“Perguntam-me muitas vezes se estou rico”

O autor da rúbrica Contas-poupança lançou um livro e deu uma entrevista ao Saldo Positivo onde fala sobre o impacto da poupança na sua vida.

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Pedro Andersson: “Perguntam-me muitas vezes se estou rico”

Desengane-se quem pensa que Pedro Andersson, jornalista de formação e profissão, sempre teve hábitos de poupança ou que fazia contas a cada tostão que gastava. Foi a crise que o obrigou a repensar as suas finanças para conseguir manter o seu estilo de vida. Não ficou rico, mas consegue dormir descansado, “porque não tenho dívidas, tenho o suficiente para as necessidades da minha família e ainda dá para ir jantar fora algumas vezes”, contou ao Saldo Positivo. Depois de perceber que muitos portugueses que não faziam a mínima ideia de como poderiam poupar, sugeriu fazer uma rubrica, onde pudesse explicar como poderiam cortar em algumas despesas e chegar ao fim do mês com mais dinheiro na conta bancária. 

Cinco anos depois de ter dado início ao “Contas-poupança” no Jornal da Noite da SIC, Pedro Andersson decidiu que estava na hora de passar o conhecimento adquirido para um livro com o mesmo nome. Uma espécie de “poupança ‘faça você mesmo’”, explicou o autor. Neste livro os leitores “tem a ‘papinha toda feita’. Até digo quanto pode poupar em cada capítulo se seguir todas as instruções”, disse o autor.

 

Como surgiu a ideia de criar a rubrica do “Contas-poupança”?

Como qualquer consumidor, no pico da crise em 2011 e com os cortes salariais, comecei a perceber que estava a ser cada vez mais difícil ter dinheiro para todas as despesas ao longo do mês. Percebi que tinha de cortar nas despesas, mas não sabia por onde começar. Peguei em TODOS os meus contratos e despesas e comecei a tentar baixá-los um a um. Surpreendentemente, cheguei à conclusão que era possível baixá-las todas e em alguns casos até com melhores condições. Sugeri à Direção de Informação da SIC fazer uma rubrica semanal com essas dicas porque senti que muitas pessoas poderiam estar a passar pelas mesmas dificuldades. E nasceu assim o Contas-poupança. Já passaram cinco anos e foram emitidas quase 120 reportagens sobre os temas mais diversos em que é possível poupar no nosso dia-a-dia. 

 

Hoje em dia é um dos pontos altos do telejornal, no dia em que é transmitido. O êxito surpreendeu? Qual o ‘feedback’ dos seus telespectadores?

Sim, surpreendeu-me pela positiva. Muitas vezes pensava que era um tema não teria muito impacto porque para mim era uma poupança óbvia, mas depois pela reação dos espectadores e até dos colegas, parece que nunca ninguém se tinha lembrado daquilo. Tem sido quase ininterruptamente líder de audiências de todos os canais naqueles minutos em que é emitida. Isso é muito encorajador e fico muito feliz por perceber que as reportagens são úteis para as pessoas.

Muitas vezes recebo mensagens dos espectadores a agradecer porque uma dica os fez poupar 50, 100, 500, 1.000, 13.500 euros ou até 130 mil euros, como aconteceu recentemente. Fico muito feliz quando isso acontece.

 

Quais são as principais dúvidas que lhe chegam dos seus telespetadores?

Principalmente como responder às grandes empresas: bancos, seguradoras e também ao Estado. Não sabemos fazer valer os nossos direitos. Muitos consumidores, perante um problema, recebem um “não” como resposta e desistem. Não pode ser.

 

Onde é que vai buscar inspiração para os temas que aborda na rubrica? Costuma ter problemas em ter novas ideias?

Busco inspiração na vida real. Na minha e na das pessoas à minha volta e agora também na página de ‘Facebook’. Se tenho um problema, tento resolvê-lo. Se consigo, nasce um Contas-poupança. Se um colega tem um problema e encontro uma solução, nasce outra reportagem. Os espectadores dão-me também muitas sugestões.

Não tenho problemas em ter ideias novas, muitas vezes o meu problema é encontrar casos práticos que sustentem a teoria. Felizmente as pessoas têm cada vez menos receio em aparecer na televisão. Ainda por cima é para reportagens sobre temas que podem ajudar muitas outras pessoas.  É uma espécie de serviço público.

 

Porque decidiu tirar a ideia da televisão e passá-la para o papel, em livro?

A televisão é efémera. Ninguém se lembra de uma reportagem que passou em março de 2012. Mesmo que um milhão e meio de pessoas tenha visto um “Contas-poupança”, há outro milhão e meio que não viu. E os temas são tão diferentes de uma semana para a outra que aceitei o desafio da editora “Contraponto” para selecionar as melhores dicas e organizá-las por temas. Não dependem de ter acesso à internet e estão sempre disponíveis numa estante lá em casa para consulta rápida. Até pode pegar no livro e levá-lo consigo quando precisar reclamar junto de uma empresa. Acho que vai ser uma grande ajuda para quem fica sem dinheiro antes de chegar o fim do mês e não sabe por onde começar. Tem a “papinha toda feita” no livro. É uma poupança “faça-você-mesmo”. Até digo quanto pode poupar em cada capítulo se seguir todas as instruções. E só com uma dica, paga-se a ele próprio. Isso deixa-me muito satisfeito porque sei que é um bom investimento para quem o comprar. Não é mais uma despesa.

 

Pegando na frase do livro “Viva melhor com o mesmo dinheiro”, na sua rubrica e agora livro, o Pedro explica e exemplifica que é possível viver melhor com os mesmos rendimentos. Como é que se explica que a taxa de poupança entre os portugueses seja tão reduzida? 

Porque gastamos sem saber em quê. Enquanto houver dinheiro na conta está tudo bem. Só quando falta é que vamos à procura de para onde foi o dinheiro. Sem saber exatamente quanto ganhamos e quanto e onde gastamos não há poupança possível. Os portugueses ainda não se habituaram a pensar na poupança como uma despesa mensal “obrigatória” como a conta da água ou da luz. Mas acredito que estamos no bom caminho. Já sinto essa mentalidade a mudar para melhor.

 

No livro diz que todas dicas são testadas si. Sempre teve hábitos de poupança ou foi um hábito que desenvolveu ao longo do tempo?

Não. Só percebi que tinha de poupar quando veio a crise da ‘Troika’. Até esse momento vivi, como muitos portugueses, em tempo de “vacas gordas”. Quem me dera ter lido um livro como o “Contas-poupança” na altura em que dava para pôr dinheiro de lado. Mas nessa altura, mesmo que o visse, talvez pensasse que não era para mim e não o compraria. Agora penso de forma diferente.

 

Consegue medir o impacto que estes hábitos de poupança tiveram no seu orçamento familiar?

Um impacto imenso. Diria que foi a diferença entre ter superado os anos da Troika mantendo a minha qualidade de vida com alguns sacrifícios mínimos ou perder muitas horas de sono por me ter endividado para suportar os meus compromissos. Perguntam-me muitas vezes (por piada) se estou rico. Nada disso. Durmo descansado porque não tenho dívidas e tenho o suficiente para as necessidades da minha família e ainda dá para ir jantar fora algumas vezes. Isso para mim já é mais que suficiente. Se conseguir manter esta situação, tudo o que vier a mais já é lucro. Ninguém fica a rico a poupar. Mas não há dinheiro que pague dormir descansado.

 

O livro aborda várias áreas de poupança, tais como impostos, as contas mensais, supermercado, etc. Das áreas que investigou, em quais é possível poupar mais dinheiro? 

Nas despesas maiores: crédito à habitação, seguros de vida associados ao crédito à habitação, seguro automóvel, créditos pessoais e cartões de crédito. Tudo o resto é a soma de pequenas poupanças no dia-a-dia. O que eu acho mais interessante é que em alguns casos a soma de várias pequenas poupanças equivale a uma das poupanças grandes. Se eu conseguir poupar 60 euros no seguro de vida e 10 na luz, 10 no gás e 20 no supermercado, dá 100 euros por mês. São 1.200 euros que ganho a mais ao fim do ano. Para eu gastar no que eu quiser.

 

As cinco dicas de poupança preferidas de Pedro Andersson

1. Renegociar os seguros e telecomunicações todos os anos.

2. Anotar todas as despesas durante um mês (vai ter grandes surpresas) e fica logo a saber onde cortar.

3. Usar cupões e vales de desconto nas compras (faço muitas compras com 80%, 90% e até 100% de desconto).

4. Pagar o mais rapidamente possível todos os créditos, exceto o da habitação. Pode, por exemplo, juntá-los todos num para ser mais fácil.

5. Ler o livro “Contas-poupança” e colocar em prática as sugestões.

 

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