Não deixe o “bicho” da inflação comer as suas poupanças

Apesar da inflação estar em níveis muito baixos, no longo prazo é um inimigo da sua carteira. Saiba como fintá-la.

inflaçãoSe a inflação fosse um conto para crianças poderia muito bem ser personificada pelo bicho-papão. Se fosse um jogo, seria o velhinho Pac-Man que come as bolinhas. Se fosse um monstro mitológico, seria o dragão – um bicho gigantesco, com dentes enormes, que cospe fogo e precisa ser detido. Este indicador económico é bastante inspirador e frequentemente é alvo das melhores metáforas económicas.

Seja qual for a “cara” que se dá à inflação, um dado é certo: ela é temida por todos os especialistas em economia. Mas de que se fala quando se fala em inflação? Numa economia de mercado, os preços dos bens e serviços podem oscilar (uns sobem, outros descem). Mas a inflação refere-se quando há um aumento generalizado dos preços de bens e serviços. A consequência deste fenómeno é a desvalorização do dinheiro: isto porque com uma moeda de um euro passamos a comprar menos produtos do que no passado. Por isso, quando há uma alta generalizada dos preços, a população perde poder de compra, prejudicando os negócios e investimentos no país.

No entanto, num cenário de crise económica, é natural que a inflação desça: as famílias têm menos rendimentos, logo consomem menos, levando as empresas a baixarem os preços com intuito de captar clientes. Isso mesmo ficou visível na atual crise: Em 2011, a média situou-se nos 3,7%, em 2012 desceu para os 2,8% e em 2013 esteve quase a bater no zero: 0,3%, de acordo com o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor, do Instituto Nacional de Estatística (INE).

 

Maior inimigo da sua carteira

No entanto, e apesar da inflação atual ser bastante baixa, tal não significa que deva ficar descansado e não temer os efeitos neste indicador económico na sua carteira. É que no longo prazo mesmo uma inflação reduzida pode ter efeitos corrosivos nas suas poupanças.

Para ter uma noção de como este indicador pode ser prejudicial para a sua carteira, o Saldo Positivo fez algumas simulações na calculadora do valor futuro das poupanças do site da Proteste Investe. Por exemplo, se tiver 10 mil euros parados numa conta à ordem, tendo em conta a taxa de inflação prevista para 2014 pelo Banco de Portugal (0,8%), dentro de dez anos apenas terá 9.234 euros. Ou seja, sem dar conta disso, a inflação “roubou-lhe” 766 euros. E isto é com uma taxa de inflação bastante reduzida. Para o próximo ano, a taxa de inflação prevista pelo BdP é de 1,2%. Feitas as contas se o indicador se mantiver assim por uma década, os mesmos dez mil euros apenas valerão 8.875 euros no final do prazo. Ou seja: menos 1.125 euros.

Uma vez que não é possível traçar uma previsão a longo prazo sobre a evolução da inflação, o melhor é fazer as contas utilizando o parâmetro definido pelo Banco Central Europeu como ideal para a inflação na Zona Euro: perto dos 2%. Desta forma, se tivermos em conta este número, os mesmos dez mil euros em dez anos serão transformados em 8.203 euros, ou seja, menos 1797 euros.

 

Proteja as suas poupanças

Nunca é demais lembrar que o dinheiro deverá estar investido num produto que lhe traga um retorno real positivo, ou seja, com taxa líquida acima da inflação, para garantir que as suas poupanças nunca serão beliscadas pela desvalorização natural do dinheiro.

Nos tempos que correm, a inflação tem-se mantido baixa, pelo que não é difícil encontrar um produto de aforro que a possa compensar. Mas quando este indicador começar a subir terá de encontrar soluções de poupança e investimento que permitam o seu dinheiro continuar a crescer em termos reais ao longo do tempo. Aqui ficam então algumas sugestões para combater os efeitos da inflação nas suas poupanças.

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