O que deve saber antes de investir em depósitos complexos

Fique a saber para onde deve olhar quando está a analisar depósitos indexados ou duais.

depósitos complexosOs depósitos a prazo são, de longe, a aplicação financeira preferida dos portugueses. Os números do Banco de Portugal, relativos ao final de 2014, mostram que no ano passado, as famílias tinham cerca de 133 mil milhões de euros aplicados em depósitos. Tendo isto em conta não é difícil perceber a vasta oferta de depósitos no mercado português. No entanto, nem todos os depósitos são iguais. Além dos depósitos simples existem também os chamados depósitos complexos que têm características próprias e sobre os quais é recomendável que os investidores tenham alguns cuidados quando analisam estes produtos.

Segundo os números recentemente divulgados pelo Jornal de Negócios, baseados em dados do Banco de Portugal, em 2014 a oferta dos depósitos complexos disparou 40%, tendo sido colocados à venda 216 depósitos complexos, dos quais 206 são indexados e 10 duais. Este aumento está em linha com o que já tinha acontecido no ano anterior. Em 2013 verificou-se um aumento expressivo da oferta, tendo sido comercializados 136 depósitos indexados (mais do dobro do que em 2012) e 13 duais, de acordo com o Relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho de 2013, do Banco de Portugal. Contas feitas, significa que houve um aumento de 48% dos valores investidos pelos portugueses nestes produtos quando comparado com os montantes aplicados em 2012.

Apesar da crescente popularidade junto dos aforradores portugueses serão os depósitos complexos bons produtos de investimento? Embora possam reunir o melhor de dois mundos: a segurança do investimento aliada à possibilidade de obter retornos mais elevados do que num depósito simples, os analistas da Deco Proteste são reservados quando se trata de recomendarem investimentos em depósitos indexados ou duais. Um dos motivos prende-se com a complexidade da remuneração. Além disso, em vários casos os juros destes produtos ficam aquém da rendibilidade gerada pelos melhores depósitos a prazo simples.

No entanto, a possibilidade de obter rendimentos mais elevados do que nos depósitos tradicionais, com um produto que assegura sempre o capital investido, pode ser bastante atractiva.

Fique então a saber para onde deve olhar quando está a analisar este tipo de aplicações financeiras.

 

O que são os depósitos complexos?

À semelhança dos depósitos a prazo simples, são produtos com garantia de capital, tendo as instituições bancárias que assegurar ao depositante o reembolso da totalidade do montante depositado, na data de vencimento do depósito ou em caso de mobilização antecipada, se esta for permitida. Apesar da garantia de capital, estes produtos divergem dos depósitos a prazo tradicionais, porque têm a remuneração associada à evolução de instrumentos ou variáveis económico-financeiras. Existem duas categorias de depósitos complexos: os depósitos indexados e os depósitos duais.

– Os depósitos indexados têm a sua remuneração dependente da evolução de instrumentos ou variáveis económico-financeiras, como ações, índices de ações, taxas de câmbio, taxas de juro de referência do mercado monetário, mercadorias ou matérias-primas.

– Os depósitos duais resultam da combinação de dois ou mais depósitos bancários, que podem ter a forma de depósitos simples ou de depósito indexado. Os depósitos duais podem ser constituídos pela combinação de vários depósitos a prazo simples, cujas componentes têm datas de vencimento diferenciadas.

 

Como analisar os depósitos complexos?

Apesar de terem capital garantido, o que significa que os investidores nunca perdem o dinheiro que aplicam, estes produtos são classificados como “produto financeiro complexo”. Para analisar as condições do depósito deverá olhar para a Ficha de Informação Normalizada (FIN). Neste documento estão as principais características e riscos do depósito, incluindo o tipo de depósito, a moeda de denominação, o prazo, a forma de remuneração e os instrumentos ou variáveis económicas e financeiras subjacentes, as condições de acesso e os fatores de risco. Tenha especial atenção às seguintes secções:

– Caracterização do produto: Aqui poderá ver uma breve descrição do depósito, nomeadamente a duração do mesmo, o instrumento ou variáveis económicas que influenciam a remuneração e como se apura o rendimento.

– Garantia de remuneração: Para assegurar que os investidores têm algum retorno, alguns destes produtos têm uma taxa de juro mínima garantida. Assim, mesmo que o instrumento ao qual estão indexados não tenha um desempenho positivo, os investidores têm uma remuneração residual.

– Fatores de risco: Devido à complexidade destes produtos, os riscos devem ser bem analisados, nomeadamente, os riscos de mercado, se for o caso, o risco de liquidez, o risco de remuneração e de crédito.

– Instrumentos ou Variáveis Subjacentes ou Associados: Neste campo está uma explicação detalhada das variáveis das quais depende o rendimento do depósito. Por exemplo, se estiver indexado a um fundo de investimento de acções deverá constar o tipo de ações em que este investe, onde pode encontrar informação sobre o fundo, rendibilidade histórica e medida de risco.

– Perfil de cliente recomendado: Por terem garantia de capital, estes depósitos são considerados seguros. No entanto, existe o risco de não terem a rentabilidade esperada, nem rendibilidade mínima garantida, acabando o investidor por ter o dinheiro “parado” durante o tempo de duração do depósito. Por outro lado, também pode acontecer o depósito ter a remuneração potencial esperada ou até superior, consoante o desempenho da variável à qual está indexado. Por este motivo, é importante assegurar que sabe quais os seus objetivos em termos de investimentos.

– Mobilidade antecipada: A maior parte dos depósitos a prazo complexos não permite que mobilize antecipadamente a quantia que aplicou, pelo que deverá equacionar se vai (ou não) necessitar do dinheiro durante o prazo do investimento.

– Remuneração: Aqui consta a forma de remuneração destes depósitos e também uma simulação histórica dos resultados dos depósitos com base em dados históricos dos produtos indexados. Tenha em atenção que estas simulações são meramente indicativas, uma vez que a qualquer momento o mercado pode inverter. Nos depósitos a prazo indexados a remuneração só é calculada no final do prazo, depois de conhecida a evolução das variáveis. Já nos depósitos duais, deve analisar atentamente a forma de remuneração dos diferentes depósitos que o constituem. Enquanto os depósitos indexados normalmente só pagam juros no fim do prazo, nos depósitos a prazo duais é costume haver um pagamento intermédio, à medida que as várias componentes vão vencendo.

 

Quais os principais riscos associados aos depósitos complexos?

O capital investido está sempre garantido, no entanto, a remuneração destes produtos tem algum risco. Conheça os principais riscos associados a estes produtos.

– Risco de remuneração – Este será o maior risco destes depósitos. Nos depósitos complexos, a remuneração está sujeita à evolução dos instrumentos ou variáveis económicas aos quais estão indexados. Apesar de haver um retorno potencial, que pode ver na simulação histórica da remuneração, só saberá qual o desempenho da aplicação quando o prazo terminar. Segundo o Relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho de 2013, dos 43 depósitos indexados vencidos nesse ano, apenas 23 pagaram a remuneração mínima garantida no prospeto informativo, 10 tiveram uma remuneração nula e 14 pagaram a remuneração máxima potencial indicada. Os restantes seis tiveram uma remuneração entre a mínima e a máxima. Destes 43 depósitos, um total de 17 renderam mais do que os depósitos a prazo simples da mesma instituição bancária. Os restantes 26 tiveram remunerações abaixo dos depósitos tradicionais.

– Risco de mercado – Sendo que a rentabilidade destes depósitos está dependente de instrumentos ou variáveis económicas, na maior parte dos casos, a remuneração está dependente da evolução do mercado. Por exemplo, se a remuneração estiver dependente de um cabaz de ações, será influenciado por variáveis de mercado e de natureza macro ou microeconómicas que afetem a cotação das ações que compõem o cabaz

– Risco de crédito – É o risco de falência ou insolvência da entidade bancária e, consequentemente, o investidor pode não ser reembolsado do dinheiro que aplicou. No entanto, no caso dos depósitos a prazo, incluindo os complexos, este risco é mínimo porque os investidores estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos até a um montante de 100.000 euros.

– Risco de liquidez – É o risco de não poder movimentar o dinheiro antes do vencimento da aplicação. Os depósitos complexos tendem a ter prazos de maturidade mais longos do que os depósitos simples e não permitem a mobilidade antecipada.

– Risco de inflação – Uma vez que a remuneração dos depósitos complexos não é fixa, pode acontecer chegar à maturidade do produto e ter uma taxa de remuneração inferior à taxa de inflação. Significa que terá menos poder de compra com essa quantia.

 

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