Museu do Dinheiro: História e tecnologia andam de mãos dadas

É possível visitar um museu do dinheiro e não ficar aborrecido? Sim, é. Se não acredita, experimente conhecer o novo espaço em Lisboa.

cofre_610 × 253

Museu do Dinheiro: História e tecnologia andam de mãos dadas

Quando imagina uma visita a um museu do dinheiro, qual é a primeira imagem que surge na sua cabeça? Uma exposição simples, onde notas e moedas variadas são exibidas. Pense outra vez. O Saldo Positivo foi visitar o novo museu do dinheiro, do Banco de Portugal (BdP), e o resultado foi uma experiência vibrante, onde o dinheiro brilha não só pelo seu valor histórico, mas também pela forma como está exposto e como envolve o visitante nas suas diferentes fases. Com uma vantagem acrescida: a entrada é gratuita.

 

Entrada pela casa-forte

O Museu do Dinheiro foi inaugurado em abril deste ano e situa-se em Lisboa, na antiga igreja de São Julião. Passada a igreja, os visitantes são convidados a entrar para o museu do dinheiro através de uma porta da casa-forte. O museu está dividido em nove secções: tocar, trocar, convencionar, representar, narrar, fabricar, ilustrar, testemunhar e revelar.

Importa ressalvar que este não é um museu convencional, antes pelo contrário. É uma experiência interativa, que recorre a tecnologia multimédia e que, a cada passo, pede a interação com o visitante. A maior parte das atividades interativas são acionadas com o bilhete que lhe foi entregue à entrada e que o visitante deve preservar quando sair. Na parte de trás deste papel está o número do código de barras e o respetivo PIN para, mais tarde em casa, rever a sua visita e não só. Fique a saber o que encontrar em todas as nove fases.

 

1. Tocar:

À entrada está exposto um lingote de ouro, com quase 13 quilos, 99% de ouro maciço e 24 quilates. Começa aqui a interação entre a exposição e o visitante, que é convidado a tocar no lingote de ouro e até a tentar levantá-lo. É muito difícil, para não dizer impossível, deitando por terra a imagem deixada pelos filmes em que os ladrões entram na casa-forte e saem de lá com sacos cheios de barra de ouro.

2. Trocar:

Porque no início eram as trocas, na sala seguinte está Hermes – o deus grego do comércio e das trocas. Apesar de nos transportar ao passado longínquo, aqui Hermes está representado através de uma escultura branca, com aspeto futurista e que conversa com o visitante, propondo-lhe a troca direta de bens por outras formas de dinheiro. Basta, para isso, colocar o bilhete de entrada e escolher a moeda de troca. É um meio de ficar a conhecer as várias formas e valor que o dinheiro assumiu ao longo dos tempos, assim como os objetos pelos quais era trocado.

3. Convencionar:

Subimos umas escadas para ver, em realidade aumentada, a primeira moeda do mundo ocidental, que surgiu em Lídia (atual Turquia) no século VII AC. Pode ver ainda outros exemplos das primeiras moedas do Oriente, que não tinham o aspeto redondo a que hoje estamos habituados, mas antes a forma dos utensílios mais valorizados na altura, como por exemplo, uma faca.

Para quem pretende conhecer melhor a história da moeda existe um ecrã gigante com um mapa-mundo interativo que o visitante pode manipular no espaço e no tempo, para ficar a conhecer o que aconteceu em determinado ponto do globo em determinado período temporal.

 

4. Representar: Portugues R

Nesta divisão, apelidada de sala do tesouro, surge o que se chama de “floresta tubular”, onde estão expostas de forma imponente algumas das moedas mais emblemáticas e raras da coleção do Banco de Portugal. Não pode deixar de ver o “português” – moeda que surgiu no reinado de D. Manuel I, no apogeu dos descobrimentos, e foi a moeda portuguesa de maior circulação mundial. Cunhada em ouro quase puro, foi a moeda da expansão portuguesa, símbolo da afirmação do poder político nacional. Poderá ver um exemplar  do  reverso  da moeda  na  imagem  à  direita. Ao centro, a Cruz de Cristo e na orla, a legenda: “Com Este Símbolo Vencerás”.

Depois de apreciar todas estas moedas especiais, o visitante chega a uma das partes mais divertidas do museu. Numa parede existe um painel que reflete o visitante (uma espécie de espelho horizontal gigante) e, com o bilhete, pode apanhar moedas, ampliá-las, observá-las e até tirar ‘selfies’ com as suas preferidas.

 

5. Narrar:

Nesta sala, uma das maiores do museu, o visitante encontra uma vitrina serpenteante que conta, de forma cronológica, de um lado, a história da moeda e, do outro lado, a do papel-moeda, em território português. Pelo meio vai encontrar alguns objetos que estão, ou não, diretamente relacionados com dinheiro e com a banca. Um dos maiores polos de atenção desta sala são, incrivelmente, as notas falsas. Fala-se do caso Alves dos Reis, onde é possível comparar as notas verdadeiras com as falsificadas pelo burlão.

Neste espaço existe ainda um miradouro virtual sobre a cidade de Lisboa, que tem a curiosidade de indicar onde estão localizados os bancos centrais da Zona Euro e dos países de expressão portuguesa.

 

6. Fabricar:

Para quem é fascinado não só pelo valor histórico das moedas e notas, mas também por questões mais técnicas, esta sala é perfeita, uma vez que vai encontrar a evolução das formas de fabrico do dinheiro, das máquinas (pantógrafos e tornos, por exemplo) e materiais utilizados.

É um dos espaços em que os visitantes mais se podem divertir: poderá observar microscopicamente algumas fibras que compõem as notas, estampar a sua cara numa nota (e posteriormente descarregar a imagem), pedir um desejo no poço virtual e ainda testar a genuinidade do dinheiro que traz no bolso, aprendendo com isto, as técnicas para reconhecer notas falsas.

 

7. Ilustrar:

Aqui poderá ver notas de todo o mundo. No chão está desenhado um mapa do mundo, por onde se erguem lâminas de vidro que expõem inúmeras notas das respetivas regiões.

 

8. Testemunhar:

Se assim o desejar pode deixar o testemunho relativo à sua visita e à relação que tem com o dinheiro. O depoimento poderá ser depois exibido num dos vários ecrãs à escala natural que estão expostos nesta divisão. Várias pessoas comuns e até algumas personalidades já aqui deixaram o seu contributo, como é o caso do presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

 

9. Revelar:

É o último passo da visita, onde encontrará um segundo deus Hermes – uma escultura multimédia moderna, com uma ponte para o passado. Pode visualizar um breve filme com uma reconstrução da Lisboa medieval e a transformação que sofreu após o terramoto de 1755. Nos ecrãs laterais, o visitante tem a possibilidade de observar algumas ilustrações arqueológicas em 3D achados durante as obras.

Por fim, é obrigatória uma ida ao troço da muralha de D. Dinis. São apenas 30 metros, onde poderá visualizar não só a muralha, como os vestígios arqueológicos encontrados durante as obras de recuperação do edifício. 

 

Igreja de S. Julião: Um edifício com séculos de história

MuseuDinheiro_naveComo já foi referido, o ponto de partida para o museu é feito pela antiga igreja de São Julião (de traça pombalina, reconstruida após o terramoto de 1755). Um imponente espaço amplo, com um enorme pé direito, arcadas e varandins, de cores claras, que foi cuidadosamente restaurado, de forma a devolver aos portugueses uma parte da sua história. A antiga igreja de São Julião está nas mãos do Banco de Portugal desde 1933, altura em que foi dessacralizada, e desde então já serviu um pouco para tudo: casa-forte, arquivo e até estacionamento para cargas e descargas de materiais. Foi só em 2006 que o Banco de Portugal decidiu restaurar e reabilitar o edifício para aqui instalar o museu.

O projeto foi adjudicado ao gabinete do arquiteto Gonçalo Byrne que, juntamente com João Pedro Falcão de Campos, deu início a um ciclo de descobertas num local que havia sido sagrado, mas estava altamente fustigado pelo incêndio de 1816 e pelas inúmeras utilizações posteriores dadas pelo BdP. Exemplo disso são os vestígios do altar-mor da igreja (que ardeu no incêndio de 1816) e que foi descoberto após as demolições das antigas caixas-fortes, que guardavam os lingotes de ouro do Banco de Portugal, e um troço da muralha de D. Dinis – que já se suspeitava que pudesse estar soterrada, mas cuja confirmação apenas chegou depois do início das obras.

Com este trabalho de restauro, o Banco de Portugal devolveu uma parte da história de Lisboa aos cidadãos. Nada se inventou, nada se reconstruiu. Houve apenas um trabalho de reabilitação, como foi explicado ao Saldo Positivo. Refira-se que tudo neste museu, desde o restauro da igreja, ao ‘design’ do museu, passando pela tecnologia, até ao fabrico das peças de exposição é ‘made in Portugal’.

 

Leia também:

Apoios: Como poupar no arrendamento?

Saiba como poupar em IRS com os animais domésticos

10 ingredientes económicos que não podem faltar na sua cozinha

31 Conselhos para cortar na conta da eletricidade e gás

Passatempo: Ganhe livros que o ensinam a gerir o seu orçamento

Quatro sites e ‘apps’ gratuitos para aprender uma língua

Poupar na cozinha: Nove receitas para aproveitar as sobras de refeições

18 Conselhos da Quercus para poupar na água

Entrevista a Pedro Andersson: “Perguntam-me muitas vezes se estou rico”

Como poupar 50 euros em eletricidade com tomadas inteligentes

Oito despesas que ajudam a poupar no IRS

Passatempo: Ganhe uma subscrição do Boonzi

Telecomunicações: Seis passos para negociar o melhor tarifário

Sete formas de poupar no seu automóvel

Onde investir numa época baixas taxas de juro?

 

Leia os especiais poupança dos anos anteriores

Especial poupança 2015

Especial poupança 2014 

Especial poupança 2013

 

PUB

Conheça também a história da Caixa

Deixe um comentário

A Caixa de Comentários é moderada. O Saldo Positivo reserva-se o direito de não publicar os comentários que possam ser considerados ofensivos.

PUB