Pitch: Como brilhar numa entrevista em três minutos

Três minutos é quanto tempo tem para captar a atenção de um futuro empregador. Saiba como cativar numa entrevista de emprego.

pitch1Dizem os especialistas que bastam três minutos para formar uma opinião sobre alguém e que esse julgamento inicial dificilmente consegue ser desfeito, por mais que procure contrariar a ideia, por palavras ou por ações. “As empresas estão habituadas a avaliar o perfil das pessoas automaticamente e a identificar tipos. Portanto a postura, a forma como se cumprimenta, como se senta, tudo é importante, mas sobretudo quando começa a falar, já deve ter pensado naquilo que vai dizer”, explicou ao Saldo Positivo, Teresa Louro, fundadora do Talkin Café – um evento que fomenta partilha de ideias e conhecimentos profissionais, criando o conceito de conversa de café.

Por isso, se está à procura de emprego uma das primeiras tarefas que deve implementar é a elaboração de um ‘Pitch’. Ou seja: um discurso de apresentação breve e incisivo, no qual nos devemos promover de forma a obter emprego. Quando é bem concebido, o ‘pitch’ desperta o interesse imediato da pessoa que está a contratar. “Para ter sucesso, deve conter uma frase de abertura cativante, a estrutura deve pôr em destaque aquilo que somos, já fizemos e o fecho deve ser um apelo ao recrutamento”, explica a especialista. De uma forma sucinta deverá dizer quem é, o que faz, o que fez e como poderá beneficiar a empresa. Parece simples, mas se já tiver uma carreira de vinte anos ou não tiver experiência alguma, pode afigurar-se bastante complicado.

 

Como resumir-se?

Conceber uma apresentação da sua carreira pode parecer simples, mas o stresse da entrevista pode deixá-lo bloqueado, por isso é muito importante preparar-se bem. Tenha em consideração que quando o entrevistador lhe diz “fale-nos sobre si” não significa que deva dizer tudo o que se passou na sua vida desde a infância até hoje. Esta questão normalmente é para o relaxar, mas deve aproveitar a oportunidade para falar um pouco do seu percurso profissional. Pense nas principais experiências que teve, procure passar traços de personalidade e qualidades através de trabalhos já realizados e não se esqueça de dizer porque gostaria de trabalhar nessa empresa, assim como mencionar os seus objetivos.

O discurso não deverá soar a artificial e não deve estar limitado a uma descrição das características que considera mais relevantes na sua personalidade. “É muito importante evidenciar os seus pontos fortes através de ações, dizer ‘eu sou muito trabalhador’ não tem a força de dizer ‘eu estive envolvido em determinado projeto enquanto estudava’, isso vai demonstrar por atos o que quis dizer com palavras”, diz a especialista. É preciso mostrar provas e competências técnicas. Por exemplo: “Se a pessoa tirou um curso de Autocad e é capaz de produzir determinado trabalho deve referir isso no ‘pitch’”, prossegue.

A informação que quer apresentar no seu ‘pitch’ deve ser muito pensada. “Muitas pessoas não se dão conta, mas já fizeram muita coisa, portanto têm de procurar em si aquilo que é diferente e positivo. Diferenciar-se pela originalidade e autenticidade e não impressionar por algo que não corresponde à realidade, pois mais cedo ou mais tarde virá acima o que somos”, diz Teresa Louro. Aliado a um bom ‘pitch’, toda a parte não-verbal conta muito, é preciso transmitir otimismo, vontade de trabalhar e humildade.

Depois de ter feito o exercício de escolher as principais caraterísticas e experiência a transmitir ao entrevistador, componha o ‘pitch’. Quanto tempo deve demorar? “Não existe propriamente um tempo limite, já vi casos de ‘pitchs’ de dez minutos, em pessoas mais velhas que já têm muita experiência, ou de três minutos, mas quanto mais breve e incisivo melhor para não cansar quem está do outro lado”, explicou Nelson Emílio, especialista em ‘personal branding’, ao Saldo Positivo.

O especialista sublinhou a importância de levar o ‘pitch’ preparado, mas também algo mais aprofundado sobre as suas características. “Muitas pessoas levam o discurso muito bem preparado para aquelas perguntas chave e parecem bastante seguras, porém se o entrevistado lhes coloca uma questão que fuja ao previsto ficam nervosas e já não sabem o que responder”.
 

E se não tiver experiência?

Não é preciso ter muita experiência profissional para ter um bom ‘pitch’. A maior parte dos jovens ainda não tem competências profissionais, no entanto, isso não significa que não tenha nada a dizer. “Muitos já foram escuteiros, praticam desporto de alta competição, outros fazem voluntariado e isso põe em destaque a capacidade de liderança, capacidade de trabalhar em equipa e de se esforçar por atingir um objetivo. Tudo isso é muito apreciado no mercado de trabalho”, diz Teresa Louro, exemplificando com um caso prático: “Num ‘workshop’ que fiz, havia um jovem que afirmava não ter nada a dizer, depois conversámos com ele e contou que já tinha sido candidato à presidência da associação de estudantes, havia outro que era atleta de alta competição. É este tipo de coisas que as pessoas querem ouvir quando sabem que a pessoa não tem experiência”, prossegue.

 

Quatro passos para um bom ‘pitch’

Segundo Nelson Emílio, para que o ‘pitch’ surta o efeito desejado, ou seja, impressione os futuros empregadores, são necessários quatro passos:

1. Pensar: Fazer um ‘pitch’ é um processo de auto-conhecimento. Faça o seguinte exercício mental: quem sou eu e o que posso mostrar de bom. Não vou dizer que sou melhor ou pior, apenas aquilo que sou, o que fiz, as minhas aspirações.

2. Escrever: Escreva numa folha os cinco principais projetos de trabalho em que esteve envolvido, assim como experiencias pessoais. Se não tem muita experiência profissional ou ainda está a estudar, comece por falar das suas qualificações académicas e fale dos seus hobbies.

3. Ensaiar: O objetivo não é que o discurso saia de forma natural, mas a preparação é fundamental para não se esquecer de dizer nada importante. Ensaie em frente ao espelho até parecer que não ensaiou, porque isso traz confiança e tranquilidade quando enfrentar o entrevistador. Pratique em voz alta, num tom de voz natural, primeiro para si mesmo, e faça os ajustamentos que achar necessários. Repita este processo até estar satisfeito.

4. Pedir opinião: Podem ser os seus pais, marido, mulher, amigo ou irmão. O importante é encontrar alguém que esteja disposto a ouvi-lo e dar-lhe uma opinião sincera sobre o seu discurso. Uma segunda opinião Isso pode ser útil para apontar tiques nervosos, frases que não soem bem ou informações importantes esquecidas.

 

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