OPINIÃO

Ricardo PeixeCareer Specialist & Managing Partner

Opinião: Novo demais para a reforma e velho para trabalhar

Encontrar emprego a partir de uma certa idade pode ser uma tarefa difícil. Ricardo Peixe explica como dar a volta à situação.

“Novo demais para a reforma e velho demais para trabalhar”. Já ouvi esta frase dezenas de vezes e cada vez a idade de que falam é mais baixa. De igual forma, nas muitas palestras em universidades que dou, encontro muitos licenciados a dizerem-me que não conseguem oportunidades por não terem idade e experiência suficiente. Numa palestra há umas semanas, uma participante dizia: “Já tenho 30 anos… agora ninguém me quer”. Mas afinal, há alguma verdade na expressão ou não?

Da minha experiência no contacto com centenas de desempregados a resposta é sim e não. Sim, porque de facto existem empregadores que tem um “filtro” para a idade e raramente olham sequer para uma candidatura acima de um determinado patamar. Não, porque existem formas de ultrapassar esses filtros e conseguir criar impacto no empregador.

Vamos escalpelizar a questão um pouco, abordando-a de três prismas diferentes e complementares. Em primeiro lugar temos de encontrar forma de a nossa candidatura se destacar tanto das outras que o recrutador quer conhecer-nos “apesar” da idade. Sobre este tópico leiam o meu artigo sobre o tema. Em segundo, temos de compreender bem quais as questões que estão associadas à idade no momento da contratação.

Quando questionei empregadores sobre porque não queriam alguém de uma faixa etária mais alta, as respostas mais comuns foram:

  • Porque não tem a mesma garra e energia de um jovem.
  • Porque pode ter hábitos (vícios) muito enraizados e tem resistência a aprender novas tecnologias/ferramentas/ideias.
  • Porque em breve quer reformar-se.

 

Quando os questionei sobre quais as menos-valias de contratar alguém muito jovem, responderem:

  • Falta de experiência e competência.
  • Falta de sentido de responsabilidade e compromisso.
  • Falta de capacidade de lidar com situações inesperadas.

 

Se analisarmos estas opiniões vemos que, sejamos mais juniores ou séniores, para nos destacarmos dos restantes candidatos, teremos de aliar as diferentes vantagens. Isto quer dizer que, independentemente da nossa idade, temos de mostrar energia, disponibilidade para aprender, capacidade de resolver situações, competência, sentido de missão e compromisso, responsabilidade e flexibilidade mental. Se quando olha para esta descrição sente que lhe falta uma ou várias, é agora o momento para as trabalhar e melhorar.

Por último, mas não de somenos importância, é a mentalidade do próprio candidato relativamente à sua idade. Muitos candidatos agem como se o mercado de trabalho lhes “deve-se alguma coisa” e/ou tem expectativas irreais quanto ao nível de responsabilidade ou vencimento que vão auferir. Não vou sequer discutir se é justa ou não, a forma como o mercado está a operar, o certo é que esta atitude afasta os interessados e deixa uma má impressão.

Por outro lado, tem funcionado muito bem, mostrar flexibilidade e disponibilidade para (re)aprender e crescer dentro da organização. Não são poucos os casos que após a entrada na empresa “por baixo”, rapidamente conseguem ascender a posições maior responsabilidade. Lembre-se de que de nada vale ter a competências e capacidades “certas”, se não as mostrar. Novo ou velho, terá de encontrar forma de conseguir chegar à fala com o decisor e convencê-lo que é a pessoa certa para o cargo. Se não conseguir fazê-lo, se calhar não é.

Consulte o site da INSIDEOUT- Talent Placement Solutions aqui.

 

 

Deixe um comentário

A Caixa de Comentários é moderada. O Saldo Positivo reserva-se o direito de não publicar os comentários que possam ser considerados ofensivos.

PUB