Onde investir numa época de baixas taxas de juro?

Tem algumas poupanças guardadas mas não sabe onde aplicar o seu dinheiro? Pedimos ajuda à Caixagest para criar três carteiras de investimento.

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Onde investir numa época de baixas taxas de juros?

Os tempos são desafiantes para quem tem poupanças para investir mas não sabe onde encontrar valor. Num momento em que os produtos financeiros mais tradicionais estão a registar ganhos quase nulos – em virtude da política monetária expansionista levada a cabo pelo BCE – e em que existem muitos fatores de incerteza que podem ter um impacto importante no rumo dos mercados financeiros (Ex: as eleições norte-americanas; a política monetária levada a cabo pela Reserva Federal e pelo BCE; os efeitos do Brexit; entre outros), o Saldo Positivo contactou os especialistas da área de investimento da Caixagest para perceber quais são as melhores estratégias de investimento no atual contexto.

Um dado parece quase certo: a volatilidade deverá continuar a marcar o andamento dos mercados financeiros e, como tal, a melhor estratégia passa pela constituição de uma carteira de ativos diversificada. “Nesta conjuntura macroeconómica global ainda frágil, os mercados financeiros são muito suportados pela ação dos bancos centrais e podem estar sujeitos a períodos de volatilidade acima do normal. Assim, é de evitar a sobre-exposição a qualquer classe de ativos, passando a solução de investimento mais adequada por uma carteira multiativos bem diversificada em termos de fontes de valor e ajustada ao perfil de risco do investidor, prazo e objetivos de investimento”, recomendam os especialistas da sociedade gestora de ativos do grupo Caixa.

Conheça então os conselhos e as perspetivas de investimento da Caixagest.

 

Na opinião da Caixagest quais são as classes de ativos que oferecem as melhores perspetivas? E, pelo contrário, quais são as classes de ativos que merecem mais cautela?

No universo das principais classes de ativos, os atuais níveis de mercado não traduzem valorizações, do ponto de vista absoluto, historicamente atrativas.

Por um lado, as classes de monetário e de obrigações do tesouro, sobretudo no que respeita aos emitentes de melhor qualidade creditícia como Alemanha, evidenciam taxas de rendibilidade potencial muito reduzidas e mesmo negativas. Tais níveis incorporam um excessivo prémio de aversão ao risco (“seguro”) e, por outro lado, refletem a manutenção da política monetária extremamente expansionista, por parte do Banco Central Europeu (BCE), pautada por taxas diretoras nulas e negativas e por compras de ativos em mercado, por um período de tempo bastante prolongado.

Paralelamente, apesar de alguns segmentos do mercado de dívida pública da Área Euro (AE) evidenciarem prémios de risco (‘spreads’) bastante positivos face à curva germânica, como os de Itália, Espanha e Portugal, os atuais riscos idiossincráticos, políticos e fundamentais, não propiciam grande margem de estreitamento a curto prazo. Assim, a rendibilidade potencial agregada dos principais índices de obrigações do tesouro da AE é reduzida, não incorporando valor potencial significativo.

No que respeita à classe de obrigações de empresas, apesar dos respetivos ‘spreads’ de ‘yields’, face às obrigações do tesouro “sem risco”, terem estreitado significativamente nos últimos anos, a magnitude dos mesmos evidencia ainda algum potencial de valor relativo. O ambiente de crescimento moderado, sem grandes riscos de recessão ou de sobreaquecimento económico, e de inflação baixa é propício para ativos mais geradores de rentabilidade, em que os ganhos de cupão constituem uma componente importante do seu retorno total. Paralelamente, o programa de compra de obrigações corporativas do BCE constitui-se como um fator de suporte adicional para a classe de emitentes da AE. Deste modo, tendo em conta o supracitado nível absoluto extremamente reduzido das ‘yields’ “sem risco”, e a respetiva possibilidade de subida, nesta fase identificamos algum valor na componente ‘spreads’ de crédito de empresas da AE, com imunização do risco de taxa de juro, face à alternativa de exposição total à classe.

 

E no que diz respeito às ações, quais são as perspetivas da Caixagest?

Nos mercados acionistas, os múltiplos de preços relativamente a resultados esperados, dos índices de referência, encontram-se em níveis acima das médias históricas, sendo que no caso dos EUA (S&P 500) a referida valorização atingiu o máximo de mais de uma década.

Tanto ao nível das empresas americanas como das da AE, nos últimos trimestres, os resultados têm registado quedas em termos homólogos, embora a reversão recente dos preços das matérias-primas e a redução dos receios de abrandamento ou recessão na China, com possível contágio ao bloco de países emergentes, possam contribuir para a recuperação dos lucros, dada a relevância do peso, nos principais índices, das empresas mais expostas a energia e a recursos básicos bem como daquelas com exposição a mercados externos, nomeadamente, emergentes.

Por sua vez, do ponto de vista relativo, os prémios de risco implícitos nos mercados de ações, que traduzem a rendibilidade adicional face a obrigações do tesouro “exigida” pelos investidores, encontram-se próximos dos máximos históricos.

Adicionalmente, as fortes revisões em baixa de resultados esperados, já ocorridas durante o ano, e o enquadramento de taxas de juro baixas, dotam a classe de potencial valor relativo.

A nível geográfico, a par dos mercados dos EUA e da AE, o bloco emergente também evidencia algum grau de atratividade, dada a melhoria do momento fundamental de alguns países, a partir de um contexto recessivo, a tendência de estabilidade de indicadores económicos na China, o comportamento ascendente do preço das matérias-primas e os atuais níveis de múltiplos menos extremados.

Em resumo, com base na informação atualmente disponível, e tendo em conta os riscos vigentes, as classes de ações e de obrigações de crédito indiciam melhores perspetivas, por contrapartida da excessiva valorização já atingida pelo mercado de obrigações do tesouro e dos níveis negativos dos indexantes de mercado monetário da AE.

 

Tendo em conta o atual cenário de incerteza, como pode um investidor com um perfil equilibrado, um investidor com um perfil mais dinâmico e um investidor com um perfil arrojado construírem uma carteira de investimentos para os próximos três a cinco anos?
(clique na imagem para ver as carteiras com mais detalhe)

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Na categoria de “Outras classes” estão contemplados os investimentos em: ‘commodities’, soberanos ‘emerging markets’, ‘hedge funds’, imobiliário, ‘Private equity’, Infraestruturas.

Perfil Equilibrado

Nesta carteira as ações têm um peso de 20%, sendo que a maior parcela do investimento (42%) está alocado em Obrigações do Tesouro europeias.

 

Perfil Dinâmico

Para este perfil, a exposição às ações sobe (esta classe de ativos assume um peso de 40%) no portfólio, privilegiando os títulos de mercados desenvolvidos fora da Europa.

 

Perfil Arrojado

Para os investidores mais sofisticados e com um perfil de risco mais arrojado, as ações são a classe com maior peso na carteira, representando uma exposição de 60% do portfólio.

 

Não se esqueça:

Nota para o facto de estas carteiras conterem apenas descrições genéricas, sujeitas a revisões, atualizações e alterações totais ou parciais, sem aviso prévio. As carteiras são depois adaptadas pela Caixagest à situação particular de cada investidor, de acordo com os seus conhecimentos e experiência em matéria de investimento, com a sua situação financeira e com os seus objetivos de investimento.

 

 

Tome nota destes eventos

Saiba quais são os principais fatores e eventos que vão marcar o rumo dos mercados financeiros nos próximos meses, segundo a área de investimento da Caixagest.

8 de novembro: Eleições presidenciais nos EUA

As eleições presidenciais americanas para além de inevitavelmente constituírem um acontecimento relevante para os mercados, terão a particularidade do candidato republicano (D. Trump) basear a sua proposta política em princípios de caráter mais populista e protecionista, face à da candidata democrata (H. Clinton). Em caso de vitória do primeiro, provavelmente o grau de incerteza nos mercados aumentará, contribuindo para desempenhos menos positivos das classes de risco. Por outro lado, o tom crítico de D. Trump face à condução da política monetária por parte da Reserva Federal (Fed), no que respeita à manutenção de taxas de juro extremamente reduzidas, poderá gerar uma subida de ‘yields’ ao longo da curva americana, incorporando um prémio de risco adicional de uma substituição da presidência da autoridade monetária americana.

4 de dezembro: Referendo constitucional em Itália

Se o “Não” registar uma vitória poderá contribuir para um aumento da instabilidade política e culminar na demissão do primeiro-ministro atualmente em funções o que, do mesmo modo, constituirá um fator gerador não só de risco específico mas também sistémico, alerta a Caixagest.

 8 de dezembro: Reunião do BCE

No que respeita ao BCE, a reunião de conselho de governadores, a 8 de dezembro de 2016, será um evento importante pois, com a proximidade da conclusão do programa de compras de ativos no final de março de 2017, o mercado antecipa que seja anunciado um prolongamento do mesmo, para além da 2ª metade do próximo ano, explicam os especialistas da Caixagest. Por outro lado, os investidores também antecipam uma calibragem dos detalhes técnicos do programa, no sentido de ser aumentada a abrangência de ativos elegíveis para as compras

14 de dezembro: Reunião da Reserva Federal

É esperado que a Fed suba as taxas diretoras, por uma ocasião, no corrente ano, com a maior probabilidade de tal acontecer no comité de política monetária de 14 de dezembro. Se se efetivar, associada à continuação de uma retórica cautelosa em termos económicos, poderá constituir um evento de reduzida significância para os mercados, apesar do elevado grau de mediatismo. Neste caso, o maior risco reside na alteração da mensagem associada para uma tónica mais direcionada para futuras subidas de taxas a um ritmo superior ao atualmente implícito nos mercados.

 

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