ações. Por isso mesmo é fundamental que antes de escolher o seu intermediário financeiro compare os vários preçários para identificar o intermediário que cobra os encargos mais baixos. As assimetrias dos custos cobrados podem atingir valores consideráveis. Por exemplo, segundo um estudo elaborado pela Proteste Investe, com base nos preçários de fevereiro de 2015, a diferença entre o intermediário mais barato e o mais caro pode atingir os 2.000 euros por ano.

Além do peso das comissões, os investidores não poderão descurar o peso da fiscalidade. Sobre cada ordem de compra ou venda incide também o pagamento do Imposto do Selo. Além disso, o saldo entre as mais-valias e menos-valias registadas em cada ano civil é sujeito ao pagamento de uma taxa (28%). Leia também o artigo: Seis dicas de investimento para principiantes

 

Tome nota:

Se tem dúvidas sobre que ações escolher para o seu portfólio e que estratégia deverá seguir neste campo recorra a ajuda e aos conselhos dos especialistas de investimento do seu banco para o ajudarem a construir um portfólio equilibrado. Da mesma forma, se considerar que o investimento direto em ações exige demasiada disponibilidade da sua parte e que não tem tempo nem conhecimentos técnicos para fazer o acompanhamento direto da sua carteira, pondere fazer o investimento indiretamente, através de um fundo de investimento em ações.

 

Leia também os seguintes artigos:

– O que deve saber antes de investir em depósitos complexos

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– Contas de títulos: O primeiro passo para investir

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