“Portugueses continuam a assinar contratos sem os ler”

Desde 2011, o especialista em finanças pessoais já ensinou mais de três mil portugueses a gerirem melhor os seus orçamentos.

Nas formações que dá, quais são as principais fraquezas financeiras que nota que nas pessoas?

Há uma fraqueza que não é financeira e que se aplica a todas as vertentes da vida de uma pessoa e tem a ver com a responsabilidade de cada um de nós. Uma parte das formações passa por falar da responsabilização e sobre a definição de prioridades, para que as pessoas procurem refletir. Muitas vezes as pessoas tendem a responsabilizar os outros pelos seus problemas. Quando perguntamos para que é que os bancos servem? As pessoas respondem “para levar-nos o nosso dinheiro”. As pessoas têm de saber onde começa a sua responsabilidade e onde começa a responsabilidade dos outros.

Um outro aspeto importante é que para eu tomar uma decisão tenho de tomar uma decisão informada. E as pessoas continuam a não ler os contratos, ou lêem os contratos mas não sabem o que estão a assinar. Ninguém sabe o que é um fiador e quais as suas implicações. E isto bate na questão da responsabilização: Se estou a assinar um contrato, tenho de perceber o que é que querem dizer aquelas letrinhas pequenas.

  ” Há muitas pessoas que não sabem quantos créditos têm. Quando lhes colocamos esta questão dizem: “Tenho dois ou três”. Mas vamos a analisar a situação e descobrimos que afinal têm sete ou oito”

Que outras lacunas nota nas pessoas?

Não fazem orçamentos. Quer dizer, todas as pessoas dizem que o fazem. E fazem aonde? Aqui, na cabeça. Se perguntar às pessoas quanto é que elas pagam na casa, elas sabem dizer. Mas se perguntarmos quanto é que elas gastam naquelas pequenas despesas como tomar o pequeno-almoço fora, dizem-nos que têm uma ideia dos gastos. Mas a verdade é que somando todas as pequenas despesas, ao final do mês estamos a falar de muito dinheiro. Além de não fazerem os orçamentos, as pessoas não têm a noção que podem renegociar os seus contratos. Acomodam-se. Se bem que vamos vendo que as pessoas vão estando cada vez mais informadas.

 

Quais são os sinais de alerta de sobreendividamento e de ruptura financeira?

O primeiro é a utilização regular da conta ordenado. Quando bem utilizada, a conta ordenado é óptima. Mas a sua utilização regular pode levar a pessoa a descontrolar-se. Outro sinal é a falta de poupança. Ou seja, quando eu não tenho dinheiro nenhum de lado é um grande risco, porque posso cair facilmente em incumprimento. A utilização regular do cartão de crédito é também um sinal de alerta, principalmente, quando é utilizado para pagar despesas básicas como comida. Há ainda um outro sinal que pode parecer um pouco estranho mas que tem a ver com facto de as pessoas não saberem quantos créditos têm. Há muita gente que não sabe. Quando lhes colocamos esta questão dizem: “Tenho dois ou três”. Mas vamos a analisar a situação e descobrimos que afinal têm sete ou oito.

Quais os tipos de formação de finanças pessoais que são mais solicitados?

Depende do público e do perfil das pessoas. No caso do grupo Jerónimo Martins, são sobretudo formações sobre gestão de orçamento familiar e redução do endividamento. Mas como é uma formação que vai ser obrigatória para todos os 28 mil colaboradores do grupo, damos uma formação mais simples. E como não faz sentido dar esta formação a todas pessoas do grupo, como os directores, então construímos uma formação sobre preparação da reforma para estas pessoas.

No grupo PT, por exemplo, começámos com uma formação híbrida de orçamento e poupança e temos agora uma sobre a preparação da reforma. Temos também uma formação sobre como preencher o IRS. Temos ainda uma formação que foi muito interessante e que implementamos no grupo Jerónimo Martins, em que fomos às colónias de férias falar com as crianças. Para os pais temos vindo a trabalhar com alguns colégios, e explicar como é que os pais devem falar com os filhos sobre dinheiro. Esta questão é muito importante porque se queremos reeducar as pessoas temos de começar da base, ou seja pelas crianças. E já estamos a trabalhar nesse contexto: Em breve vamos lançar um livro para pais e outro para filhos sobre como é que os pais devem falar com as crianças sobre dinheiro e a ensinar às crianças o que é o dinheiro, o que é o crédito e o que são os juros. Vamos também lançar em breve um outro livro, sobre uma temática diferente: a preparação para a reforma.

 

 Nota: Os créditos das imagens pertencem ao Diário Económico

 

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Uma resposta a ““Portugueses continuam a assinar contratos sem os ler””

  1. Johnc58

    Enjoyed studying this, very good stuff, regards . A man may learn wisdom even from a foe. by Aristophanes. edgdecaeckfe

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