“Para poupar é necessária evolução económica positiva”

Para o líder da APS, a perceção de que o Estado Social podia resolver todos os problemas foi um dos factores que levou à perda de hábitos de aforro....

Há certamente uma série de decisões, comportamentos e atitudes que estão nas mãos das famílias para conseguirmos aumentar os níveis de poupança. Mas só isso será suficiente? Que medidas considera serem necessárias para que a questão da poupança possa ser uma realidade dos hábitos da sociedade portuguesa?

Para poupar precisamos acima de tudo de uma evolução económica positiva. Se a austeridade e as os constrangimentos das finanças públicas têm dominado, e as escolhas dos cadernos de finanças de toda a Europa condicionado, está agora mais do que na altura das decisões de política económica terem em consideração o impacto sobre a poupança dos portugueses, devendo ser estáveis e previsíveis e não gorando as expectativas dos aforradores.

Outro aspeto fundamental prende-se com a seriedade e estabilidade fiscal nomeadamente quanto à poupança de longo prazo. Precisamos de uma fiscalidade mais estável, não apenas para atrair investimento mas, também, para tornar o sistema fiscal credível e recomendável, incentivando os comportamentos de poupança.

Por outro lado, desenvolver novos produtos financeiros que, protegendo o aforrador, possam ser mais simples, transparentes e que acomodem o pagamento dos prémios de seguros às dificuldades atuais sentidas,tem sido uma prioridade do setor com o objetivo de potenciar a poupança. O sistema segurador português mostrou nas últimas décadas uma grande capacidade de inovação. O aumento da poupança, em particular a que resulta do objetivo de garantir um rendimento depois da vida ativa, tem levado a apresentar propostas de novos produtos.

No âmbito de políticas públicas de promoção da poupança é crucial a divulgação junto da população do efeito da reforma da segurança social de 2007 sobre as pensões de reforma das gerações mais jovens. A tomada de consciência das gerações mais novas de que os descontos para a segurança social não terão como compensação pensões que lhes permitam manter os níveis da vida ativa, terá como consequência um aumento da taxa de poupança daqueles indivíduos.

Finalmente, dado que a poupança é uma decisão que envolve o presente e o futuro, a educação e literacia financeira muito podem contribuir para este desiderato. A crise financeira veio mostrar que é necessário aumentar o nível de literacia financeira dos cidadãos, estando em curso muitas iniciativas que visam promover uma melhor avaliação das necessidades futuras de rendimento. A título de exemplo, de ações desta natureza, refira-se que a Associação Portuguesa de Seguradores lançou uma coleção de livros e jogos destinada aos jovens dos cinco aos 13 anos com o objetivo dos mais jovens possam melhor apreender conceitos básicos do setor.

 

Uma parcela significativa das poupanças dos portugueses está aplicada em produtos de investimento sob a forma de seguro, como é o caso do PPR ou dos seguros de capitalização. De que forma, a crise teve impacto nestas aplicações?

Depois de dois anos (2011 e 2012) com significativas quebras de produção, o ano de 2013 assistiu a uma inversão desta tendência descendente, tendo sido observada uma expansão muito significativa do volume total de prémios e contribuições no segmento Vida (+33,5%) quase inteiramente determinada pelo acréscimo da procura dos seus produtos de poupança. Esta tendência de crescimento é também reforçada pelos dados disponíveis com os valores acumulados de produção até ao terceiro trimestre de 2014, que evidenciam, face ao período homólogo de 2013, um crescimento de quase 18% nas novas contribuições para produtos financeiros geridos pelas seguradoras. Com esta evolução e com os rendimentos gerados e mantidos nos fundos, as poupanças acumuladas em produtos de seguros estão novamente em fase de crescimento, ascendendo a cerca de 41 mil milhões euros.

Sob este ponto de vista, o PPR disponibilizado pelas seguradoras merece um lugar de destaque continuando a ser o instrumento de poupança individual mais relevante para a reforma nomeadamente porque, mesmo em contextos de instabilidade como o que se vive atualmente, mantêm a sua rentabilidade muito positiva, mitigando fortemente o risco de volatilidade dos mercados. Assim o confirmam os indicadores estatísticos – só nos primeiros nove meses deste ano os portugueses investiram 1,7 mil milhões de euros, a larga maioria dos quais em contratos com garantias de capital e de rendimento, o que significa um acréscimo de quase 90% face a igual período do ano anterior.

Esta reforçada apetência dos aforradores individuais pelos produtos de poupança das seguradoras vem comprovar a especial atratividade do seu modelo de remuneração em conjunturas mais voláteis e, no fundo, premiar este modelo e a sua capacidade de gestão de investimentos a longo prazo, muito especialmente quando o aforro se destina a complementar os rendimentos na idade da reforma.

 

 “No âmbito de políticas públicas de promoção da poupança é crucial a divulgação junto da população do efeito da reforma da segurança social de 2007 sobre as pensões de reforma das gerações mais jovens. A tomada de consciência das gerações mais novas de que os descontos para a segurança social não terão como compensação pensões que lhes permitam manter os níveis da vida ativa, terá como consequência um aumento da taxa de poupança daqueles indivíduos”

Continue a ler o artigo nas páginas seguintes: 1 2 3 4 | Ver artigo Completo

Deixe um comentário

A Caixa de Comentários é moderada. O Saldo Positivo reserva-se o direito de não publicar os comentários que possam ser considerados ofensivos.

PUB