“Para poupar é necessária evolução económica positiva”

Para o líder da APS, a perceção de que o Estado Social podia resolver todos os problemas foi um dos factores que levou à perda de hábitos de aforro....

APSCerca de 41 mil milhões de euros das poupanças dos portugueses estão aplicados em produtos sob a forma de seguro, segundo números avançados pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS). Em entrevista ao Saldo Positivo, Pedro Seixas Vale, presidente desta associação defende a ideia de que para aumentar os níveis de poupança das famílias é fundamental termos um sistema fiscal sério e estável, que estimule comportamentos de poupança. Para atingir este objetivo, o presidente da APS considera também fundamental a continuação da aposta na educação e literacia financeira em Portugal.

 

Na sua opinião, quais são neste momento os principais entraves à poupança das famílias portuguesas?

No contexto de incerteza em que vivemos uma das poucas certezas que podemos ter é que as expectativas de redução de rendimento e as dificuldades do Estado Social obrigam as famílias a refazer as suas estratégias particularmente no que se refere ao binómio poupança-consumo. Esta circunstância é fortemente potenciada pelo facto da disponibilidade de crédito para o consumo ser hoje menor.

No entanto, é justo reconhecer que os portugueses enfrentam muitas dificuldades para conseguir amealhar algum dinheiro. Segundo estudos comparativos efetuados, os portugueses são dos que menos poupam e os que o fazem em menor quantidade na Europa, sendo provavelmente as dificuldades financeiras o principal entrave. O baixo nível de rendimentos e as remunerações muito baixas tornam o aforro muito difícil. Com cada vez menos rendimento disponível e as despesas fixas a aumentar, a percentagem destinada para a poupança tende a reduzir.

Fatores como as constantes mudanças do sistema fiscal e a sua elevada carga concorrem em muito para esta dificuldade. O nível elevado de desemprego também terá uma parte de responsabilidade neste comportamento.

 

E o que é que a crise veio mudar nos hábitos de poupança das famílias?

A forte e constante redução da taxa de poupança da economia portuguesa nas últimas décadas foi, até à crise financeira internacional, um facto ignorado por especialistas e decisores políticos. Esta diminuição acentuada da taxa de poupança teve como consequência o aumento exponencial do défice e da dívida externa, o que deveria ter feito soar os sinais de alarme.

A grande queda das taxas de poupança das famílias portuguesas teve lugar entre o final dos anos 80 e meados da década de 90, período em que o sistema financeiro português se desenvolveu e desapareceram as restrições no acesso ao crédito, fatores que conjugados, acabaram por propiciar fortemente o endividamento.

Paralelamente, o alargamento dos benefícios concedidos pelo Estado Social e a perceção de que este podia resolver todos os problemas levou a que se perdessem hábitos de aforro. A queda da taxa de poupança contribuiu assim para os desequilíbrios económicos que se avolumaram nos últimos anos.

Quando a crise assolou a economia, trouxe consigo alterações socioeconómicas com consequências no quotidiano das famílias e das empresas e teve como consequência um acréscimo de responsabilidades para todos, recolocando na ordem do dia a importância da poupança no discurso politico e na prática dos portugueses.

 

“É justo reconhecer que os portugueses enfrentam muitas dificuldades para conseguir amealhar algum dinheiro. Segundo estudos comparativos efetuados, os portugueses são dos que menos poupam e os que o fazem em menor quantidade na Europa, sendo provavelmente as dificuldades financeiras o principal entrave”

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