OPINIÃO

Luís Saraiva Martins Administrador da Caixa Gestão de Ativos

Opinião: Carteira de investimentos “todo o terreno” precisa-se

O administrador da Caixa Gestão de Ativos explica como se deve preparar uma carteira de investimentos.

A situação atual dos mercados financeiros é muito interessante, com os investidores a beneficiarem de excelentes valorizações em 2013 e, dados esses ganhos recentes, otimistas sobre o futuro que aí vem e sobre o nível de risco que conseguem suportar nas suas carteiras.

E por algum tempo vão esquecer a existência dos momentos da evolução dos mercados financeiros em que somos confrontados com a dura realidade: Perder dinheiro quando os mercados caem é doloroso. Começa sempre de forma diferente, umas vezes timidamente, outras com grande ruído, mas leva-nos inevitavelmente ao ponto em que o medo de perca substitui a vontade de valorizar o nosso capital.

E é invariavelmente nestes momentos que realmente testamos se o tal “perfil de risco” de que o nosso gestor de conta nos falou é aquilo de que realmente necessitamos (ou conseguimos suportar, no caso dos mercados em queda…). Afinal, aquele ‘benchmark’ que estava no contrato de gestão de carteira, parece ter volatilidade a mais… É que isto da volatilidade, quando se trata da parte em que os mercados caem é bastante mais doloroso do que quando os mercados sobem…

Talvez devesse ter seguido o conselho daquele seu amigo rico, que sempre lhe diz que a sua grande preocupação é continuar a ser rico. E por isso, faz sempre questão em ter como objetivo nas suas carteiras algo que sobe sempre (do tipo Euribor + x%, como o seu empréstimo à habitação). E mais importante, diz ele, é a parte da perda!

“Sim que isso do risco medido com essas fórmulas matemáticas maravilhosas (volatilidade) é muito interessante, mas eu estou muito mais interessado em saber exatamente quanto posso perder, no máximo, nos próximos 12 meses” – diz-lhe sempre ele, quando a conversa toca nestes temas do risco.

 

“Perder dinheiro quando os mercados caem é doloroso. Começa sempre de forma diferente, umas vezes timidamente, outras com grande ruído, mas leva-nos inevitavelmente ao ponto em que o medo de perca substitui a vontade de valorizar o nosso capital”

 

É pois nestes momentos de angústia, ao ver as perdas que se acumulam na sua carteira, que muitos investidores têm a verdadeira perceção acerca do que significa o nível de risco, ou volatilidade, da sua carteira. É talvez da pior maneira, mas ficam a saber quanto pode a sua carteira perder, em euros ou em percentagem do capital investido, num certo período.

E muitos concluem que não, não estão no perfil certo, afinal não querem, ou não podem, arriscar perder todo aquele dinheiro de novo… e reduzem o seu nível de risco, invariavelmente no pior momento do mercado, tornando irrecuperáveis as percas quando os mercados voltarem a recuperar…

É por isso que um bom conselho para o seu património financeiro é sempre o de construir uma carteira a que poderia chamar “Carteira TT” (Todo o Terreno). Não porque estejamos hoje num momento especialmente perigoso ou atrativo da evolução dos mercados, mas como método de investimento, válido em todas as conjunturas.

Diversifique fortemente a sua carteira, adquirindo exposição a diferentes classes de ativos, geografias e setores de atividade. Compre, por exemplo, ações, obrigações com risco de taxa de juro, obrigações com risco de crédito, ‘private equity’ ou imobiliário.

No fundo construa uma carteira que tenha exposição a diferentes fatores de risco, o que lhe permitirá ultrapassar vários ambientes de investimento com os resultados desejados. Quando umas classes de ativos se comportarem mal outras estarão a ter uma boa performance, diminuindo o risco da carteira total e amortecendo as oscilações ao longo do caminho longo e sinuoso da performance futura dos seus investimentos.

Obviamente, não esqueça que antes de começar a comprar as várias componentes da sua carteira deve decidir qual o horizonte temporal desse investimento, qual o nível de perda máxima está disposto a sofrer nesse horizonte temporal e qual o objetivo de rendibilidade, para que possa calibrar a quantidade de cada tipo de ativos de acordo com os seus objetivos finais.

Vai por certo concluir que necessitará de incorrer em mais risco (perda potencial) se quiser aumentar o potencial de ganho, mas desconfie de quem lhe prometer o contrário… Lembre-se também de que um Todo-o-terreno não arranca tão rápido como um Fórmula 1 num semáforo, mas num caminho agitado pode chegar bem mais longe…

 

Veja aqui as carteiras de investimento sugeridas pela Caixa Gestão de Ativos para três diferentes perfis de investidores.

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