Brexit: Como proteger os seus investimentos?

O ouro, as ações e as obrigações do tesouro americanas são exemplos de investimentos que podem funcionar com um escudo dos efeitos do Brexit.

brexitPerante a surpresa, o pânico. Na passada sexta-feira, o mundo acordou atónito com a votação dos britânicos no referendo a dar vitória à saída do Reino Unido da União Europeia. Os efeitos imediatos fizeram-se sentir nos mercados: a libra desvalorizou para o nível mais baixo desde 1985 e as bolsas europeias protagonizam fortes quedas, com os títulos do setor financeiro a registarem as maiores desvalorizações. As agências de ‘rating’  também levantaram um “cartão amarelo” para o Reino Unido: a S&P cortou o ‘rating’ da região de ‘AAA’ para ‘AA’, a Fitch diminuiu o ‘rating’ de “AA+” para “AA” e a Moody’s cortou a perspetiva de dívida de longo prazo do Reino Unido, passando o seu ‘outlook’ de “estável” para “negativo”.

O medo e a incerteza do que aí vem levou muitos investidores a desfazerem posições expostas, em particular, à economia do Reino Unido e a refugiarem-se em investimentos tidos como mais seguros em tempos de turbulência, como é o caso do ouro.

Se o vermelho é (ou não) a cor que vai dominar os mercados nos próximos tempos, ninguém sabe precisar. No entanto, um dado é quase certo: aproximam-se tempos de elevada volatilidade nos mercados. Para saber como é que os investidores podem proteger as suas carteiras face à incerteza de curto/médio prazo, o Saldo Positivo pediu à Direção de Estratégia e Alocação da Caixagest algumas diretrizes e recomendações sobre como poderão os investidores “navegar” nos mercados em tempos de turbulência.

 

Ações da Zona Euro mais expostas aos riscos do Brexit

O comportamento dos mercados nos últimos dias mostra que o medo não penalizou apenas as ações do Reino Unido, mas causou uma maré vermelha nas praças europeias. O receio de que a saída do Reino Unido da União Europeia tenha um efeito “dominó” e possa contribuir para o desmembramento do projeto europeu está (e vai continuar) a colocar sob pressão as ações da Zona Euro.  Ao mesmo tempo, recorde-se ainda que a desvalorização da libra deverá afetar o poder de compra dos consumidores e empresas do Reino Unido. Além disso, o regresso das barreiras alfandegárias pode ter implicações sérias nas trocas comerciais entre o Reino Unido e os seus principais parceiros. Tudo isto são riscos para a Europa que não devem ser menosprezados.

“O potencial aumento de incerteza relativamente ao projeto europeu e o risco de abrandamento económico nesta região, a curto prazo, poderão resultar no incremento do prémio de risco de ações da Área Euro e, eventualmente, num novo movimento de deterioração de expectativas de lucros superior ao de outras regiões do globo”, explica fonte da Direção de Estratégia e Alocação da Caixagest.

Mas os efeitos não se ficam por aqui. A dívida dos países periféricos também poderá ser penalizada neste clima de incerteza, com os investidores a preferirem refugiarem-se na dívida alemã (ainda que a taxas de juro negativas). “Existe também o risco de se assistir a algum alargamento dos prémios de risco de crédito (‘spreads’), em especial no setor bancário, e ao aumento do diferencial de ‘yields’ de países periféricos como Espanha, Itália e Portugal em relação a Alemanha”, explica a fonte da Caixagest, ressalvando, no entanto, que o facto do BCE estar hoje munido de um conjunto de instrumentos de política monetária (que não tinham sido disponibilizados no passado) permiti-lhe ter uma atuação e um papel estabilizadores nos mercados financeiros.

 

Ouro, ações e obrigações do tesouro americanas podem funcionar como “escudo” protetor

Perante a turbulência que se vive na Europa, uma possível estratégia de proteção dos investidores poderá passar por um maior reforço das carteiras em ativos menos expostos à economia britânica. Esta é a opinião dos especialistas da Caixagest: “Caso se opte pela redução /maior imunização da estratégia de investimento face aos macro riscos já descritos, dever-se-ão privilegiar ativos denominados em moedas consideradas de refúgio, como o Dólar, e de regiões com menor exposição direta ao Reino Unido”.

Os especialistas da Direção de Estratégia e Alocação da Caixagest referem ainda que a “relativa menor exposição da economia dos EUA deverá limitar o contágio direto do abrandamento britânico, o que poderá beneficiar, em termos relativos, os ativos de risco desta geografia”. Por outro lado alertam para o facto de “um regime prolongado de aversão ao risco, traduzido numa maior instabilidade de mercados de capitais e numa tendência de apreciação do Dólar (por efeito de refúgio), associado a um abrandamento económico da União Europeia, poderão ser geradores de impactos adicionais negativos no crescimento americano. Deste modo, considerando a incerteza política latente, bem como o potencial de queda adicional de taxas juro, poderá ser recomendável uma exposição a ativos que deverão reagir positivamente ao supracitado contexto, ou seja, a obrigações do tesouro americano”.

Além destes ativos, os especialistas da Caixagest salientam um outro investimento que poderá gerar ganhos no atual contexto: o ouro. “No universo de matérias-primas, o ouro poderá também beneficiar de um forte aumento dos níveis de aversão ao risco”.

 

Diversificação: a regra de ouro a não esquecer

Num cenário de elevada incerteza, a regra de ouro dos investimentos de “não colocar todos os ovos no mesmo cesto” faz hoje mais sentido do que nunca. Ou seja, ter uma carteira de investimentos composta por diferentes classes de ativos, exposta a mercados com diferentes níveis de risco é, na opinião da Caixagest, a fórmula mais equilibrada e adequada para enfrentar os mercados nos próximos tempos.

Os especialistas da sociedade gestora alertam ainda que os investidores devem ser muito cautelosos nas suas decisões de investimento e explicam porquê: “Apesar das perspetivas imediatas serem mais negativas quanto aos possíveis impactos do “Brexit”, novos choques de informação e de eventos deverão ocorrer de forma significativa.

Deste modo, na gestão de uma carteira de investimentos, dever-se-á proceder a uma avaliação bastante cautelosa da evolução dos mercados e, simultaneamente, tentar-se identificar os “sinais” que não constituem ‘ruído’”. E recomendam: “Para um processo de decisão, deverão ser ponderados essencialmente três vetores: enquadramento fundamental de médio prazo, comportamento de mercados de curto prazo e valorizações das classes de ativos”.

 

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