“Para poupar é necessária evolução económica positiva”

Para o líder da APS, a perceção de que o Estado Social podia resolver todos os problemas foi um dos factores que levou à perda de hábitos de aforro....

 

Ou seja, a crise obrigou a sociedade portuguesa a mudar mentalidades e focar-se em outras prioridades….

Creio que é consensual que uma crise com as características da iniciada em 2008 obriga a repensar de uma forma profunda e mais dinâmica os modelos de negócio, as formas de atuação das empresas e os comportamentos dos cidadãos de modo a acomodar justificadamente as transformações em curso e desenhar um futuro diferente para a nossa sociedade desde a saúde à educação, da habitação ao emprego, do rendimento aos modelos de consumo e, inexoravelmente, aos novos comportamentos face à poupança.

Este enquadramento teve como consequência um maior rigor nas nossas escolhas, tornando inevitável a diminuição do endividamento e um maior cuidado na sua alocação. As despesas com bens duradouros diminuíram e é factual a menor propensão para investimento imobiliário. Já o consumo de bens não duradouros e serviços manteve uma evolução positiva. Julgo poder afirmar que existe hoje mais ponderação no consumo e uma mudança profunda de atitudes e estilos de vida. Esta nova realidade sugere que a taxa de poupança terá uma tendência crescente nos próximos anos.

 

Na visão da APS, o que pode ser feito para melhorar os níveis de poupança das famílias?

Olhando retrospetivamente para outros momentos de austeridade pelos quais o país passou, os portugueses conseguiram, ainda que num contexto distinto, superar as dificuldades então vividas, e Portugal, em diversas áreas, alcançou patamares de excelência mundial, nomeadamente no que respeita a produtos e serviços desenvolvidos, muitos dos quais inovadores em determinados domínios.

Estou por isso certo que as gerações atuais herdaram essa carga genética e que, com certeza, iremos conseguir reposicionar o país na rota da recuperação económica. Um dos aspetos determinantes dessa recuperação passa por abdicar de consumir hoje, para beneficiar desse adiamento no futuro.

 

“O alargamento dos benefícios concedidos pelo Estado Social e a perceção de que este podia resolver todos os problemas levou a que se perdessem hábitos de aforro. A queda da taxa de poupança contribuiu assim para os desequilíbrios económicos que se avolumaram nos últimos anos”

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