Geração ‘nem, nem’: Como dar a volta à situação?

Há cada vez mais jovens em Portugal que não trabalham, nem estudam. É a chamada geração 'nem, nem'. Saiba como dar a volta à situação.

não trabalham e não estudamUma parte dos jovens portugueses não estudam nem trabalham.
São conhecidos como os “nem nem”, ou NEET (sigla para ‘Young people not in employment, education or training’), e são compostos maioritariamente por jovens entre os 15 e os 29 anos. Segundo Nuno de Almeida Alves, coordenador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE, “isto é resultante das condições económicas que vivemos, não é por falta de caráter dos jovens”, explicou ao Saldo Positivo.

Este problema não é um exclusivo português, no entanto, Portugal é o décimo país do mundo com maior percentagem de jovens até aos 29 anos que estão inativos. “Isto remete para um problema económico: o mercado de trabalho não está a gerar oportunidades para integrar estes jovens. Estes vão saindo da escola, no 12º ano ou após concluírem a licenciatura, e não encontram oportunidades profissionais”, prossegue o sociólogo. As consequências não tardarão a fazer-se sentir quando estes, agora, jovens chegarem aos 30 e 40 anos sem terem tido um emprego estável. “Esta situação de estagnação contribuirá para que fiquem cada vez mais desmotivados e desistam de procurar”, conclui.

Urge criar mecanismos para aproximar estas pessoas do mercado de trabalho, diz o sociólogo. “Isto às vezes é tentado por bolsas e estágios, mas não tem continuidade. Muitos jovens acabam por ir para onde há procura: noutros países, mas isso vai-se esgotar a prazo se não houver efetiva recuperação económica na Europa”.

 

‘Nem, nem’: O que fazer para dar a volta à situação?

Não há fórmulas mágicas para moralizar alguém para procurar emprego, mas se se mantiverem neste ciclo vai ser muito difícil motivarem-se, garante Ricardo Peixe, especialista em gestão de carreiras. “Tem de haver algo que faça quebrar o ciclo vicioso, porque a desmotivação alimenta mais desmotivação. É preciso que, de alguma forma, os pais, as escolas ou eles próprios, criem alguma forma de mudar o registo, nem que seja pôr os jovens em contacto com pessoas em situação pior para obrigá-los a avaliar a situação e dizer ‘eu até estou bem, tenho que fazer alguma coisa por mim’”, explicou ao Saldo Positivo.

Para Nuno de Almeida Alves, estes jovens podem e devem procurar a melhor formação possível para terem mais oportunidades de trabalho. “Uma licenciatura ainda é um mecanismo relativamente forte de proteção contra o desemprego. Um jovem que tenha um diploma, pode estar a defrontar-se com a mesma circunstância, mas tem mais armas para lidar com a situação e está mais protegido relativamente ao desemprego”, explica o sociólogo.

Já Ricardo Peixe acredita que “o mais importante é as pessoas não ficarem paradas à espera que algo aconteça. Isso leva a uma grande desmotivação e faz com que, se a oportunidade surgir, a pessoa já vá com uma atitude negativa”. O especialista aconselha-os a “fazerem trabalho de voluntariado, procurarem todas as dinâmicas de concursos de ideias ou de ‘start ups’. “Muitas vezes podem aproveitar este tempo para olharem para o mercado e verem o que o mercado está a pedir e a precisar”, prossegue.

Os pais também são um pilar fundamental na motivação dos jovens. “Pede-se alguma simpatia e compreensão pela situação, porque muitos pais mostram algum descrédito. Assim é difícil influenciar positivamente alguém porque estão mais focados em provar que não têm capacidade”, diz Ricardo Peixe. Os progenitores podem ajudar o jovem a perceber o que está a sentir, quais são as dificuldades, o que gostava de fazer e, sobretudo, “incentivá-los a experimentarem coisas novas, irem para fora um ano, fazerem um estágio numa empresa, numa área completamente diferente, quanto mais não seja para terem esse tipo de experiências que quebrem o ciclo”, remata o gestor de carreiras.

 

Seis ideias para manter os jovens ativos e motivados

 

1. Fazer voluntariado

Esta pode ser uma ótima forma de manter o jovem ativo, a fazer algo de positivo e conhecer outras realidades. Pode começar por fazer voluntariado na zona onde reside, dirigindo-se à junta de freguesia para saber quais as necessidades da localidade e a que associações poderá dirigir-se para oferecer os seus serviços. Existem também vários ‘sites’ para procurar a área de voluntariado ideal, onde os jovens podem colocar os conhecimentos adquiridos a trabalhar a favor de uma causa, como a Bolsa do Voluntariado, o Voluntariado Jovem ou Portal da Juventude. Se pretende ir para fora de Portugal, pesquise na Cruz Vermelha Internacional, Plataforma ONGD ou no Idealist.org.

 

2. Aventurar-se num estágio no estrangeiro

A juventude é a melhor fase da vida para ter uma aventura fora do país, quer seja por uns meses, por um ano ou até por um período mais longo. Se não consegue encontrar emprego em Portugal, poderá ser boa ideia procurar um estágio fora do país. Existem vários sítios onde procurar e programas específicos para isso, como os programas INOV – o mais conhecido é o INOV Contacto -, da União Europeia, que procura fomentar a troca de experiências e promove programas de estágios profissionais dirigidos a jovens licenciados em áreas como as artes, economias ou o ambiente. Informe-se melhor aqui. Pode ainda procurar estágios em alguma das instituições da União Europeia. Porém, se não se importa de viajar mais além e domina bem o inglês, também pode procurar oportunidades de estágio nos Estados Unidos da América. Para tal, visite o site Work Experience USA & UK.

 

3. Fazer formação

O mais importante é as pessoas não ficarem paradas à espera que a oportunidade surja e que algo aconteça. Isso pode ser uma fonte de desmotivação. Por isso, uma boa forma de manter-se ativo é através da realização de formações para atualizar os seus conhecimentos. Apesar de, em alguns casos, os jovens terem acabado a universidade, podem sempre procurar tirar cursos, ‘workshops’ e ações de formação, nas vertentes que têm mais saída profissional das suas áreas. Informe-se junto do IEFP (Instituto de Emprego e Formação Profissional) () das formações que existem ou faça pesquisas na ‘internet’ pelas áreas mais específicas para saber que oferta existe no mercado. Se domina o inglês e não tem dinheiro para pagar os cursos, pode sempre experimentar os MOOCS (Massive Open Online Courses), cursos ‘online’ gratuitos, acessíveis a qualquer pessoa. Saiba mais sobre como funcionam estes cursos neste artigo .

 

4. Informar-se sobre programas de incentivo a jovens desempregados

No sentido de reduzir o desemprego entre jovens portugueses, o Governo tem lançado vários programas de estágios para incentivar as empresas a recrutar os jovens. É importante que esteja a par de todos estes programas. Por exemplo, foi implementado o programa Garantia Jovem especialmente destinado aos jovens NEET (que não trabalham nem estudam ou a frequentam qualquer tipo de formação), com menos de 30 anos e que oferece oportunidades de formação, emprego e estágios. Saiba mais aqui.

 

5. Participar em concursos de ideias

Se o jovem é criativo, mas está desmotivado poderá incentivá-lo a participar em concursos de ideias que surgem em várias áreas. Isto poderá estimular o seu espírito empreendedor, desenvolver a criatividade, mantê-lo ativo e dar-lhe formas diferentes de raciocínio. Se não sabe por onde começar, poderá procurar concursos que as câmaras municipais por vezes desenvolvem, no sentido de estimular os talentos locais. Outro bom ponto de procura é o Portal da Juventude, onde constam inúmeras iniciativas especialmente concebidas para a camada mais jovem, como por exemplo, o INOVA – Jovens Criativos, Empreendedores para o Século XXI, concurso de ideias; ou o Bolsas Jovens Criadores especialmente desenhado para jovens artistas das áreas de música, artes visuais, literatura e espectáculo.

 

6. Criar a sua empresa

Pode parecer uma ideia distante sugerir a um jovem que pouca ou nenhuma experiência tem no mercado de trabalho, para criar a sua própria empresa, porém, se conhece bem a pessoa em questão e sabe que tem ideias e potencial, faça-o saber que existem inúmeros programas de incentivo à criação da própria empresa. Existe o programa Finicia Jovem, que dá aconselhamento, apoio e uma linha de microcrédito até 25 mil euros com boas taxas de juro e período de carência até seis meses, para jovens com idades entre os 18 e os 35 anos e o 12º ano concluído. Saiba mais aqui; Também poderá procurar o programa Investe Jovem destinado a promover a criação de empresas por jovens desempregados, através de apoio financeiro e técnico.

 

Leia também:

8.000 oportunidades de estágio e emprego: Saiba como concorrer

Como a linguagem corporal pode ajudá-lo numa entrevista

Garantia Jovem: Conheça o plano para jovens sem trabalho

10 passos para transformar o seu estágio num emprego

Pitch: Como brilhar numa entrevista em três minutos

Guia: Tudo o que deve saber se quer emigrar

10 ideias para os jovens conseguirem emprego

Deixe um comentário

A Caixa de Comentários é moderada. O Saldo Positivo reserva-se o direito de não publicar os comentários que possam ser considerados ofensivos.

PUB